A Equatorial (EQTL3) atravessa uma nova fase de expansão. Depois de construir boa parte de sua trajetória sobre distribuidoras de energia elétrica, o grupo ampliou a exposição ao saneamento com participações relevantes na Sabesp (SBSP3) e na Copasa (CSMG3), ao mesmo tempo em que mantém um volume elevado de investimentos nos negócios de distribuição.
A estratégia ganhou destaque no Equatorial Day 2026, realizado em agosto, e ocorre após uma correção relevante das ações em relação às máximas recentes. No material que serviu de base para esta reportagem, a queda desde o pico é apontada em cerca de 20%, enquanto a companhia continua indicando espaço para expansão de sua base de ativos e resultados.
No último fechamento disponível antes desta publicação, em 28 de agosto, EQTL3 terminou a sessão a R$ 36,75. O BTG Pactual mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 56, segundo a própria página de cobertura de analistas da Equatorial. Nesse nível, o preço-alvo representa potencial teórico de valorização de aproximadamente 52%, sem considerar dividendos.
A projeção é do BTG, e não constitui garantia de retorno. Preço-alvo depende de premissas que podem mudar conforme juros, regulação, execução dos investimentos e condições de mercado.
Distribuição ainda é o coração da Equatorial
Apesar do avanço no saneamento, a distribuição de energia permanece como principal negócio do grupo. O material apresentado sobre a companhia aponta que aproximadamente 74% do resultado está ligado a esse segmento, onde a Equatorial opera concessões em estados como Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Goiás e Rio Grande do Sul.
A lógica econômica desse negócio passa diretamente pelos investimentos feitos nas concessões.
Nas revisões tarifárias periódicas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) redefine componentes associados aos custos eficientes e à remuneração dos investimentos considerados prudentes. A própria Equatorial explica que a chamada Base de Remuneração Regulatória representa os investimentos realizados pela distribuidora que poderão ser remunerados por meio das tarifas, após avaliação regulatória.
Esse mecanismo ajuda a explicar por que a capacidade de investir com eficiência é tão importante para companhias de distribuição.
Segundo o material-base, a Equatorial informou ter investido aproximadamente R$ 8 bilhões em ativos elétricos nos 12 meses considerados pela apresentação, volume equivalente a cerca de 3,4 vezes a depreciação. A companhia também teria aproximadamente R$ 20 bilhões de investimentos a serem considerados em processos futuros de revisão tarifária, segundo os números apresentados no conteúdo analisado.
O reconhecimento, contudo, não ocorre automaticamente: os investimentos precisam passar pelos processos regulatórios e pelos critérios estabelecidos pela Aneel.
Sabesp colocou Equatorial em outro patamar no saneamento
A grande mudança na diversificação do grupo começou a ganhar dimensão nacional com a Sabesp.
Em 2024, a Equatorial adquiriu 15% do capital da companhia paulista, tornando-se acionista de referência após o processo de desestatização.
A informação continua válida em 2026. A composição acionária da Sabesp, atualizada em 31 de julho de 2026, mostra a Equatorial com 528,68 milhões de ações, equivalentes a 15% do capital, enquanto o Estado de São Paulo permanece com 18%.
A entrada ofereceu à Equatorial exposição à maior companhia brasileira de saneamento sem a necessidade de assumir integralmente sua operação.
Mas o grupo não parou em São Paulo.
Compra de 30% da Copasa reforça nova avenida de crescimento
Em junho de 2026, a Equatorial deu outro passo importante ao assegurar 30% da Copasa, por meio da subsidiária Gerais Saneamento.
Foram destinados à Equatorial 114,075 milhões de papéis, correspondentes a 30% do capital total da empresa mineira. A participação foi adquirida por aproximadamente R$ 5,59 bilhões, dentro do processo de privatização da Copasa.
Em agosto, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição dos 30% pela empresa do Grupo Equatorial.
Com isso, o grupo passou a possuir participações de referência em duas das principais companhias de saneamento do país:
| Empresa | Participação da Equatorial |
|---|---|
| Sabesp | 15% |
| Copasa | 30% |
O movimento confirma uma mudança relevante na composição futura do portfólio da Equatorial.
O próprio material da companhia sobre a operação da Copasa descreveu o saneamento como uma avenida de crescimento, destacando a proximidade entre o modelo regulatório desse setor e aquele já conhecido pelo grupo na distribuição de eletricidade.
Saneamento exige bilhões em novos investimentos
O potencial de crescimento existe justamente porque ainda há uma distância significativa entre a infraestrutura atual e as metas de universalização previstas no marco legal do saneamento.
O conteúdo usado como referência para esta matéria destaca que as concessionárias precisam avançar em direção a 99% de cobertura de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033, o que exige investimentos elevados em diferentes regiões do país.
Para a Equatorial, essa necessidade abre duas frentes.
A primeira é capturar crescimento dentro de Sabesp e Copasa à medida que essas empresas executam seus próprios programas de expansão.
A segunda está em eventuais novas concessões ou privatizações de saneamento.
