A Klabin, maior empresa de embalagens do Brasil e uma das maiores do mundo, voltou aos holofotes com a divulgação do resultado do terceiro trimestre de 2025 (3T25). Mesmo em um cenário de preços deprimidos da celulose — sua principal matéria-prima —, a companhia entregou recorde de receita líquida, crescimento robusto de EBITDA e uma queda relevante na alavancagem, reacendendo o debate: Klabin (KLBN11) é ótima oportunidade de longo prazo ou continua um “barco furado” na Bolsa?
Desde 2021, quando as units KLBN11 chegaram a patamares próximos de R$ 27, o papel nunca mais retomou aquele nível, pressionado pela queda global da celulose, ciclo de investimentos pesados (CAPEX) e medo do mercado em relação ao endividamento. Hoje, mesmo após reação recente, o papel ainda é negociado abaixo de R$ 19, bem distante do topo histórico.
O que a Klabin faz e por que ela é tão comentada
A Klabin é uma companhia integrada de base florestal. Ela:
Planta florestas de pinus e eucalipto
Colhe a madeira
Transforma em celulose
Vende parte dessa celulose
Converte outra parte em papel
Produz embalagens (especialmente papelão ondulado)
Esse modelo integrado traz algumas vantagens:
Maior controle de custos de matéria-prima
Portfólio diversificado (madeira, celulose, papéis, embalagens)
Ganho de escala e eficiência operacional
Forte agenda de ESG, com destaque para manejo florestal sustentável
Além disso, a empresa é muito conhecida entre investidores de dividendos, em boa parte porque nomes como Luiz Barsi reforçaram por anos a tese em torno de Klabin como geradora de renda recorrente.
O que derrubou as ações desde 2021?
Apesar da boa reputação, as ações de Klabin vêm caindo desde 2021 e nunca mais voltaram ao nível do auge. Alguns fatores explicam:
Celulose é commodity: o preço é definido globalmente e passou por uma forte queda recente.
Setor intensivo em capital: projetos exigem investimentos bilionários, que elevam a dívida no curto e médio prazo.
Medo do mercado com alavancagem: quando a relação dívida/EBITDA sobe, o mercado passa a questionar a capacidade de pagamento.
Ciclo de preços: com a celulose em baixa, margens ficam pressionadas, mesmo em empresas eficientes.
Apesar disso, a empresa não parou de pagar dividendos, o que ajudou a manter a tese de longo prazo viva entre investidores mais pacientes.
Números do 3T25: crescimento forte e recorde de receita
No 3T25, a Klabin apresentou um conjunto de resultados considerado bastante sólido. Os principais destaques foram:
Principais indicadores do 3T25
| Indicador | 3T25 | Destaque vs 3T24 |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 5,4 bilhões | +9% a/a |
| EBITDA ajustado | R$ 2,11 bilhões | +17% a/a |
| Margem EBITDA ajustada | 39% | de 36% para 39% |
| Alavancagem líquida (US$) | 3,6x dívida líquida/EBITDA | queda forte vs >4x |
| Alavancagem líquida (R$) | 3,3x dívida líquida/EBITDA | também em queda |
| Dividend yield 12 meses | ~5,5% | ligeiramente abaixo da média histórica |
Pontos-chave:
Receita líquida recorde: mesmo com o preço da celulose em níveis historicamente baixos, a empresa entregou o maior faturamento consolidado da história.
EBITDA em alta: o crescimento de 17% mostra que a companhia conseguiu expandir margens e eficiência operacional.
Margem EBITDA em 39%: avanço importante em relação ao ano anterior, reforçando que a operação está mais robusta.
Embalagens puxam o resultado; celulose continua o elo fraco
O grande motor do trimestre veio do segmento de embalagens, em especial o papelão ondulado, muito utilizado por setores como:
Indústria de alimentos
Processamento de carne
Agronegócio
Supermercados
Varejo em geral
Segundo os dados do 3T25:
Volume de vendas de papelão ondulado: alta de 6,6%
Receita líquida de papelão ondulado: crescimento de 20% (volume + preço)
Papel: avanço de 11,6% na receita
Celulose: queda de receita, coerente com o preço internacional em patamar historicamente baixo
Em resumo:
Os segmentos mais ligados a embalagens e consumo interno salvaram o trimestre, enquanto a celulose continua sendo o “peso” do portfólio.
Alavancagem em queda: promessa de desalavancagem está sendo cumprida
Um dos grandes temores do mercado em relação à Klabin era a alavancagem. A empresa vinha investindo pesado em projetos de expansão, o que elevou a dívida e gerou desconfiança entre investidores mais conservadores.
