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Início » Últimas Notícias » GARE11 capta R$ 1,3 bi, mantém dividendos, mas cotas desabam: oportunidade ou risco?
Ações

GARE11 capta R$ 1,3 bi, mantém dividendos, mas cotas desabam: oportunidade ou risco?

Fundo conclui 7ª emissão de quase R$ 1,3 bilhão, amplia portfólio para 33 imóveis, mantém vacância zerada e enfrenta pressão nas cotas
Carlos MenezesPor Carlos Menezes23 de fevereiro de 20263 minutos lidos
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O GARE11 encerrou dezembro com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, praticamente o dobro do que possuía antes da sétima emissão de cotas, que captou cerca de R$ 1,3 bilhão.

Com isso, o fundo ampliou sua estrutura, fortaleceu o caixa e passou a operar com escala relevante dentro do segmento híbrido da B3.

Hoje o portfólio conta com:

  • 33 imóveis

  • 463 mil m² de ABL

  • Atuação em 15 estados

  • Vacância física e financeira zerada

  • 446 mil cotistas

O número de investidores vem crescendo mês após mês, aproximando o fundo da marca de meio milhão de cotistas.

Cotação abaixo do valor patrimonial chama atenção

Mesmo com o crescimento estrutural, a cota está sendo negociada próxima de R$ 8,50, enquanto o valor patrimonial por cota gira em torno de R$ 9,30.

Isso coloca o fundo com um P/VP próximo de 0,90, indicando desconto de aproximadamente 9% sobre o valor contábil.

Nos últimos 12 meses:

  • Mínima: R$ 7,97

  • Máxima: R$ 9,24

  • Alta acumulada no período: cerca de 5%

No curto prazo, a pressão se explica principalmente pela grande emissão e pelo fato de parte relevante das aquisições ter sido paga em cotas, aumentando a oferta no mercado secundário.

Dividendos seguem estáveis e yield supera dois dígitos

O GARE11 manteve a distribuição de:

  • R$ 0,83 por cota mensal

  • Resultado acumulado em 12 meses próximo de R$ 1,00 por cota

  • Dividend yield anualizado ao redor de 11,5% a 11,6%

O guidance foi ajustado para faixa entre R$ 0,83 e R$ 0,90, com manutenção da banda inferior até junho de 2026.

O fundo vem distribuindo praticamente 100% do resultado recorrente, mantendo previsibilidade de renda.

Portfólio ficou mais diversificado — mas concentração ainda existe

Após a emissão, a alocação ficou assim:

  • 62% Logística

  • 30% Renda Urbana

  • 8% Escritórios

Os contratos seguem majoritariamente atípicos (95%), garantindo maior previsibilidade.

Entretanto, a concentração de receita ainda merece atenção:

  • 38% Carrefour

  • 21% Atacadão

  • 14% GPA

Ou seja, aproximadamente 75% da receita está concentrada em três grandes grupos.

Esse padrão é comum em fundos de renda urbana, mas exige monitoramento contínuo.

Caixa robusto e alavancagem negativa

O fundo encerrou o período com aproximadamente R$ 1,15 bilhão entre caixa, CRIs e posições estratégicas, o que permitiu reduzir a alavancagem para cerca de -13%.

Na prática, o GARE11 tem mais recursos disponíveis do que dívidas financeiras.

Essa estrutura oferece:

  • Segurança financeira

  • Flexibilidade para novas aquisições

  • Capacidade de aproveitar oportunidades em 2026

Assembleia aprovou mudanças importantes

Entre os pontos aprovados:

  • Capital autorizado de até R$ 100 bilhões

  • Recompra de cotas

  • Possibilidade de investir em ativos geridos pela própria gestora

A gestora afirmou que pretende limitar o uso prático do capital autorizado a R$ 20 bilhões.

A pauta de conflito de interesses continua sendo o principal ponto de atenção do mercado.

O que esperar do GARE11 em 2026?

A gestão indica foco em:

  • Manutenção da tese

  • Crescimento seletivo

  • Disciplina na estrutura de capital

  • Preservação do guidance de dividendos

No curto prazo, a cotação pode continuar pressionada devido ao volume elevado de cotas em circulação após a emissão.

No médio prazo, o mercado avaliará principalmente:

  1. Eficiência na alocação do caixa

  2. Sustentação dos dividendos

  3. Nível de novas emissões

  4. Gestão de potenciais conflitos

GARE11 está barato ou ainda exige cautela?

Com desconto sobre o valor patrimonial, dividend yield acima de 11% e vacância zero, o fundo apresenta fundamentos operacionais sólidos.

Por outro lado, o crescimento acelerado e as mudanças aprovadas no regulamento colocam o GARE11 em um momento decisivo.

A consolidação dessa nova fase será determinante para confirmar se o desconto atual representa oportunidade estrutural ou apenas um ajuste temporário de mercado.

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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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