O material apresentado aos investidores cita oportunidades envolvendo diferentes estados e regiões e argumenta que a capacidade financeira das empresas será determinante para participar das próximas disputas.
Não existe, porém, garantia de que a Equatorial conquistará novas concessões. Leilões dependem de editais, competição, condições financeiras e decisões de alocação de capital.
Histórico de aquisições explica parte da tese de EQTL3
A expansão por aquisições não é uma estratégia nova para a companhia.
Ao longo de sua história, a Equatorial adquiriu distribuidoras com problemas operacionais e financeiros e buscou elevar eficiência, margens e qualidade do serviço.
O material analisado mostra ainda uma melhoria do retorno sobre o capital investido, indicador importante para empresas que precisam aplicar continuamente grandes volumes de recursos em infraestrutura.
É justamente essa capacidade de alocar capital que sustenta boa parte da avaliação positiva apresentada por analistas.
O histórico das ações também chama atenção. O conteúdo utilizado como fonte cita retorno total de aproximadamente 3.600% desde o IPO, comparado a 166% do Ibovespa no mesmo intervalo. Esses números fazem parte do material analisado e representam desempenho passado, que não deve ser interpretado como indicação de rentabilidade futura.
A trajetória também esteve longe de ser linear: o papel já atravessou quedas expressivas durante crises e correções de mercado.
EQTL3 tem recomendação de compra, mas cenário não é consenso absoluto
Entre as casas acompanhadas pela própria Equatorial, a avaliação para EQTL3 permanece predominantemente positiva.
A página de Relações com Investidores mostra, entre outras avaliações:
| Instituição | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|
| XP | Compra | R$ 61,70 |
| Itaú BBA | Outperform | R$ 59,30 |
| BTG Pactual | Compra | R$ 56,00 |
| Bradesco BBI | Outperform | R$ 54,00 |
| JPMorgan | Overweight | R$ 51,00 |
| Citi | Compra | R$ 50,00 |
| Goldman Sachs | Compra | R$ 46,00 |
A média dos preços-alvo informados na página é de R$ 51,66, com intervalo entre R$ 46 e R$ 61,70.
Esses preços representam avaliações de terceiros e estão sujeitos a revisões.
Tomando apenas o preço-alvo de R$ 56 divulgado para o BTG e o fechamento de EQTL3 em R$ 36,75 em 28 de agosto, haveria uma diferença de aproximadamente 52%.
Isso não significa que a ação necessariamente chegará a esse valor.
Alavancagem vira ponto de atenção após expansão
O outro lado da estratégia agressiva de crescimento está no balanço.
Empresas de infraestrutura normalmente utilizam dívida para financiar aquisições e investimentos, e a Equatorial não foge dessa característica.
O material-base aponta alavancagem próxima de 3,1 vezes, depois das recentes operações, e menciona expectativa de redução gradual após o período mais intenso de aquisições.
Esse é um dos indicadores que precisam ser acompanhados pelos investidores.
Se o grupo continuar realizando operações relevantes antes de reduzir a dívida, o nível de alavancagem poderá continuar pressionado. Da mesma forma, juros elevados aumentam o custo de financiamento e podem afetar avaliações de empresas intensivas em capital.
A avaliação de risco também merece atenção: a Equatorial informa atualmente rating brAAA, com perspectiva estável, pela S&P, enquanto a Fitch atribui AA+ com perspectiva negativa ao grupo.
Equatorial não é uma ação focada em dividendos
Quem procura EQTL3 principalmente pela renda distribuída aos acionistas precisa observar uma característica importante da tese.
A Equatorial direciona uma parcela relevante de seus recursos para investimentos, aquisições e expansão.
Por isso, sua lógica de investimento é diferente de empresas maduras do setor elétrico conhecidas por distribuir grande parte do lucro aos acionistas.
O Estatuto Social da Equatorial estabelece atualmente dividendo obrigatório mínimo de 25% do lucro líquido ajustado.
A companhia chegou a propor uma redução desse percentual. Entretanto, conforme o material analisado, a mudança não obteve os votos necessários em assembleia, mantendo-se o patamar de 25%.
O histórico recente e a estratégia de expansão indicam, portanto, que o principal argumento de EQTL3 continua mais ligado ao crescimento e à valorização dos ativos do que à geração imediata de renda por dividendos.
O que acompanhar em EQTL3 daqui para frente
Para o investidor, quatro variáveis devem ganhar peso nos próximos balanços da Equatorial.
A primeira será a capacidade de transformar os bilhões investidos nas distribuidoras em uma base regulatória maior e, consequentemente, expansão sustentável de resultados.
A segunda será a evolução de Sabesp e Copasa, hoje ativos estratégicos dentro da entrada do grupo no saneamento.
A terceira será a trajetória da dívida depois das aquisições recentes.
E a quarta será a disciplina de capital diante de novos leilões. Crescer pode criar valor, mas somente quando os retornos dos projetos compensam adequadamente o custo do capital empregado.
A recente queda das ações tornou as avaliações mais atraentes na visão de casas como o BTG. Ao mesmo tempo, a tese exige horizonte mais longo e tolerância a períodos de volatilidade e dividendos relativamente modestos.
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