As ações da ISA Energia Brasil, negociadas pelo código ISAE4, acumulam forte valorização e voltaram ao radar dos investidores que procuram empresas previsíveis, pagadoras de dividendos e expostas ao crescimento da infraestrutura elétrica brasileira.
A companhia, anteriormente conhecida como ISA CTEEP e negociada pelo código TRPL4, adotou os tickers ISAE3 e ISAE4 em novembro de 2024. Em 13 de julho de 2026, a ação preferencial aparecia cotada a R$ 29,20 no site de Relações com Investidores da empresa.
Apesar do desempenho positivo, o avanço da cotação levanta uma dúvida importante: depois da alta, ISAE4 ainda oferece uma boa relação entre preço, dividendos e riscos?
A análise parte das informações apresentadas pela companhia e dos principais pontos levantados no esboço fornecido.
ISA Energia investirá R$ 12 bilhões até 2033
A ISA Energia possui um dos maiores portfólios de transmissão elétrica do país. Seu modelo de negócio é considerado defensivo porque a remuneração ocorre principalmente por meio da Receita Anual Permitida, a RAP.
Na prática, a receita não depende diretamente da quantidade de energia transmitida nem do preço da eletricidade. O pagamento está relacionado à disponibilidade das linhas e subestações, desde que os ativos cumpram os padrões definidos pela regulação.
A companhia informou possuir aproximadamente R$ 12 bilhões em investimentos autorizados, considerando projetos greenfield, reforços e melhorias previstos até 2033. O volume deverá ser concentrado principalmente entre 2026 e 2028, com redução gradual nos anos seguintes.
Somente o pipeline autorizado de reforços e melhorias alcançou R$ 7,20 bilhões em março de 2026. Segundo a apresentação corporativa, a relação esperada entre RAP e investimento nesses projetos varia de 12% a 17%.
Esse crescimento é importante para compensar a redução futura das receitas ligadas à RBSE, indenização relacionada a ativos antigos de transmissão, cujo fluxo deverá perder relevância a partir de 2028.
Troca de ativos pode adicionar R$ 343,30 milhões à receita
Outro movimento relevante envolve o descruzamento das participações mantidas pela ISA Energia e pela Axia Energia em dois ativos.
Após a conclusão da operação, a ISA Energia ficará com 100% da IE Madeira e deixará sua participação na IE Garanhuns. Para isso, deverá realizar um pagamento de R$ 1,20 bilhão.
A empresa calcula que a consolidação integral da IE Madeira poderá acrescentar, em termos pro forma:
| Indicador | Impacto estimado |
|---|---|
| Pagamento no fechamento | R$ 1,20 bilhão |
| Receita líquida anual | R$ 343,30 milhões |
| EBITDA anual | R$ 255,00 milhões |
A transação aumenta o resultado operacional, mas também pressiona temporariamente o endividamento.
Receita e lucro cresceram no primeiro trimestre
No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida regulatória da ISA Energia atingiu R$ 1,23 bilhão, crescimento de 8% na comparação anual.
Desconsiderando a RBSE, a receita operacional avançou 24%, para R$ 762 milhões. O EBITDA consolidado subiu 11%, alcançando R$ 1,02 bilhão, enquanto o lucro líquido regulatório cresceu 6%, para R$ 358 milhões.
A eficiência operacional também melhorou. A relação entre despesas operacionais e receita líquida sem RBSE caiu de 29% no primeiro trimestre de 2025 para 24% no primeiro trimestre de 2026.
Dívida elevada é o principal risco de ISAE4
O maior ponto de atenção está no balanço. A dívida líquida chegou a R$ 16,30 bilhões em março de 2026, enquanto a alavancagem avançou de 3,63 vezes para 3,72 vezes o EBITDA.
A dívida bruta somava R$ 15,40 bilhões, com prazo médio de 8,7 anos. Embora o perfil seja alongado, novos projetos e a aquisição da participação na IE Madeira podem levar a alavancagem para níveis ainda maiores no curto prazo.
A pressão financeira ajuda a explicar por que o lucro cresce menos que o EBITDA: juros elevados aumentam as despesas financeiras e consomem parte do ganho operacional.
Dividendos continuam, mas retorno pode ser menor
A ISA Energia mantém como prática distribuir pelo menos 75% do lucro líquido regulatório, condicionada à aprovação dos acionistas e à situação financeira da empresa.
Em fevereiro de 2026, foram aprovados R$ 279,30 milhões em dividendos, equivalentes a aproximadamente R$ 0,42 por ação. Considerando também juros sobre capital próprio, os proventos pagos em 2026 somavam aproximadamente R$ 0,75 por ação até a atualização da página corporativa.
ISAE4 continua sendo uma ação defensiva e com potencial de crescimento. Entretanto, depois da valorização, o investidor precisa ponderar três fatores: preço mais elevado, alavancagem próxima de quatro vezes o EBITDA e dividend yield possivelmente menor do que o observado em anos anteriores.
O negócio permanece sólido, mas a ação já não apresenta a mesma margem de segurança encontrada antes da alta.
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