A Ferbasa (FESA4) encerrou o terceiro trimestre de 2025 em um cenário desafiador, com forte queda nas receitas e lucros. A receita líquida recuou cerca de 10% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado despencou aproximadamente 60%. O lucro líquido caiu mais de 50%, refletindo o impacto da concorrência internacional e das barreiras às exportações.
A margem EBITDA, que já chegou a superar 40% em trimestres anteriores, ficou em torno de 9%, o que evidencia a perda de rentabilidade e o peso da pressão de custos e da queda nas ligas de ferroligas no mercado internacional.
Aço chinês e restrições comerciais dos EUA afetam a Ferbasa
O principal desafio para a FESA4 tem sido a invasão do aço chinês no mercado brasileiro, que vem reduzindo a competitividade das empresas nacionais. Ao mesmo tempo, as novas tarifas de importação dos Estados Unidos limitaram a exportação de ferroligas — um golpe direto para a Ferbasa, que obtém mais de 50% de sua receita fora do país.
Com menor demanda externa e excesso de oferta interna, o volume de vendas caiu 6% no trimestre. A produção de ferroligas de cromo subiu 8,6%, mas as vendas caíram quase 50%. Já as ligas de silício recuaram 19%. Mesmo mantendo a produção anual na faixa de 70 a 75 mil toneladas, a companhia sofreu com margens comprimidas e preços internacionais mais baixos.
Dividendos elevados sustentam otimismo na FESA4
Apesar da queda nos lucros, a Ferbasa mantém caixa positivo e dívida líquida negativa, o que permite continuidade na distribuição de proventos. O fluxo de caixa livre acumulado em 2025 está em torno de R$ 260 milhões, com payout de 77%.
A companhia aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) em duas parcelas, que juntas somam R$ 0,64 por ação. Considerando a cotação próxima de R$ 7,50, o retorno em dividend yield supera 15%, um dos maiores do setor industrial brasileiro.
No acumulado do ano, as ações FESA4 caem cerca de 4%, mas registraram recuperação recente, acompanhando o otimismo da Bolsa brasileira diante da expectativa de queda na Selic e nos juros dos EUA, o que atrai capital estrangeiro para ativos locais.
Avaliação e perspectivas
Mesmo com a valorização recente, os indicadores da FESA4 ainda exigem cautela. O lucro por ação caiu para R$ 0,60, e o ROE recuou para 6,3% — níveis baixos para o risco do setor. O múltiplo EV/EBITDA subiu para cerca de 8,2x, mostrando que a empresa está mais cara em relação à sua geração de caixa.
Ainda assim, a Ferbasa preserva fundamentos sólidos:
Dívida líquida negativa e ampla liquidez;
Gestão conservadora e eficiente;
Histórico consistente de dividendos;
Produto premium e liderança em ferroligas no Brasil.
Pelo histórico de dividendos dos últimos anos, o preço-teto estimado para garantir um retorno médio entre 6% e 7% estaria entre R$ 8,50 e R$ 9,00. Contudo, a recomendação de prudência permanece válida, já que o setor é cíclico e vulnerável ao câmbio, às tarifas internacionais e ao ritmo da indústria global.
A FESA4 vive uma fase de lucros menores e margens pressionadas, mas o forte caixa e os dividendos expressivos mantêm o papel atrativo para investidores focados em renda passiva e longo prazo.
Com o setor ainda em momento delicado, a recuperação depende de melhora na demanda global e de um alívio nas importações de aço chinês. Até lá, a Ferbasa segue como uma ação de alto dividend yield e baixo crescimento, indicada apenas para quem tem paciência e tolerância à volatilidade.
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