A semana intensa para o investidor da Bolsa brasileira, com uma sequência de anúncios envolvendo bonificações em ações, pagamentos de dividendos e JCP, além de operações estratégicas que mexeram com a percepção de valor de várias companhias. Os movimentos reforçam como o fim do ano costuma ser um período decisivo para ajustes de capital, remuneração ao acionista e reorganização societária.
Grazziotin anuncia bonificação de 16,37% e reforça histórico de dividendos
A Grazziotin anunciou uma bonificação de 16,37%, o que significa que o investidor receberá 1 nova ação para cada 6,10 ações em carteira.
- Data-com: 22 de dezembro
- Crédito das ações: 29 de dezembro de 2025
- Custo atribuído: R$ 31,73 por ação (impacta o custo médio para o Imposto de Renda)
Além da bonificação, a empresa chama atenção pelo histórico consistente de proventos. Somando os dividendos recentes R$ 1,79 em junho, R$ 1,13 em dezembro e mais R$ 3,95 por ação o total chega a R$ 6,68 por ação. Para quem comprou o papel próximo a R$ 25, isso representou um dividend yield superior a 25% sobre o preço de compra.
Mesmo sendo uma microcap pouco comentada, a Grazziotin figura entre as ações que mais geraram valor ao acionista desde o Plano Real, reforçando sua atratividade no longo prazo.
Marcopolo aprova bonificação de 10% aos acionistas
A Marcopolo também anunciou bonificação de 10%, concedendo 1 nova ação a cada 10 ações detidas.
- Custo atribuído: R$ 6,21 por ação
- Data-com: a ser divulgada nos próximos dias
A decisão reforça a estratégia da companhia de ajustar sua estrutura de capital e manter o acionista próximo em um momento de retomada gradual do setor industrial.
Banrisul eleva JCP e projeta yield acima de 10% em 2025
O Banrisul anunciou um novo Juro sobre Capital Próprio (JCP) de R$ 180 milhões, superior aos pagamentos anteriores.
- Valor líquido: cerca de R$ 0,37 por ação
- Data-com: 26 de dezembro
- Pagamento: 9 de janeiro
- Yield imediato: ~2,5%
Somando os proventos previstos para 2025, o banco deve pagar cerca de R$ 1,60 por ação, o que representa 10,7% de dividend yield na cotação atual. Para quem comprou ações próximo de R$ 10, o retorno total já supera 16% em dividendos, além de uma valorização expressiva do papel.
CSN Mineração encerra recompra e planeja venda de ações em tesouraria
A CSN Mineração encerrou seu programa de recompra após adquirir 53 milhões de ações, abaixo do limite máximo de 100 milhões previsto inicialmente. Em seguida, a empresa comunicou a intenção de vender ações mantidas em tesouraria, podendo levantar até R$ 280 milhões.
O mercado reagiu com cautela, já que muitos investidores esperavam o cancelamento das ações, o que aumentaria a participação relativa dos acionistas. Além disso, a companhia anunciou uma operação envolvendo a MRS Logística, na qual a CSN venderá 11,17% da MRS para a CSN Mineração por R$ 3,3 bilhões.
Os múltiplos da operação chamaram atenção:
- Preço/Lucro: próximo de 20x
- EV/Ebitda: cerca de 9,3x
Em um ambiente de juros elevados, o mercado avaliou o preço como esticado, o que adicionou volatilidade ao papel.
Habitasul reduz posição na Irani por necessidade financeira
Outro destaque foi o movimento da Habitasul, que faz parte do bloco de controle da Irani. A companhia venderá 7 milhões de ações da Irani, além de 2,7 milhões via subsidiária, para a Irani Participações, ao preço médio de R$ 8,62 por ação.
O ponto-chave é que a operação ocorre dentro do bloco de controle, o que reduz o risco de sinalização negativa. A venda deve gerar cerca de R$ 84 milhões, valor muito próximo ao passivo circulante de R$ 87 milhões da Habitasul, indicando que a operação tem caráter financeiro, e não estratégico.
Além disso, o fato de a Irani Participações pagar esse preço sugere que o controlador enxerga valor acima do nível atual de mercado.
Estácio anuncia dividendos com yield atrativo
A Estácio anunciou dividendos de R$ 0,56 por ação, equivalente a 4,6% de yield.
- Data-com: 26 de dezembro
- Pagamento: até 27 de fevereiro
O anúncio reforça a previsibilidade de proventos no setor educacional, mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.
Gerdau conclui recompra e mantém caixa robusto
A Gerdau concluiu 100% do programa de recompra de ações de 2025, adquirindo:
- 1,5 milhão de ações ON a R$ 15,65
- 63 milhões de ações PN a R$ 16,27
Apesar de o dividend yield aparente ser de apenas 3,6%, a forte recompra “camufla” a remuneração total ao acionista. Somando dividendos e recompras, a entrega de valor é significativamente maior.
Com alavancagem baixa (0,8x) e quase R$ 10 bilhões em caixa, a empresa tem recursos suficientes para cobrir suas dívidas até 2030, o que reforça sua solidez financeira.
IS Energia anuncia novo JCP, mas exige cautela do investidor
A IS Energia anunciou JCP de R$ 0,21 por ação ao mês, entre janeiro e março de 2026.
- Data-com: 29/12/25, 29/01/26 e 26/02/26
- Total líquido: cerca de R$ 0,85 por ação
- Yield imediato: ~3,15%
Somando os proventos de 2025, a remuneração total chega a R$ 1,42 por ação, o que representa 5,2% de yield. O mercado, no entanto, alerta para o alto volume de investimentos previstos cerca de R$ 13 bilhões apenas para manter o nível atual de receita até 2028.
Semana reforça importância da análise além do yield
Os anúncios envolvendo Grazziotin, Marcopolo, Banrisul, CSN Mineração, Irani, Gerdau e IS Energia mostram que bonificações e dividendos, por si só, não contam toda a história. Entender estrutura de capital, necessidade de caixa, recompra de ações e estratégia de longo prazo é essencial para separar oportunidades reais de armadilhas de curto prazo.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






