O dólar voltou a ser negociado abaixo de R$ 5,20, atingindo a faixa de R$ 5,19, um patamar que não era visto há anos no mercado brasileiro. O movimento chamou atenção não apenas pela intensidade da queda, mas pelo contexto global que explica a desvalorização da moeda norte-americana frente ao real e a outras divisas.
Diferentemente de episódios anteriores, o recuo não está ligado a uma intervenção pontual no mercado de câmbio local, mas sim a uma combinação de fatores externos e fluxo expressivo de capital estrangeiro para países emergentes, especialmente o Brasil.
Dólar enfraquece no mundo com aval da política americana
No cenário internacional, o dólar vem perdendo força de forma consistente. Em janeiro, o índice DXY — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis grandes moedas globais — já acumula queda superior a 2%.
Esse movimento ganhou tração após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a desvalorização do dólar, neste momento, é positiva para o país. Segundo essa visão, um dólar mais fraco ajuda a reduzir o déficit comercial, favorece a reindustrialização americana e alivia pressões relacionadas ao elevado nível da dívida dos EUA.
Na prática, o mercado entendeu que não haverá uma defesa ativa da moeda, como ocorre em outros países quando o câmbio se desvaloriza de forma acentuada. Esse sinal abriu espaço para uma correção global do dólar.
Investidores reduzem exposição aos EUA e correm para emergentes
Outro fator decisivo é a mudança de estratégia dos grandes investidores internacionais. Com o aumento das incertezas sobre a economia americana e uma relação risco-retorno menos atraente, parte relevante do capital global passou a buscar mercados emergentes, onde o diferencial de juros segue elevado.
O Brasil aparece como um dos principais destinos desse movimento. A combinação de juros altos, câmbio ainda depreciado e ativos considerados baratos impulsionou uma entrada maciça de recursos estrangeiros.
Ibovespa dispara e já supera todo o fluxo de 2025
O reflexo direto desse fluxo é visto na Bolsa de Valores. O Ibovespa vem renovando recordes sucessivos e chegou recentemente à marca de 182 mil pontos, um nível histórico.
Somente no mês de janeiro, a entrada líquida de capital estrangeiro na Bolsa brasileira já supera R$ 18 bilhões. Para efeito de comparação, ao longo de todo o ano de 2025, o saldo ficou próximo de R$ 20 bilhões. Ou seja, em poucas semanas, o mercado praticamente igualou o volume de recursos que entrou em um ano inteiro.
Esse aumento no fluxo elevou significativamente a liquidez do mercado, impulsionou os preços dos ativos e contribuiu para a queda do dólar no mercado doméstico.
Câmbio mais baixo ajuda inflação e consumo no Brasil
A valorização do real não impacta apenas investidores. Um dólar mais baixo ajuda a conter a inflação, já que reduz os custos de produtos importados e de itens com preços atrelados à moeda americana, como alimentos, combustíveis, insumos industriais e eletrônicos.
Na prática, isso cria um alívio nos preços ao consumidor, melhora expectativas inflacionárias e reduz pressões sobre o custo de vida, indo muito além do impacto sobre viagens internacionais ou consumo no exterior.
Preço justo do dólar pode ser ainda menor
Lideranças relevantes do mercado financeiro avaliam que o movimento pode continuar. Há projeções indicando que, mantido o atual cenário de política econômica nos Estados Unidos e o fluxo consistente para emergentes, o dólar poderia buscar patamares ainda mais baixos.
Segundo essa leitura, níveis próximos a R$ 4,40 seriam compatíveis com um preço considerado justo para a moeda americana, caso a tendência de desvalorização global se consolide e o Brasil siga como destino preferencial do capital estrangeiro.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






