O fundo imobiliário GARE11 publicou o relatório gerencial de agosto, trazendo um conjunto de eventos que reposiciona o veículo para um novo ciclo: venda de 10 imóveis com lucro estimado de R$ 156 milhões, redução substancial da alavancagem (com meta de alavancagem líquida próxima de zero), captação de R$ 81 milhões na 7ª emissão de cotas e aquisição de dois ativos locados para a Desco Atacado com cap rate de 10,20%. A gestão também reportou impacto positivo no valor patrimonial (VP) entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões após a liquidação da venda, equivalente a R$ 0,42–R$ 0,50 por cota, além de reavaliação de parte do portfólio do Atacadão, adicionando cerca de R$ 7 milhões ao VP.
No secundário, conforme dados citados no esboço, GARE11 negocia próximo de R$ 9,20, com P/VP de 0,98 (deságio aproximado de 2% sobre o “preço justo” de R$ 9,24), DY de 12 meses em 11,42%, liquidez média diária acima de R$ 7 milhões e base de cotistas se aproximando de 400 mil. O último rendimento foi de R$ 0,08 por cota, com vacância física e financeira zerada e patrimônio em torno de R$ 1,44 bilhão.
1) Venda de 10 imóveis: lucro, caixa previsível e queda da dívida
Escopo da operação: 10 ativos (4 lojas do Grupo Pão de Açúcar e 6 do Grupo Mateus).
Comprador: fundo novo gerido pela XP7.
Estrutura financeira: pagamento parcelado entre 24 e 60 meses, modelo que suaviza o caixa, normaliza a distribuição e reduz a volatilidade das cotas.
Lucro estimado: R$ 156 milhões para o GARE11.
Efeito na alavancagem: redução aproximada de R$ 357 milhões do endividamento, levando a alavancagem líquida para patamar próximo de zero.
Co-investimento estratégico: o fundo adquiriu cotas subordinadas do veículo comprador, participando de renda futura e eventuais ganhos com desinvestimentos dos ativos.
Leitura estratégica:
A venda monetiza ativos maduros com prêmio, realoca risco e reforça o colchão de liquidez. O recebimento parcelado protege a consistência dos dividendos, enquanto a desalavancagem eleva a resiliência e amplia a flexibilidade para novas compras, reciclagem de portfólio ou recompras/gestão ativa se a gestão assim decidir.
2) Impacto patrimonial: acréscimo por cota e efeito no P/VP
Aumento estimado do VP: R$ 60–80 milhões (+R$ 0,42 a R$ 0,50 por cota).
Cenários de VP por cota (referência “preço justo” R$ 9,24):
+R$ 0,42 → R$ 9,66
+R$ 0,50 → R$ 9,74
Com a cota negociando por volta de R$ 9,20, a convergência P/VP tende a favorecer valorização no secundário se o mercado antecipar a finalização da transação e internalizar o novo VP.
3) 7ª emissão de cotas: captação de R$ 81 milhões e execução faseada
Meta da oferta: R$ 400 milhões.
Montante alcançado (preferência, sobras e adicional): ~R$ 81 milhões (liquidações em 15/08 e 29/08).
Novas liquidações a investidores profissionais: a partir de 04/09, conforme cronograma da gestão.
Interpretação: ainda que aquém da meta, os R$ 81 milhões já suportam aquisições táticas e preservam a disciplina financeira. Com desalavancagem iminente, a próxima janela de mercado pode se mostrar mais favorável para captações futuras, caso a tese se consolide.
4) Novas aquisições: Desco Atacado com cap rate de 10,2%
Ativo/inquilino: Desco Atacado (grupo IMEC; rede tradicional no RS, fundada em 1955).
Ticket: R$ 32,3 milhões.
Área Bruta Locável adicionada: ~12 mil m².
Cap rate de entrada: 10,20% (acima da média recente de mercado reportada pela gestão).
Estrutura de pagamento: sem alavancagem adicional, combinando cotas da 7ª emissão e recursos próprios.
Racional: aquisição defensiva com yield atrativo, inadimplência historicamente baixa do segmento e contratos atípicos, o que ancora previsibilidade de caixa.
5) Operação e portfólio: contratos atípicos, vacância zero e diversificação
Imóveis: 41 (com a venda, projeção de 31).
Tipologias: logística e renda urbana.
Contratos: 100% atípicos, duração média ~12 anos e multa integral em caso de saída antecipada.
Geografia: 14 estados (exposição Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte).
Inquilinos: 7 grupos de grande porte, boa qualidade de crédito.
Vacância: 0% física e financeira.
Este perfil sustenta a previsibilidade de receitas e reduz o risco de oscilações abruptas em períodos de maior estresse de mercado.
6) Reavaliação e resultado financeiro de agosto
Reavaliação Atacadão/Carrefour: +R$ 7 milhões no VP.
Receita de agosto: ~R$ 14,5 milhões.
Despesas: ~R$ 2,3 milhões.
Resultado líquido: ~R$ 12,239 milhões — integralmente distribuído em dividendos.
DY 12 meses: 11,42%.
Liquidez média diária: >R$ 7 milhões.
7) Reajuste relevante de aluguel em setembro
Imóvel-chave: centro logístico em Cachoeirinha (RS).
Peso na receita: ~20% do GARE11.
Contrato: atípico, vencimento 09/2027.
Gatilho: reajuste anual em setembro, com efeito positivo projetado na receita mensal subsequente.
O reajuste desse ativo ancora o guidance operacional de curto prazo e mitiga eventuais impactos de transição durante a reciclagem de portfólio.
8) Alavancagem: de preocupação a alicerce de valor
Nível atual (referência do relatório): ~23%.
Pós-venda: próximo de zero.
A queda estrutural do endividamento eleva a segurança do veículo, amplia a base potencial de investidores (principalmente os que evitam FIIs alavancados) e abre espaço para novas captações e aquisições sem pressionar o risco.
9) Tese de curto e médio prazo: três vetores para o case
Convergência P/VP: materialização do VP/cota maior pode reduzir o deságio e suportar valorização no secundário.
Renda estável e vacância zero: contratos atípicos e reajustes contratuais sustentam previsibilidade de dividendos.
Dry powder e disciplina: desalavancagem + cap rate de entrada saudável em novas compras dão opcionalidade para reciclar ativos e elevar o NOI no tempo.
Riscos a monitorar: cronograma de liquidação da venda (24–60 meses), execução na reposição dos 10 imóveis vendidos, concentração relativa em locatários âncora e dinâmica macro (inflação, juros, varejo alimentar e logística).
O relatório de agosto do GARE11 indica virada de ciclo: desalavancagem acelerada, aumento do valor patrimonial, aquisições com cap rate robusto e perfil operacional defensivo (vacância zero, contratos longos e atípicos). A combinação de P/VP abaixo de 1, DY de dois dígitos e perspectiva de VP/cota maior sustenta a tese de valorização gradual das cotas, preservando a qualidade de crédito dos inquilinos e a previsibilidade dos proventos.
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