O Banco Bradesco publicou fato relevante confirmando o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP), reforçando o movimento de retomada após um período desafiador para o banco.
Os valores anunciados foram de R$ 0,35 por ação ordinária (BBDC3) e R$ 0,38 por ação preferencial (BBDC4). Para ter direito aos proventos, o investidor precisa manter posição acionária até 29 de dezembro de 2025, com pagamento programado para 31 de julho de 2026. Após a retenção de 15% de imposto de renda, os valores líquidos ficam em aproximadamente R$ 0,29 por ação ordinária e R$ 0,32 por ação preferencial.
O anúncio acontece em um momento simbólico para o Bradesco. Nos últimos 12 meses, as ações acumulam valorização superior a 60%, refletindo a recuperação após a crise de crédito intensificada no pós-2020 e agravada pelos impactos do caso Americanas. A reformulação da diretoria, ajustes na política de crédito e foco em eficiência operacional ajudaram a destravar resultados.
Outro ponto relevante é a evolução da rentabilidade. O ROE, que chegou a operar próximo de 8,5% em 2023, já se aproxima de 12%, sinalizando melhora consistente. O dividendo médio dos últimos cinco anos gira em torno de 6%, com perspectiva de avanço à medida que a lucratividade continue se normalizando.
BB Seguridade mantém dividendos elevados apesar dos ruídos no mercado
A BB Seguridade também confirmou um novo e robusto pagamento de proventos, reforçando sua posição como uma das principais geradoras de renda da Bolsa.
O valor estimado é de R$ 2,54 por ação, referente ao segundo semestre, somando-se aos dividendos intercalares já pagos anteriormente. As datas exatas de pagamento, data-com e início da negociação ex-dividendos serão divulgadas após a publicação dos resultados do quarto trimestre, prevista para 9 de fevereiro.
Mesmo pressionada pela percepção negativa em torno do Banco do Brasil, principal acionista e parceiro comercial, a BB Seguridade segue apresentando crescimento de lucros, margens elevadas e distribuição consistente de resultados. O papel negocia a múltiplos historicamente baixos, próximo de 7,8 vezes o lucro, com dividend yield ao redor de 12%.
O setor de seguros é altamente sensível à taxa de juros, e cada variação de um ponto percentual na Selic pode representar cerca de R$ 100 milhões de impacto no resultado da companhia. Com a expectativa de início de um ciclo de queda dos juros, o cenário pode se tornar ainda mais favorável no médio prazo.
Além dos dividendos, a empresa mantém programas de recompra de ações, que reduzem o número de papéis em circulação e aumentam, de forma indireta, a participação do acionista nos lucros futuros. O ROE próximo de 70% reforça o caráter altamente rentável do modelo de negócios.
Cemig reforça perfil previdenciário com novo JCP
No setor elétrico, a Cemig anunciou R$ 77 milhões em juros sobre capital próprio, ampliando o histórico de remuneração consistente ao acionista.
Para ter direito ao pagamento, é necessário possuir ações até 23 de dezembro. O valor será pago em duas parcelas iguais, previstas para junho de 2026 e dezembro de 2026, prática recorrente da companhia.
Apesar do intervalo longo entre anúncio e pagamento, a Cemig segue como um dos papéis mais relevantes para estratégias de longo prazo e reinvestimento de proventos. O dividend yield dos últimos 12 meses supera 13%, enquanto a média dos últimos cinco anos gira em torno de 10%.
A empresa combina endividamento controlado, forte geração de caixa e histórico de bonificações em ações, que já chegaram a patamares elevados, ampliando o número de papéis na carteira do investidor ao longo do tempo. Mesmo com incertezas sobre eventuais mudanças de controle, a companhia segue entregando retorno real expressivo ao acionista.
Dezembro reforça o protagonismo da renda passiva
Os anúncios de Bradesco, BB Seguridade e Cemig consolidam um fim de ano marcado por bons proventos na Bolsa brasileira. Bancos em recuperação, seguradoras altamente rentáveis e empresas do setor elétrico com geração de caixa previsível reforçam o papel dos dividendos como estratégia central para investidores focados em renda e construção patrimonial de longo prazo.
Em um cenário de juros ainda elevados e expectativa de transição econômica nos próximos anos, esses pagamentos ganham ainda mais relevância para quem busca previsibilidade, disciplina e crescimento consistente da carteira.
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