A Taesa voltou ao centro das atenções do mercado após anunciar um dividendo superior a R$ 10 por ação, reforçando sua posição como uma das maiores pagadoras de proventos da Bolsa brasileira. Mesmo negociada a múltiplos considerados elevados por parte do mercado, análises de longo prazo indicam que a companhia ainda pode entregar retornos anuais consistentes, sustentados pela previsibilidade do setor de transmissão de energia.
Por que os dividendos da Taesa chamam tanta atenção
A Taesa é vista como uma “queridinha” dos investidores de dividendos por um motivo claro:
o setor de transmissão elétrica é altamente previsível, com receitas contratadas por meio de concessões reajustadas por índices como IPCA e IGP-M.
Diferentemente das empresas de geração ou distribuição mais expostas a ciclos econômicos e variações de demanda, a Taesa praticamente sabe quanto vai faturar no longo prazo. Basta a linha de transmissão estar instalada e operando para que a receita seja garantida.
Esse modelo permite:
- Maior uso de dívida, sem comprometer a sustentabilidade;
- Fluxo de caixa estável;
- Capacidade de pagar dividendos elevados de forma recorrente.
Números que impressionam no histórico da empresa
Nos últimos anos, a Taesa:
- Investiu cerca de R$ 3 bilhões em expansão;
- Distribuiu aproximadamente R$ 8 bilhões em dividendos aos acionistas;
- Entregou valorização relevante das ações no período.
Ou seja, em muitos momentos, o investidor recuperou o valor investido apenas com dividendos, além da valorização patrimonial.
Resultados recentes mostram estabilidade operacional
No 3º trimestre de 2025, os números reforçaram a tese defensiva da companhia:
- Receita líquida em crescimento controlado;
- EBITDA em trajetória de alta;
- Ausência de sinais de deterioração estrutural do negócio.
A principal preocupação do mercado hoje não é a saúde da empresa, mas sim o ritmo de crescimento, que tende a ser mais lento do que nos últimos 10 anos algo natural em um setor maduro.
Dívida elevada, mas sob controle
A relação dívida líquida/EBITDA gira em torno de 4 vezes, patamar considerado alto.
No entanto, a própria companhia sinaliza que esse indicador deve começar a cair após 2027, conforme projetos entrem em operação plena.
Além disso, a dívida é sustentada por:
- Receitas contratadas;
- Longo prazo das concessões;
- Baixo risco operacional.
Quanto a Taesa pode render no longo prazo?
Em um cenário conservador, considerando:
- Payout de 50% (abaixo da média histórica, que supera 70%);
- Lucro anual em torno de R$ 1,8 bilhão no médio prazo;
- Dividendos próximos de R$ 900 milhões por ano;
- Valor de mercado de aproximadamente R$ 14 bilhões;
O investidor teria:
- Dividend yield estimado de 6,4%;
- Crescimento real de lucros entre 7% e 8% ao ano;
- Retorno total potencial entre 14% e 15% ao ano.
Em cenários mais favoráveis, com compra a preços mais baixos, esse retorno pode chegar a 17% ou até 18% ao ano.
A ação está cara ou ainda vale a pena?
Pelo lucro regulatório mais adequado para análise, a Taesa negocia a cerca de:
- 11 vezes o lucro.
Não é uma pechincha, mas também está longe de ser uma ação descartável.
Para investidores que:
- Buscam previsibilidade;
- Querem evitar volatilidade excessiva;
- Preferem renda recorrente;
A Taesa segue sendo uma opção sólida para carteiras de médio e longo prazo.
Simulação mostra força dos juros compostos
Um exemplo prático:
- Investimento inicial: R$ 100 mil;
- Aportes mensais: R$ 500;
- Retorno anual médio: 17%;
Em:
- 10 anos → patrimônio próximo de R$ 600 mil
- 15 anos → mais de R$ 1,4 milhão
Mesmo com retornos mais conservadores, a previsibilidade faz diferença no longo prazo.
A Taesa não é uma oportunidade óbvia de curto prazo, mas também não deve ser ignorada.
Para quem busca estabilidade, dividendos elevados e crescimento moderado, a empresa segue como uma alternativa relevante especialmente em momentos de correção do preço.
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