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Início » Últimas Notícias » ENEVA (ENEV3) despenca quase 20% após leilão frustrar mercado, mas segue entre as ações mais negociadas da Bolsa
Ações

ENEVA (ENEV3) despenca quase 20% após leilão frustrar mercado, mas segue entre as ações mais negociadas da Bolsa

Leilão de térmicas com preço abaixo do esperado derruba ENEV3, enquanto Copel e Auren renovam máximas e Ibovespa encosta no topo histórico.
Suzana MelloPor Suzana Mello11 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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O mercado brasileiro operou travado na região dos 186 mil pontos, enquanto os investidores acompanharam a temporada de balanços e os desdobramentos do leilão de energia térmica. No centro das atenções esteve a Eneva (ENEV3), que chegou a cair quase 20% no intraday, antes de reduzir parte das perdas no fechamento.

Mesmo com a forte correção, ENEV3 figurou entre os maiores volumes financeiros do pregão, superando nomes como Vale e BB Seguridade em movimentação no dia.

O que provocou a queda de ENEV3?

O estopim foi o edital aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica para recontratação de usinas térmicas.

O Ministério de Minas e Energia propôs os seguintes preços-teto:

  • R$ 1,1 milhão/MW/ano para térmicas existentes

  • R$ 1,6 milhão/MW/ano para novos projetos a gás

  • R$ 1,4 milhão/MW/ano para hidrelétricas

Analistas esperavam valores significativamente maiores para viabilizar retorno mínimo estimado em dois dígitos para novos investimentos térmicos. O preço ficou abaixo do que o mercado considerava necessário para garantir taxa interna de retorno atrativa.

Como resultado, a percepção de rentabilidade futura da Eneva foi revisada para baixo.

ENEV3: números atuais da companhia

A Eneva é hoje a maior geradora privada de energia térmica do Brasil, com forte integração vertical entre produção de gás natural e geração elétrica.

Evolução estrutural da companhia

Indicador2017Atual
Valor de mercado~R$ 4 bi~R$ 39 bi
Capacidade instalada2,2 GW7,2 GW
Reservas de gás (bcf)1845
EBITDA anual~R$ 1,4 bi~R$ 6,4 bi

A empresa atua em:

  • Extração e processamento de gás natural

  • Geração térmica a gás e carvão

  • Expansão em energia solar

  • Diversificação geográfica de ativos

Indicadores financeiros de ENEV3

IndicadorValor Atual
Valor de mercado~R$ 39 bilhões
P/VP2,0
Margem EBITDA32%
Margem líquida~3%
Dívida líquida / EBITDA~3x
Dívida / Patrimônio~91%
ROE~2,5%
Crescimento composto da receita~39%

Apesar do forte crescimento histórico, a empresa apresenta:

  • Alta alavancagem

  • Margem líquida comprimida

  • Baixa rentabilidade sobre patrimônio

Outro ponto relevante: a companhia não paga dividendos desde 2009.

Movimento técnico: suporte segurou a queda

No gráfico, ENEV3 perdeu com força a região dos R$ 20, rompendo suportes importantes. A queda levou o papel até a faixa de R$ 17,00–R$ 17,50, próxima à média móvel de 200 períodos, onde houve reação compradora.

Para fechar o gap deixado na abertura, a ação precisaria recuperar cerca de 12%.

Nos últimos 12 meses, o papel já chegou a negociar acima de R$ 22, mantendo ainda valorização relevante no período, mesmo após a correção recente.

Enquanto ENEV3 caía, quem subiu?

A dinâmica do leilão favoreceu empresas com projetos hidrelétricos.

  • Copel renovou máxima histórica

  • Auren Energia também avançou

O mercado passou a enxergar maior competitividade para ativos hídricos, que possuem custo estrutural mais baixo em relação às térmicas.

Estrutura acionária reforça peso institucional

Entre os principais acionistas da Eneva estão:

  • BTG Pactual (~25%)

  • Goldman Sachs (>5%)

  • Dynamo (~9,5%)

  • Outros fundos institucionais relevantes

O free float gira em torno de 30%.

Ibovespa perto do topo histórico

Enquanto ENEV3 enfrentava turbulência, o Ibovespa operava próximo de renovar máxima histórica na região de 187 mil pontos.

O dia foi marcado por equilíbrio entre altas e quedas, com destaque negativo para:

  • Azul (queda expressiva)

  • Eneva

E entre as maiores altas:

  • Banco de Brasília

  • Braskem

  • BB Seguridade

O que esperar agora para ENEV3?

A Eneva segue como empresa estratégica no setor energético brasileiro, com posição dominante em gás natural onshore e geração térmica.

Porém, o leilão trouxe questionamentos relevantes:

  • A expansão térmica continuará viável nesses preços?

  • Haverá revisão dos parâmetros?

  • A empresa buscará acelerar diversificação em solar e outros segmentos?

No curto prazo, o mercado tende a acompanhar:

  • Desdobramentos políticos do leilão

  • Revisões de preço-alvo

  • Movimentos técnicos para fechamento do gap

Apesar do tom negativo do dia, a tendência estrutural de longo prazo ainda depende da capacidade da companhia de preservar rentabilidade e reduzir alavancagem.

A volatilidade voltou para ENEV3. E, em Bolsa, quando o volume dispara, o mercado costuma estar precificando algo maior do que apenas um pregão.

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Suzana Mello

    Suzana Mello integra a equipe de conteúdo da A Revista. Acompanha economia, finanças pessoais, quanto rende e temas que afetam o orçamento do leitor. Produz textos em linguagem acessível, identifica fontes e períodos de referência e diferencia dados confirmados de estimativas.

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