No 3T25, porém, a companhia mostrou um avanço claro:
Dívida líquida/EBITDA em dólares: caiu para 3,6x
Dívida líquida/EBITDA em reais: recuou para 3,3x
No ano passado, esses níveis estavam acima de 4x
Ou seja:
A Klabin está cumprindo a promessa de desalavancar o balanço.
A geração de caixa operacional está mais forte.
O risco de endividamento excessivo começa a ser reduzido, o que tende a dar mais conforto para o mercado.
Lucro líquido menor, mas com efeito contábil
Apesar do bom desempenho operacional, o lucro líquido do trimestre apresentou queda de 34% em relação ao ano anterior. Porém, esse movimento tem explicações contábeis:
No ano passado, os impostos foram anormalmente baixos.
Houve diferenças de depreciação e outros efeitos que distorcem a comparação.
O EBITDA, que mostra melhor a capacidade de geração de caixa da operação, cresceu.
Assim, do ponto de vista de análise fundamentalista, o foco maior recai sobre:
Expansão da margem EBITDA (de 36% para 39%)
Redução da alavancagem
Manutenção do fluxo de dividendos
Dividendos: yield menor, mas política segue firme
A Klabin é lembrada por muitos investidores como uma pagadora recorrente de dividendos. No momento:
O dividend yield dos últimos 12 meses está em cerca de 5,5%, um pouco abaixo do “normal” histórico da companhia.
A política de dividendos da empresa prevê distribuir entre 10% e 20% do lucro; hoje, o payout está em torno de 15%.
A empresa já anunciou dividendos para o ano e não sinalizou cortes nem distribuição extraordinária.
Ou seja:
Não é uma “vaca leiteira” de altíssimo yield, mas mantém uma política consistente e previsível, algo valorizado por investidores de longo prazo.
Klabin (KLBN11) está barata ou continua arriscada?
Com ações ainda abaixo de R$ 19, bem distantes dos R$ 27 de 2021/2022, muitos investidores se perguntam se já é hora de aproveitar a recuperação ou se o papel continua arriscado diante da fraqueza da celulose.
Pontos positivos da tese em Klabin (KLBN11)
✅ Empresa líder em embalagens no Brasil, com presença relevante global
✅ Modelo integrado (florestas + celulose + papel + embalagens)
✅ Receita recorde mesmo com celulose em baixa
✅ EBITDA crescente e margem em expansão
✅ Alavancagem em queda, cumprindo a promessa de desalavancagem
✅ Governança e ESG sólidos, com relatórios detalhados e transparência
✅ Histórico de pagamento de dividendos, com yield próximo a 5,5% nos últimos 12 meses
Riscos e pontos de atenção
⚠️ Dependência do ciclo da celulose, que ainda está em patamar deprimido
⚠️ Setor intensivo em capital: CAPEX alto, exigindo dívida e execução impecável
⚠️ Exposição cambial: receitas e dívidas ligadas ao dólar, o que pode jogar contra em certos cenários
⚠️ Volatilidade das ações: o papel pode sofrer fortemente em ciclos de baixa de commodities
⚠️ Dividend yield abaixo do “hype” passado, o que pode afastar investidores que buscam renda imediata muito alta
Para quem Klabin (KLBN11) pode fazer sentido?
A leitura do 3T25 reforça a percepção de que a empresa em si é muito boa, resiliente e bem gerida, mas atua em um setor cíclico e intensivo em capital. Em termos de perfil de investidor, a tese tende a interessar mais a quem:
Pensa em longo prazo e entende ciclos de commodities
Aceita volatilidade em troca de possível valorização futura quando o ciclo da celulose melhorar
Busca combinar dividendos com crescimento, não apenas renda imediata
Tem uma carteira diversificada, sem concentração exagerada em um único setor
Já para quem:
Quer previsibilidade extrema de resultados,
Busca dividendos muito elevados e imediatos,
Ou tem baixa tolerância à volatilidade de commodities,
pode fazer sentido olhar com mais cautela para o papel.
Oportunidade em construção
O 3T25 da Klabin mostra uma companhia que:
Entrega recorde de receita,
Melhora margens,
Reduz alavancagem
Mantém a política de dividendos,
mesmo em um ambiente bastante desafiador para a celulose. As ações ainda não voltaram ao topo histórico, mas a melhora operacional ajuda a recolocar KLBN11 no radar de quem acompanha o setor de papel e celulose.
Se o ciclo da celulose virar e a empresa continuar desenrolando sua estratégia de desalavancagem e crescimento em embalagens, a percepção atual de “barco furado” pode, com o tempo, dar lugar à visão de que se tratava de uma oportunidade de ciclo para investidores pacientes.
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