A ação da Ferbasa (FESA4) voltou ao radar dos investidores após cair para a faixa dos R$ 7, reacendendo a dúvida que movimenta o mercado: a empresa ainda tem força para voltar aos R$ 10, R$ 12 ou até R$ 15 — como já atingiu no passado — ou esse novo patamar mais baixo é o normal daqui para frente?
A verdade é que a companhia atravessa um ciclo desafiador, mas continua exibindo pilares que sustentam a tese de valorização moderada. Resultado: cresce a percepção de que a ação pode estar barata demais para a realidade atual.
Receita cresce, mas custos explodem e comprimem margens
No acumulado do ano, a Ferbasa ampliou sua receita, porém enfrentou dois pontos que comprometeram a lucratividade:
• Custo dos produtos vendidos subindo ao redor de 15%
Com custo maior e preço de venda menor, as margens naturalmente encolheram.
• EBITDA caiu mais de 50% no acumulado
A queda expressiva reflete a combinação de:
commodity mais barata,
custos operacionais maiores,
tarifas externas mais elevadas,
e efeito cambial desfavorável.
A lucratividade caiu, o mercado precificou o risco e FESA4 acompanhou o movimento.
Commodity em baixa e efeito cambial pesam na operação
A empresa enfrenta:
Queda de cerca de 12% no preço das ferroligas em dólar
Pressão do câmbio, reduzindo o lucro em torno de 10%
É a típica fase negativa de uma empresa com forte relação com o movimento das commodities e do dólar.
Mas a operação mostrou força: produção aumentou
Mesmo com preços mais baixos, a Ferbasa conseguiu:
Aumentar o volume vendido em ~9%
Isso comprova ganho operacional e eficiência produtiva, impulsionados pelos investimentos dos últimos anos em:
modernização,
tecnologia industrial,
expansão da capacidade de produção.
Ou seja: quando o preço da commodity voltar a subir, o maior volume tende a acelerar o resultado.
Investimentos seguem firmes, reforçando visão de longo prazo
A Ferbasa investiu mais de R$ 180 milhões recentemente em:
máquinas e equipamentos,
ativos biológicos para seu ciclo de eucalipto,
obras estruturais relacionadas à produção,
aumento de capacidade industrial.
Mesmo com o ciclo desfavorável, a empresa continua preparando o terreno para um ambiente melhor — típico de companhias resilientes e com gestão sólida.
Tarifas americanas de 50% pressionam ainda mais a margem
O aumento das tarifas de importação dos EUA, saindo de 25% para 50%, reduziu a competitividade da Ferbasa e encareceu o envio das ferroligas para o exterior.
Essa mudança foi um dos grandes gatilhos da recente deterioração nos lucros.
EBITDA derreteu — e o preço da ação acompanhou
O EBITDA já chegou perto de R$ 450 milhões em ciclos positivos, mas hoje opera próximo dos R$ 50 milhões, refletindo:
margens muito menores,
ambiente global mais hostil,
custos pressionados,
queda na rentabilidade operacional.
Essa virada explica por que a ação, que tocou R$ 15 recentemente, mergulhou para perto de R$ 7.
O grande diferencial que sustenta a tese: caixa líquido gigante
Mesmo com margens menores, a Ferbasa mantém uma das estruturas financeiras mais sólidas da Bolsa:
Quase R$ 1 bilhão em caixa, equivalentes e aplicações
Dívida total ao redor de R$ 170 milhões
Caixa líquido acima de R$ 800 milhões
Esse “colchão financeiro” permite:
programas contínuos de recompra de ações,
dividendos acima do mínimo legal,
investimentos mesmo em ciclos ruins,
proteção contra um cenário macro desfavorável.
Historicamente, a empresa tem mostrado disposição em distribuir payouts acima de 25%, especialmente em momentos de caixa mais folgado.
Afinal: FESA4 pode voltar aos R$ 10?
A análise atual indica:
• Acima de R$ 10 a ação não se sustenta com os lucros atuais
Os resultados mais fracos não justificam múltiplos elevados como nos ciclos passados.
• Abaixo de R$ 6 também não faz sentido
Nesse nível, a ação ficaria descontada demais diante do caixa, operação e perspectiva futura.
• O ponto de equilíbrio hoje é uma faixa considerada “justa”: entre R$ 7 e R$ 10
É o intervalo onde:
o risco está precificado,
a empresa não está cara,
e ainda existe potencial moderado de valorização — principalmente se as commodities reagirem.
Ou seja:
FESA4 não está no seu melhor momento, mas também não está condenada. Na faixa atual, há oportunidade — e não apenas risco.
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