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Início » Últimas Notícias » FESA4 está barata? Veja por que a ação pode reagir até R$ 10 nos próximos ciclos
Ações

FESA4 está barata? Veja por que a ação pode reagir até R$ 10 nos próximos ciclos

Lucro menor, custos elevados e ciclo fraco da commodity puxaram FESA4 para baixo, mas caixa robusto e produção maior reacendem o debate sobre valorização
André CarvalhoPor André Carvalho2 de dezembro de 20254 minutos lidos
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FESA4
FESA4

A ação da Ferbasa (FESA4) voltou ao radar dos investidores após cair para a faixa dos R$ 7, reacendendo a dúvida que movimenta o mercado: a empresa ainda tem força para voltar aos R$ 10, R$ 12 ou até R$ 15 — como já atingiu no passado — ou esse novo patamar mais baixo é o normal daqui para frente?

A verdade é que a companhia atravessa um ciclo desafiador, mas continua exibindo pilares que sustentam a tese de valorização moderada. Resultado: cresce a percepção de que a ação pode estar barata demais para a realidade atual.

Receita cresce, mas custos explodem e comprimem margens

No acumulado do ano, a Ferbasa ampliou sua receita, porém enfrentou dois pontos que comprometeram a lucratividade:

• Custo dos produtos vendidos subindo ao redor de 15%

Com custo maior e preço de venda menor, as margens naturalmente encolheram.

• EBITDA caiu mais de 50% no acumulado

A queda expressiva reflete a combinação de:

  • commodity mais barata,

  • custos operacionais maiores,

  • tarifas externas mais elevadas,

  • e efeito cambial desfavorável.

A lucratividade caiu, o mercado precificou o risco e FESA4 acompanhou o movimento.

Commodity em baixa e efeito cambial pesam na operação

A empresa enfrenta:

  • Queda de cerca de 12% no preço das ferroligas em dólar

  • Pressão do câmbio, reduzindo o lucro em torno de 10%

É a típica fase negativa de uma empresa com forte relação com o movimento das commodities e do dólar.

Mas a operação mostrou força: produção aumentou

Mesmo com preços mais baixos, a Ferbasa conseguiu:

Aumentar o volume vendido em ~9%

Isso comprova ganho operacional e eficiência produtiva, impulsionados pelos investimentos dos últimos anos em:

  • modernização,

  • tecnologia industrial,

  • expansão da capacidade de produção.

Ou seja: quando o preço da commodity voltar a subir, o maior volume tende a acelerar o resultado.

Investimentos seguem firmes, reforçando visão de longo prazo

A Ferbasa investiu mais de R$ 180 milhões recentemente em:

  • máquinas e equipamentos,

  • ativos biológicos para seu ciclo de eucalipto,

  • obras estruturais relacionadas à produção,

  • aumento de capacidade industrial.

Mesmo com o ciclo desfavorável, a empresa continua preparando o terreno para um ambiente melhor — típico de companhias resilientes e com gestão sólida.

Tarifas americanas de 50% pressionam ainda mais a margem

O aumento das tarifas de importação dos EUA, saindo de 25% para 50%, reduziu a competitividade da Ferbasa e encareceu o envio das ferroligas para o exterior.

Essa mudança foi um dos grandes gatilhos da recente deterioração nos lucros.

EBITDA derreteu — e o preço da ação acompanhou

O EBITDA já chegou perto de R$ 450 milhões em ciclos positivos, mas hoje opera próximo dos R$ 50 milhões, refletindo:

  • margens muito menores,

  • ambiente global mais hostil,

  • custos pressionados,

  • queda na rentabilidade operacional.

Essa virada explica por que a ação, que tocou R$ 15 recentemente, mergulhou para perto de R$ 7.

O grande diferencial que sustenta a tese: caixa líquido gigante

Mesmo com margens menores, a Ferbasa mantém uma das estruturas financeiras mais sólidas da Bolsa:

  • Quase R$ 1 bilhão em caixa, equivalentes e aplicações

  • Dívida total ao redor de R$ 170 milhões

  • Caixa líquido acima de R$ 800 milhões

Esse “colchão financeiro” permite:

  • programas contínuos de recompra de ações,

  • dividendos acima do mínimo legal,

  • investimentos mesmo em ciclos ruins,

  • proteção contra um cenário macro desfavorável.

Historicamente, a empresa tem mostrado disposição em distribuir payouts acima de 25%, especialmente em momentos de caixa mais folgado.

Afinal: FESA4 pode voltar aos R$ 10?

A análise atual indica:

• Acima de R$ 10 a ação não se sustenta com os lucros atuais

Os resultados mais fracos não justificam múltiplos elevados como nos ciclos passados.

• Abaixo de R$ 6 também não faz sentido

Nesse nível, a ação ficaria descontada demais diante do caixa, operação e perspectiva futura.

• O ponto de equilíbrio hoje é uma faixa considerada “justa”: entre R$ 7 e R$ 10

É o intervalo onde:

  • o risco está precificado,

  • a empresa não está cara,

  • e ainda existe potencial moderado de valorização — principalmente se as commodities reagirem.

Ou seja:
FESA4 não está no seu melhor momento, mas também não está condenada. Na faixa atual, há oportunidade — e não apenas risco.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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