O setor de papel e celulose atravessa um momento de assimetria clara entre empresas focadas no mercado doméstico e companhias mais expostas ao ciclo global de commodities. Nesse contexto, Irani e Klabin representam duas teses bem distintas dentro do mesmo setor.
De um lado, a Irani combina crescimento operacional, menor endividamento e dividendos robustos. Do outro, a Klabin opera com escala muito superior, diversificação de receitas e uma estratégia clara de desalavancagem após um ciclo intenso de investimentos.
Resultados e indicadores — comparativo atualizado
| Indicador | Irani | Klabin |
|---|---|---|
| Receita líquida trimestral | ~R$ 430 milhões | ~R$ 5,4 bilhões |
| EBITDA ajustado | ~R$ 146 milhões | ~R$ 2,1 bilhões |
| Margem EBITDA | ~34% | ~39% |
| Lucro líquido trimestral | ~R$ 42 milhões | Resultado mais volátil |
| Dívida líquida / EBITDA | ~2,0x | ~3,7x |
| Dividend Yield (12 meses) | ~9% a 10% | ~5% a 6% |
| Exposição ao exterior | Baixa | Elevada |
| Principal risco operacional | Custo de aparas | Preço da celulose |
Irani: eficiência, Brasil e dividendos elevados
A Irani se beneficia diretamente do crescimento do mercado brasileiro de papelão ondulado, segmento que cresce acima do PIB há mais de uma década. Sua receita é fortemente concentrada em embalagens, o que reduz a exposição a ciclos internacionais de celulose.
O principal avanço estrutural da empresa vem do Projeto Gaia, que reduz a dependência de aparas compradas no mercado, melhora o controle de custos e amplia a produção própria. Com isso, a empresa ganha previsibilidade de margens e reduz riscos operacionais.
Outro diferencial é a estrutura de capital. A alavancagem em torno de 2 vezes o EBITDA dá conforto financeiro e abre espaço para uma política de dividendos agressiva. Em um cenário de possível tributação de dividendos a partir de 2026, a Irani aparece como forte candidata a antecipar distribuições relevantes.
Klabin: escala, diversificação e desalavancagem
A Klabin opera em um patamar completamente diferente de escala. Sua atuação combina papéis, embalagens e celulose, com presença relevante no mercado internacional. Essa diversificação reduz riscos no longo prazo, mas aumenta a exposição a ciclos globais e volatilidade cambial.
O principal ponto de atenção segue sendo o nível de endividamento, ainda elevado após grandes investimentos recentes. No entanto, a geração de caixa robusta vem permitindo uma trajetória gradual de desalavancagem, o que tende a destravar valor à medida que o ciclo de investimentos fica para trás.
A política de dividendos da Klabin é mais conservadora quando comparada à Irani, priorizando equilíbrio entre remuneração ao acionista e preservação de caixa.
Dividendos: diferença clara de perfil
Irani: foco em retorno ao acionista, com dividend yield de dois dígitos em alguns períodos e espaço para antecipações antes de mudanças tributárias.
Klabin: distribuição recorrente, porém mais moderada, alinhada a uma estratégia de crescimento e fortalecimento do balanço.
Essa diferença faz com que as ações atraiam perfis distintos de investidores.
Riscos e pontos de atenção
Irani
Sensibilidade ao preço das aparas
Forte dependência do mercado brasileiro
Klabin
Exposição ao ciclo internacional da celulose
Endividamento ainda elevado no curto prazo
A Irani se destaca como uma ação de retorno mais rápido, com dividendos elevados, menor alavancagem e foco no mercado interno. Já a Klabin representa uma tese de longo prazo, baseada em escala, diversificação e potencial de valorização à medida que a desalavancagem avança.
A escolha entre as duas depende menos de qual é “melhor” e mais do perfil do investidor: renda e previsibilidade no curto e médio prazo ou crescimento estrutural com maior volatilidade no caminho.
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