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Início » Últimas Notícias » Gerdau (GGBR4): Rali de 40% perde fôlego? Alerta acende para 2026 após mudança de recomendação
Ações

Gerdau (GGBR4): Rali de 40% perde fôlego? Alerta acende para 2026 após mudança de recomendação

Após forte valorização no segundo semestre, ações da GGBR4 enfrentam cenário de pressão no Brasil, dependência dos EUA e menor potencial de alta no curto prazo.
Carlos MenezesPor Carlos Menezes13 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Gerdau (GGBR4): Rali de 40% perde fôlego? Alerta acende para 2026 após mudança de recomendação

Depois de acumular alta próxima de 40% no segundo semestre de 2025, as ações da GGBR4 entraram em uma fase mais cautelosa. O movimento de valorização foi sustentado principalmente pela recuperação das margens na América do Norte e pela expectativa de melhora no ciclo do aço.

No entanto, a reavaliação recente do cenário para 2026 indica que o potencial de valorização no curto prazo ficou mais limitado. Mesmo com revisão positiva de preço-alvo para R$ 25,00 ao fim de 2026, o perfil de risco-retorno passou a exigir mais atenção.

O principal motivo está na assimetria operacional da companhia.

Brasil sob pressão: importações baratas comprimem margens

A operação brasileira enfrenta forte concorrência de aço importado, especialmente da Ásia, o que tem provocado sobreoferta no mercado doméstico. Esse cenário pressiona preços e margens.

Nos números mais recentes, a divisão Brasil apresentou:

  • Queda expressiva no lucro bruto

  • Compressão relevante de margens

  • Menor geração de caixa operacional

Em determinados trimestres recentes, o lucro bruto da operação brasileira registrou retração superior a 60% na comparação anual, evidenciando o impacto da guerra de preços.

Esse ambiente cria um risco estrutural: a deterioração do mercado interno pode prolongar um ciclo de baixa rentabilidade, afetando a previsibilidade de resultados.

América do Norte: o pilar que sustenta a Gerdau

Se o Brasil representa o ponto de tensão, a América do Norte se tornou o grande motor da companhia.

A operação norte-americana responde por cerca de dois terços da geração de caixa consolidada. O EBITDA da região avançou mais de 40% em determinados períodos recentes, impulsionado por:

  • Demanda resiliente por aço longo

  • Infraestrutura aquecida

  • Melhor repasse de preços

Essa performance compensou a fraqueza doméstica e manteve o resultado consolidado em patamar robusto.

O problema é a concentração de dependência. A empresa passou a se apoiar fortemente em um único pilar geográfico.

Dividendos e recompra: suporte ao acionista

Mesmo em cenário desafiador no Brasil, a geração de caixa no exterior permitiu manutenção de remuneração relevante ao acionista.

Nos últimos 12 meses, a companhia distribuiu mais de R$ 500 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio, além de manter programa de recompra de ações próximo do encerramento.

Indicadores recentes de GGBR4

IndicadorValor aproximado
Cotação atualR$ 22 – R$ 24
Preço-alvo 2026R$ 25,00
Dividend Yield (12 meses)6% a 8%
Participação América do Norte no EBITDA~65%
Alta acumulada no 2º semestre de 2025~40%

A recompra ajuda a reduzir o número de ações em circulação, elevando o lucro por ação e dando suporte às cotações no curto prazo.

Risco central para 2026: dependência excessiva

O retrato atual é de uma empresa operacionalmente sólida, mas desequilibrada. A dependência da América do Norte se tornou o principal risco estratégico.

Se houver desaceleração na economia americana, pressão de preços ou enfraquecimento do setor de infraestrutura, o impacto pode ser relevante, já que o Brasil ainda não mostra sinais claros de recuperação estrutural de margens.

Em outras palavras, o desempenho internacional está compensando o problema doméstico — mas isso não elimina o risco.

GGBR4 ainda vale a pena?

Para investidores focados em dividendos, GGBR4 ainda apresenta atratividade moderada, principalmente pelo histórico de distribuição consistente e forte geração de caixa no exterior.

Para quem busca valorização acelerada, o cenário se tornou mais desafiador. Após o rali expressivo, o upside parece mais limitado no curto prazo, exigindo maior seletividade.

O mercado agora precifica:

  • Crescimento mais moderado

  • Margens pressionadas no Brasil

  • Sustentação via América do Norte

O grande ponto de atenção para 2026 é a capacidade da operação internacional continuar compensando a fraqueza doméstica. Caso o ciclo global do aço permaneça favorável, a empresa pode manter estabilidade. Caso contrário, o risco de revisão negativa aumenta.

A fase de euforia deu lugar a um momento de análise mais criteriosa.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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