As ações da Gerdau (GGBR4) voltaram a chamar atenção do mercado após uma valorização expressiva nos últimos meses. Desde o ano passado, os papéis já acumulam alta superior a 38%, chegando a registrar movimentos pontuais de 22% a 25% em períodos mais curtos. Ainda assim, especialistas avaliam que o papel segue descontado quando comparado ao seu histórico e aos múltiplos do setor siderúrgico global.
Apesar da alta recente, a GGBR4 continua sendo negociada abaixo do valor patrimonial, com P/VP em torno de 0,82, enquanto a média histórica da companhia gira próxima de 1 vez. Em momentos de ciclo favorável do aço, a empresa já negociou acima desse patamar, o que indica potencial adicional de valorização mesmo após a recuperação recente das ações.
Modelo de negócio sólido e histórico de geração de valor
Fundada em 1911, a Gerdau é uma das maiores siderúrgicas da América Latina, com atuação global e foco na produção de aços longos e especiais, amplamente utilizados nos setores de construção civil, indústria, infraestrutura e agronegócio. Ao longo da última década, a companhia entregou um retorno acumulado superior a 1.000%, equivalente a um crescimento médio anual próximo de 27%, reforçando sua característica de empresa cíclica, porém altamente rentável no longo prazo.
Endividamento baixo reforça tese defensiva dentro do setor cíclico
Um dos principais diferenciais da Gerdau frente a outras empresas do setor é sua estrutura de capital conservadora. Atualmente, a companhia opera com dívida líquida/EBITDA em torno de 0,6, patamar considerado bastante confortável para um negócio cíclico e intensivo em capital.
Esse baixo nível de alavancagem permite que a empresa atravesse períodos de queda nos preços do aço com maior tranquilidade, preservando caixa, investimentos e a capacidade de remunerar acionistas quando o ciclo volta a ser favorável.
EBITDA e valuation indicam forte assimetria positiva
Mesmo em um cenário mais desafiador para os preços do aço, a Gerdau mantém um EBITDA anual na faixa de R$ 9 a R$ 10 bilhões. Em ciclos mais aquecidos, como já ocorreu no passado, esse número pode facilmente atingir R$ 17 a R$ 20 bilhões, praticamente dobrando o nível atual.
No mercado global, siderúrgicas costumam negociar entre 7 e 8 vezes o EBITDA. Caso a Gerdau volte a esse múltiplo com uma normalização do ciclo, o valor justo da companhia poderia ficar até 60% acima da cotação atual. Em um cenário mais otimista, com recuperação plena do preço do aço, analistas projetam potencial de valorização superior a 200% no longo prazo.
Dividendos: potencial elevado no próximo ciclo
Embora os dividendos atuais estejam mais modestos, o histórico da empresa mostra que, em períodos de preços elevados do aço, o dividend yield da Gerdau costuma variar entre 11% e 15%. Caso a companhia volte a operar em um cenário de margens mais robustas e mantenha sua disciplina financeira, o payout pode subir para 70% ou até 80% do lucro, elevando significativamente a remuneração aos acionistas.
Simulações indicam que, ao longo de três anos, a empresa poderia distribuir algo próximo de R$ 10 por ação, o que, aos preços atuais, representaria um retorno acumulado de cerca de 45% apenas em dividendos — sem considerar eventual valorização das ações.
GGBR4 ou GGBR3: qual escolher?
Entre as duas classes de ações, a preferência do mercado costuma recair sobre a GGBR4, por conta da maior liquidez, fator essencial para investidores que pretendem aportar volumes mais elevados. Já a GGBR3, apesar de oferecer um desconto ligeiramente maior, possui liquidez bem menor e tende a ser mais indicada para investidores de menor porte.
Ação segue descontada apesar da alta
Mesmo após a forte valorização recente, a GGBR4 continua sendo vista como uma oportunidade cíclica clássica, combinando valuation atrativo, baixo endividamento, histórico de geração de caixa e elevado potencial de dividendos em um cenário de recuperação do setor siderúrgico.
Para o investidor de médio e longo prazo, disposto a conviver com volatilidade, a ação da Gerdau segue oferecendo uma assimetria favorável entre risco e retorno, especialmente em um momento em que o mercado ainda não precificou totalmente a normalização do ciclo do aço.
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