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Ações

Dividendos acima de R$ 10 por ação colocam Taesa no radar de investidores de longo prazo

Empresa de transmissão elétrica combina dividendos elevados, receita contratada e potencial de retorno anual entre 15% e 17% no longo prazo.
Felipe AndradePor Felipe Andrade29 de dezembro de 20254 minutos lidos
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Dividendos acima de R$ 10 por ação colocam Taesa no radar de investidores de longo prazo
Dividendos acima de R$ 10 por ação colocam Taesa no radar de investidores de longo prazo

A Taesa voltou ao centro das atenções do mercado após anunciar um dividendo superior a R$ 10 por ação, reforçando sua posição como uma das maiores pagadoras de proventos da Bolsa brasileira. Mesmo negociada a múltiplos considerados elevados por parte do mercado, análises de longo prazo indicam que a companhia ainda pode entregar retornos anuais consistentes, sustentados pela previsibilidade do setor de transmissão de energia.

Por que os dividendos da Taesa chamam tanta atenção

A Taesa é vista como uma “queridinha” dos investidores de dividendos por um motivo claro:
o setor de transmissão elétrica é altamente previsível, com receitas contratadas por meio de concessões reajustadas por índices como IPCA e IGP-M.

Diferentemente das empresas de geração ou distribuição mais expostas a ciclos econômicos e variações de demanda, a Taesa praticamente sabe quanto vai faturar no longo prazo. Basta a linha de transmissão estar instalada e operando para que a receita seja garantida.

Esse modelo permite:

  • Maior uso de dívida, sem comprometer a sustentabilidade;

  • Fluxo de caixa estável;

  • Capacidade de pagar dividendos elevados de forma recorrente.

Números que impressionam no histórico da empresa

Nos últimos anos, a Taesa:

  • Investiu cerca de R$ 3 bilhões em expansão;

  • Distribuiu aproximadamente R$ 8 bilhões em dividendos aos acionistas;

  • Entregou valorização relevante das ações no período.

Ou seja, em muitos momentos, o investidor recuperou o valor investido apenas com dividendos, além da valorização patrimonial.

Resultados recentes mostram estabilidade operacional

No 3º trimestre de 2025, os números reforçaram a tese defensiva da companhia:

  • Receita líquida em crescimento controlado;

  • EBITDA em trajetória de alta;

  • Ausência de sinais de deterioração estrutural do negócio.

A principal preocupação do mercado hoje não é a saúde da empresa, mas sim o ritmo de crescimento, que tende a ser mais lento do que nos últimos 10 anos algo natural em um setor maduro.

Dívida elevada, mas sob controle

A relação dívida líquida/EBITDA gira em torno de 4 vezes, patamar considerado alto.
No entanto, a própria companhia sinaliza que esse indicador deve começar a cair após 2027, conforme projetos entrem em operação plena.

Além disso, a dívida é sustentada por:

  • Receitas contratadas;

  • Longo prazo das concessões;

  • Baixo risco operacional.

Quanto a Taesa pode render no longo prazo?

Em um cenário conservador, considerando:

  • Payout de 50% (abaixo da média histórica, que supera 70%);

  • Lucro anual em torno de R$ 1,8 bilhão no médio prazo;

  • Dividendos próximos de R$ 900 milhões por ano;

  • Valor de mercado de aproximadamente R$ 14 bilhões;

O investidor teria:

  • Dividend yield estimado de 6,4%;

  • Crescimento real de lucros entre 7% e 8% ao ano;

  • Retorno total potencial entre 14% e 15% ao ano.

Em cenários mais favoráveis, com compra a preços mais baixos, esse retorno pode chegar a 17% ou até 18% ao ano.

A ação está cara ou ainda vale a pena?

Pelo lucro regulatório mais adequado para análise, a Taesa negocia a cerca de:

  • 11 vezes o lucro.

Não é uma pechincha, mas também está longe de ser uma ação descartável.
Para investidores que:

  • Buscam previsibilidade;

  • Querem evitar volatilidade excessiva;

  • Preferem renda recorrente;

A Taesa segue sendo uma opção sólida para carteiras de médio e longo prazo.

Simulação mostra força dos juros compostos

Um exemplo prático:

  • Investimento inicial: R$ 100 mil;

  • Aportes mensais: R$ 500;

  • Retorno anual médio: 17%;

Em:

  • 10 anos → patrimônio próximo de R$ 600 mil

  • 15 anos → mais de R$ 1,4 milhão

Mesmo com retornos mais conservadores, a previsibilidade faz diferença no longo prazo.

A Taesa não é uma oportunidade óbvia de curto prazo, mas também não deve ser ignorada.
Para quem busca estabilidade, dividendos elevados e crescimento moderado, a empresa segue como uma alternativa relevante especialmente em momentos de correção do preço.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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