A Gerdau (GGBR4) se prepara para divulgar os resultados do terceiro trimestre de 2025 no dia 30 de outubro, após o fechamento do mercado. A expectativa é de um trimestre marcado por estabilidade na receita, pressão sobre o lucro líquido e continuidade na disciplina financeira, com redução de investimentos (capex) e foco em margens mais sustentáveis.
A companhia, uma das maiores siderúrgicas das Américas, vem enfrentando um cenário de demanda interna moderada, mas sustentado pela forte performance das operações na América do Norte, que seguem como o principal motor de crescimento e geração de caixa.
Indicadores operacionais reforçam resiliência da companhia
No fechamento recente, as ações preferenciais GGBR4 registraram cotação próxima de R$ 18, acumulando valorização desde o primeiro semestre, quando chegaram a tocar R$ 13. A empresa atravessou meses de ajustes e agora mostra sinais de recuperação gradual.
O preço/lucro (P/L) permanece em torno de 11 vezes, enquanto o preço/valor patrimonial (P/VP) é de 0,6, um múltiplo que sugere desconto relevante frente ao valor justo estimado. Já o lucro por ação (LPA) acumulado se encontra em aproximadamente R$ 1,60, refletindo a desaceleração da rentabilidade frente aos picos observados entre 2021 e 2023.
Em termos patrimoniais, o valor contábil por ação está em torno de R$ 27, com ativos totais próximos de R$ 86 bilhões, R$ 33 bilhões em ativo circulante e R$ 8 bilhões em caixa, reforçando a solidez financeira. A receita líquida acumulada do período gira em torno de R$ 70 bilhões, enquanto o estoque de produtos e matérias-primas atinge aproximadamente R$ 16 bilhões.
Corte de capex deve aliviar margens e preservar caixa
O destaque da prévia está na redução do capex projetado para os próximos anos, uma medida estratégica para preservar liquidez e otimizar retornos. O novo plano prevê um investimento mais seletivo, concentrado em modernização de unidades e eficiência energética, com menor desembolso em expansão de capacidade.
Essa decisão vem após um período de pressão sobre despesas operacionais, decorrente do aumento dos custos de insumos e do enfraquecimento da demanda em alguns mercados emergentes. Com o ajuste no nível de investimento, a companhia deve recuperar parte da margem operacional e fortalecer o fluxo de caixa livre nos próximos trimestres.
Mercado norte-americano continua sendo o grande impulsionador
A América do Norte segue como o principal vetor de crescimento da Gerdau. As operações nos Estados Unidos mantêm níveis elevados de utilização de capacidade, apoiados pela demanda firme dos setores de construção civil e infraestrutura. Essa exposição internacional ajuda a compensar a lentidão do mercado doméstico e garante receitas dolarizadas, que contribuem para proteger o resultado consolidado das variações cambiais.
Enquanto isso, o mercado brasileiro segue mais contido, refletindo o ritmo moderado da atividade industrial e a demanda enfraquecida por aço. Apesar disso, a empresa continua com boa eficiência produtiva e capacidade de repasse de preços, fatores que ajudam a sustentar margens em um cenário desafiador.
Projeções e expectativas do mercado para o 3T25
A expectativa geral é que a Gerdau apresente receita líquida próxima de R$ 17 bilhões, o que representaria leve crescimento frente ao trimestre anterior. O lucro líquido, no entanto, deve mostrar recuo, pressionado por custos elevados e pelo impacto de despesas financeiras.
O Ebitda deve cair entre 10% e 15%, mas ainda permanecer em um patamar sólido, demonstrando a resiliência do modelo de negócios da companhia.
O preço-alvo estimado para as ações GGBR4 gira em torno de R$ 23, sugerindo potencial de valorização diante do múltiplo atual, especialmente se o cenário internacional continuar favorável e a empresa mantiver disciplina no controle de despesas.
Dividendos e política de capital
Apesar de ter mantido uma postura mais conservadora em 2025, sem realizar bonificações, a Gerdau deve continuar priorizando a geração de caixa e a distribuição equilibrada de proventos conforme a performance operacional. A expectativa é de manutenção do padrão histórico de pagamentos, sem grandes surpresas, enquanto a empresa reforça sua capacidade de investimento para o ciclo seguinte.
Com alavancagem controlada e fluxo de caixa estável, a empresa permanece entre as mais sólidas do setor de siderurgia, com espaço para futuras revisões positivas caso o desempenho nas operações internacionais se mantenha.
Cenário macroeconômico e o papel da Gerdau
O ambiente econômico global permanece volátil, marcado por incertezas nas tarifas comerciais entre Estados Unidos e China e pela elevação dos juros estruturais. Mesmo nesse contexto, a Gerdau tem conseguido se adaptar com rapidez, direcionando esforços para mercados mais lucrativos e ajustando a estrutura de custos.
No Brasil, a expectativa para o PIB de 2025 segue moderada, com projeções de crescimento inferior a 2%, o que limita a expansão da construção civil e da indústria pesada. Por outro lado, o fortalecimento das exportações e a posição da Gerdau como player global de aço longo continuam a oferecer amortecedores importantes contra a volatilidade doméstica.
O que observar no dia 30 de outubro
Investidores e analistas estarão atentos a quatro pontos principais no resultado do terceiro trimestre:
Receita líquida consolidada — se ficará em linha com o consenso de R$ 17 bilhões;
Margem Ebitda — tendência de queda moderada e impacto do capex reduzido;
Lucro líquido — expectativa de estabilidade no curto prazo e recuperação gradual até o fim do ano;
Projeções para 2026 — eventuais atualizações no plano de investimentos e perspectivas de dividendos.
A Gerdau entra na reta final de outubro como uma das companhias mais observadas do setor industrial brasileiro. A combinação de foco na eficiência, exposição ao mercado americano e redução de investimentos pode abrir espaço para melhora nas margens e na geração de caixa ao longo de 2026.
Ainda que o curto prazo continue desafiador, o perfil financeiro sólido e o posicionamento internacional da empresa sustentam a tese de que as ações GGBR4 permanecem atrativas para investidores que buscam resiliência e potencial de valorização no médio prazo.
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