A ISA Energia entra no mês de dezembro com forte expectativa em torno do próximo anúncio de dividendos. O mercado acompanha de perto o desempenho da companhia após a divulgação de um resultado expressivo no terceiro trimestre de 2025, que elevou significativamente as projeções para a distribuição de proventos referente ao segundo semestre.
No terceiro trimestre, a empresa registrou lucro líquido de R$ 550 milhões, crescimento de 27% na comparação anual, sinalizando uma inflexão positiva no desempenho operacional. Esse resultado muda completamente o patamar de expectativa para o dividendo que está em aberto neste fim de ano.
Indicadores aparentam desconto, mas exigem atenção
À primeira vista, os múltiplos chamam atenção. O preço sobre lucro abaixo de 6 vezes e o preço sobre valor patrimonial ao redor de 0,85 sugerem desconto relevante. No entanto, essa leitura é distorcida.
O P/L exibido no mercado utiliza o lucro contábil, enquanto os dividendos são calculados a partir do lucro regulatório, que é menor. Quando feito o ajuste correto, o múltiplo real da ISA Energia fica acima de 10 vezes, eliminando boa parte da percepção de barganha.
Além disso, a ação ISAE4 não possui tag along, o que eleva o risco para o investidor e explica parte do desconto no P/VP. Já a ação ordinária, com tag along de 80%, é negociada a múltiplos mais elevados.
Posição estratégica garante previsibilidade de longo prazo
A ISA Energia é hoje a terceira maior empresa de transmissão de energia do Brasil, com presença em 18 estados, 34 concessões, mais de 23 mil quilômetros de linhas de transmissão e participação próxima de 12% de todo o sistema nacional.
Um dos diferenciais mais relevantes é o controle de cerca de 95% da energia transmitida ao estado de São Paulo, o maior centro econômico do país. Isso garante demanda estrutural elevada, previsibilidade de receitas e baixa volatilidade operacional.
As concessões possuem, em média, vigência superior a 20 anos, garantindo contratos longos e estabilidade de caixa.
Projetos em execução devem adicionar R$ 1 bilhão em receitas
A empresa mantém um ciclo intenso de investimentos para sustentar o crescimento após a redução gradual da RBSE ao final da década. Entre os principais projetos:
Água Vermelha: RAP de aproximadamente R$ 8 milhões por ano, com antecipação de 16 meses
Riacho Grande: praticamente concluído, com RAP estimada de R$ 93 milhões por ano
Piraquê: maior projeto em carteira, com RAP de R$ 343 milhões por ano, a partir de 2027
Somados, os projetos em execução devem gerar cerca de R$ 1 bilhão por ano em novas receitas reguladas.
Endividamento cresce, mas pressão de curto prazo diminui
A alavancagem da companhia subiu de 2,72 para aproximadamente 3,44 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, reflexo direto dos investimentos.
Apesar disso, houve reorganização do perfil da dívida, evitando vencimentos antecipados de obrigações relevantes. Esse movimento reduz riscos no curto prazo e traz maior previsibilidade ao fluxo de caixa.
Projeção de dividendos para dezembro
Com base no desempenho do segundo semestre, três cenários foram projetados para o próximo pagamento:
Cenário otimista
Lucro no 4º trimestre: R$ 500 milhões
Lucro do 2º semestre: R$ 1,05 bilhão
DPA bruto: R$ 1,20
DPA líquido (após 15% de IR): R$ 1,02 por ação
Dividend yield: 3,8%
Cenário realista
Lucro no 4º trimestre: R$ 450 milhões
DPA líquido estimado: R$ 0,97 por ação
Dividend yield: 3,6%
Cenário pessimista
Lucro no 4º trimestre: R$ 400 milhões
DPA líquido estimado: R$ 0,90 por ação
Dividend yield: 3,4%
Como toda a distribuição ocorre via JCP, há incidência de 15% de imposto de renda na fonte.
Preço teto para 2026 aponta ausência de margem de segurança
Para 2026, o cenário base considera:
Lucro líquido projetado: R$ 1,6 bilhão
DPA líquido estimado: R$ 1,55 por ação
Yield mínimo exigido: 7% ao ano
Com esses parâmetros, o preço teto fica próximo de R$ 22 por ação. Como o papel negocia na faixa de R$ 26 a R$ 27, isso indica ausência de margem de segurança no momento atual.
Nesse mesmo cenário, o P/L projetado para 2026 se aproxima de 11 vezes, reforçando que a ação já não está mais barata como em ciclos anteriores.
A ISA Energia reúne fundamentos sólidos: concessões longas, previsibilidade de receitas, posição estratégica no sistema elétrico, projetos relevantes em execução e lucro em recuperação. O próximo dividendo deve ser significativamente superior ao pago no primeiro semestre, com valor líquido provavelmente entre R$ 0,90 e R$ 1,02 por ação.
No entanto, o valuation atual sugere que o mercado já antecipou boa parte dessa melhora operacional. Assim, apesar da solidez da companhia, o momento exige cautela para novas entradas, especialmente para quem busca margem de segurança.
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