A Irani anunciou um movimento estratégico relevante para o acionista: o cancelamento de cerca de 9,3 milhões de ações em tesouraria e a abertura de um novo programa de recompra que pode atingir quase 10% das ações em circulação. A medida reduz a base acionária, eleva o lucro por ação (LPA) e o dividendo por ação (DPA) e reforça a percepção de que o papel está descontado no mercado, abrindo espaço para valorização no curto e médio prazo.
O que muda com o cancelamento das ações
O cancelamento das ações recompradas diminui o número total de papéis em circulação — hoje em torno de 230 milhões. Na prática, isso torna cada ação mais representativa do negócio. Com menos ações para dividir o resultado, LPA e DPA tendem a subir, mesmo sem crescimento proporcional do lucro total. É um dos mecanismos mais eficientes de criação de valor quando a empresa entende que suas ações estão baratas.
Novo programa de recompra: estratégia contínua de valor
Além de encerrar o programa anterior, a Irani formalizou um novo ciclo de recompra, com foco em adquirir até quase 10 milhões de ações. A lógica é clara: usar capital para recomprar papéis subavaliados, potencialmente cancelá-los no futuro e, com isso, concentrar valor nos acionistas remanescentes. A estratégia complementa dividendos e melhora métricas por ação ao longo do tempo.
Operação: foco em papel ondulado e resiliência
A Irani tem exposição majoritária a derivados da celulose, especialmente papel ondulado, com menor dependência da celulose commodity. No 2T25, houve crescimento anual de receita e EBITDA, apesar de uma leve acomodação frente ao 1T25. O destaque foi o lucro líquido, que cresceu 168% na comparação anual, impulsionado por fatores contábeis (valorização de ativos biológicos e créditos tributários).
Atenção: esses ganhos não recorrentes não aumentam o caixa. No recorte estritamente operacional, o lucro líquido ajustado ficou pressionado — ponto importante para análise conservadora.
Balanço sólido e endividamento controlado
Mesmo em um cenário de Selic elevada, a Irani apresenta estrutura financeira confortável:
Dívida bruta: ~R$ 1,7–1,8 bilhão
Caixa: ~R$ 627 milhões
Dívida líquida: ~R$ 1,15 bilhão
Dívida líquida/EBITDA: em patamar tranquilo para o setor
Com patrimônio líquido em torno de R$ 1,4 bilhão, o caixa representa quase metade desse valor — um diferencial relevante frente aos pares.
Rentabilidade e valuation: por que o papel chama atenção
A Irani combina ROE elevado (~27%) com negociação acima do VPA (ágio). Ainda assim, a rentabilidade supera o ágio, o que sustenta a tese de valor. Usando um modelo que projeta o valor futuro a partir do VPA rentabilizado pelo ROE e traz a valor presente pela taxa Selic (~15%), o valor justo descontado se aproxima de R$ 10, sugerindo margem de segurança frente aos preços recentes.
Dividend yield esperado: ~8%
Perfil: cíclico, porém com remuneração atrativa no contexto macro atual
Mata-mata setorial: Irani x Klabin x Suzano
No comparativo com Klabin e Suzano, a Irani se destaca em 2025 por:
Menor alavancagem
Maior retorno sobre patrimônio
Valuation mais atrativo em múltiplos
Melhor desempenho relativo das ações no ano
O principal ponto de cautela é a lateralidade do crescimento de receita no histórico recente. Ainda assim, em dividendos, retorno e preço relativo, a Irani lidera o comparativo.
Com redução da base acionária, novo programa de recompra, balanço sólido e valuation atrativo, a Irani reforça uma tese que combina renda e potencial de valorização. O investidor deve ponderar os efeitos não recorrentes no lucro, mas, no conjunto, o papel se mantém bem posicionado para atravessar o ciclo e capturar valor.
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