Depois de acumular alta próxima de 40% no segundo semestre de 2025, as ações da GGBR4 entraram em uma fase mais cautelosa. O movimento de valorização foi sustentado principalmente pela recuperação das margens na América do Norte e pela expectativa de melhora no ciclo do aço.
No entanto, a reavaliação recente do cenário para 2026 indica que o potencial de valorização no curto prazo ficou mais limitado. Mesmo com revisão positiva de preço-alvo para R$ 25,00 ao fim de 2026, o perfil de risco-retorno passou a exigir mais atenção.
O principal motivo está na assimetria operacional da companhia.
Brasil sob pressão: importações baratas comprimem margens
A operação brasileira enfrenta forte concorrência de aço importado, especialmente da Ásia, o que tem provocado sobreoferta no mercado doméstico. Esse cenário pressiona preços e margens.
Nos números mais recentes, a divisão Brasil apresentou:
Queda expressiva no lucro bruto
Compressão relevante de margens
Menor geração de caixa operacional
Em determinados trimestres recentes, o lucro bruto da operação brasileira registrou retração superior a 60% na comparação anual, evidenciando o impacto da guerra de preços.
Esse ambiente cria um risco estrutural: a deterioração do mercado interno pode prolongar um ciclo de baixa rentabilidade, afetando a previsibilidade de resultados.
América do Norte: o pilar que sustenta a Gerdau
Se o Brasil representa o ponto de tensão, a América do Norte se tornou o grande motor da companhia.
A operação norte-americana responde por cerca de dois terços da geração de caixa consolidada. O EBITDA da região avançou mais de 40% em determinados períodos recentes, impulsionado por:
Demanda resiliente por aço longo
Infraestrutura aquecida
Melhor repasse de preços
Essa performance compensou a fraqueza doméstica e manteve o resultado consolidado em patamar robusto.
O problema é a concentração de dependência. A empresa passou a se apoiar fortemente em um único pilar geográfico.
Dividendos e recompra: suporte ao acionista
Mesmo em cenário desafiador no Brasil, a geração de caixa no exterior permitiu manutenção de remuneração relevante ao acionista.
Nos últimos 12 meses, a companhia distribuiu mais de R$ 500 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio, além de manter programa de recompra de ações próximo do encerramento.
Indicadores recentes de GGBR4
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação atual | R$ 22 – R$ 24 |
| Preço-alvo 2026 | R$ 25,00 |
| Dividend Yield (12 meses) | 6% a 8% |
| Participação América do Norte no EBITDA | ~65% |
| Alta acumulada no 2º semestre de 2025 | ~40% |
A recompra ajuda a reduzir o número de ações em circulação, elevando o lucro por ação e dando suporte às cotações no curto prazo.
Risco central para 2026: dependência excessiva
O retrato atual é de uma empresa operacionalmente sólida, mas desequilibrada. A dependência da América do Norte se tornou o principal risco estratégico.
Se houver desaceleração na economia americana, pressão de preços ou enfraquecimento do setor de infraestrutura, o impacto pode ser relevante, já que o Brasil ainda não mostra sinais claros de recuperação estrutural de margens.
Em outras palavras, o desempenho internacional está compensando o problema doméstico — mas isso não elimina o risco.
GGBR4 ainda vale a pena?
Para investidores focados em dividendos, GGBR4 ainda apresenta atratividade moderada, principalmente pelo histórico de distribuição consistente e forte geração de caixa no exterior.
Para quem busca valorização acelerada, o cenário se tornou mais desafiador. Após o rali expressivo, o upside parece mais limitado no curto prazo, exigindo maior seletividade.
O mercado agora precifica:
Crescimento mais moderado
Margens pressionadas no Brasil
Sustentação via América do Norte
O grande ponto de atenção para 2026 é a capacidade da operação internacional continuar compensando a fraqueza doméstica. Caso o ciclo global do aço permaneça favorável, a empresa pode manter estabilidade. Caso contrário, o risco de revisão negativa aumenta.
A fase de euforia deu lugar a um momento de análise mais criteriosa.
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