Relatórios recentes de grandes gestoras internacionais voltaram a colocar o Brasil no centro das discussões sobre mercados emergentes. Um dos pontos que mais chama atenção é o desempenho histórico do Ibovespa quando analisado em dólares, especialmente durante ciclos de corte da taxa Selic.
Segundo estudos divulgados pela Global X, o principal ETF que representa o Brasil no exterior, o EWZ, apresentou retorno médio de 96,7% em dólar ao longo dos ciclos de flexibilização monetária desde o Plano Real. Ao mesmo tempo, o risco médio (drawdown) nesses períodos foi de cerca de 14,5%, um perfil considerado extremamente atrativo em termos de risco-retorno.
Ibovespa em dólar ainda não precificou todo o movimento
Apesar da forte valorização recente da Bolsa brasileira em reais, o Ibovespa em dólares ainda não atingiu patamares historicamente associados ao fim de grandes ralis. Em 2025, por exemplo, o EWZ acumula alta próxima de 40%, bem abaixo da média observada em outros ciclos completos de corte de juros.
Comparação histórica do EWZ em ciclos de juros:
| Período | Contexto macro | Retorno em dólar |
|---|---|---|
| 2003–2007 | Corte agressivo de juros | +100% a +113% |
| 2009 | Pós-crise global | +113% |
| 2016 | Saída de recessão | +67% |
| 2025 | Pré-corte de juros | +40% |
Conclusão: estatisticamente, ainda haveria espaço para valorização adicional caso o corte de juros se confirme ao longo de 2026.
Composição do EWZ mostra força de grandes empresas brasileiras
Outro ponto que sustenta a tese positiva é a composição do ETF EWZ, formada majoritariamente por empresas líderes de mercado, com forte geração de caixa e exposição global.
Principais participações do EWZ:
Nubank
Vale
Itaú
Petrobras
Bradesco
Weg
B3
Embraer
Além disso, o ETF distribui dividendos próximos de 4,8% ao ano em dólar, o que reforça o apelo para investidores estrangeiros em busca de renda e diversificação.
Volatilidade elevada historicamente precede grandes altas
O ano de 2024 foi um dos piores desempenhos do EWZ desde 2002, algo comparável apenas a períodos de crise profunda como 2015. Historicamente, momentos de forte queda em dólar foram seguidos por rallies expressivos, como ocorreu em 2003, 2009 e 2016.
Anos de forte queda
2002
2008
2015
2024
Anos seguintes de forte recuperação
2003
2009
2016
2025/2026 (em projeção)
Riscos no radar: eleições e correções no curto prazo
Apesar do cenário construtivo no médio e longo prazo, analistas alertam para possíveis correções ao longo de 2026, principalmente no primeiro semestre. Fatores como:
Início do calendário eleitoral
Volatilidade política
Ajustes técnicos após forte alta
podem provocar quedas temporárias de até 20% no EWZ, o que, segundo especialistas, pode representar oportunidade de entrada para investidores com horizonte mais longo.
Setores que podem liderar o próximo ciclo
A análise setorial do Ibovespa mostra diferenças relevantes de desempenho:
Mais descontados
Consumo e varejo
Small caps
Mais defensivos
Indústria exportadora
Materiais básicos (ligados ao dólar)
Esses setores tendem a ganhar relevância em um cenário de maior volatilidade política e possível valorização cambial.
O que esperar do Ibovespa em reais
No mercado doméstico, projeções técnicas apontam:
Possível correção: entre 12% e 18%
Suportes relevantes: 143 mil e 138 mil pontos
Alvo de médio prazo: região próxima de 174 mil pontos
Esse movimento sugere uma pausa no curto prazo antes de um novo ciclo de valorização mais consistente.
Resumo: por que o Ibovespa em dólares virou o “gráfico-chave” para 2026
Histórico mostra forte alta em ciclos de corte de juros
Bolsa brasileira ainda barata em dólar
Fluxo estrangeiro pode se intensificar
Volatilidade segue alta, mas favorece quem pensa no longo prazo
Para investidores atentos ao cenário macro, o Ibovespa em dólares surge novamente como um dos ativos mais assimétricos do mercado global para os próximos anos.
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