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Início » Últimas Notícias » CVCB3 vira a chave no 3T25: lucro volta, caixa reage e dívida cai forte
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CVCB3 vira a chave no 3T25: lucro volta, caixa reage e dívida cai forte

No 3T25, a CVC combinou avanço nas reservas, margem EBITDA no maior nível desde 2019 e redução relevante do endividamento — e o “segredo” está no capital de giro
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins30 de janeiro de 20264 minutos lidos
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A CVC Brasil divulgou um conjunto de números que vai além do simples retorno ao lucro. O trimestre marcou um ponto importante porque mostrou, de forma mais clara, a combinação de três fatores essenciais:

  • crescimento operacional consistente

  • forte geração de caixa

  • redução relevante do risco financeiro

Esse tripé ajuda a explicar por que o mercado passou a olhar a empresa com menos desconfiança, mesmo após anos de prejuízos e diluição de acionistas.

Números-chave do trimestre mostram avanço operacional

Os dados do período evidenciam que a retomada não é apenas narrativa:

  • Reservas confirmadas: R$ 4,25 bilhões, alta de 15,4%

  • Reservas consumidas: R$ 4,39 bilhões, crescimento de 13,8%

  • Receita líquida: R$ 376,8 milhões, avanço de 3,6%

  • EBITDA ajustado: R$ 130,5 milhões, com margem de 34,6%, a maior desde 2019

  • Lucro líquido ajustado: R$ 62,5 milhões, crescimento de 35,6%

  • Geração operacional de caixa: R$ 146 milhões no trimestre

Mesmo com um crescimento mais moderado da receita, a melhora de margens indica eficiência operacional e maior disciplina de custos.

Desempenho consolidado da CVC

Indicador (R$ milhões)TrimestreVariação anual
Reservas confirmadas4.252,7+15,4%
Reservas consumidas4.398,6+13,8%
Receita líquida376,8+3,6%
EBITDA ajustado130,5+4,7%
Margem EBITDA34,6%+0,4 p.p.
Lucro líquido ajustado62,5+35,6%
Geração de caixa operacional146,0—

Capital de giro: o ponto que sempre confundiu o mercado

A CVC opera com um modelo típico do turismo: o cliente compra hoje, muitas vezes parcelado, e a viagem acontece meses depois. Isso gera um descasamento entre:

  • entrada de caixa

  • reconhecimento contábil da receita

  • pagamento a fornecedores

Historicamente, a empresa precisou antecipar grandes volumes de recebíveis para financiar esse ciclo. Essa antecipação tem custo elevado e aparece no resultado financeiro, o que distorce a leitura do lucro mesmo quando a operação melhora.

O trimestre mostrou um avanço importante justamente aqui: mais caixa próprio e menos dependência de antecipações.

Dívida cai para nível confortável e muda o jogo

A estrutura de capital apresentou melhora clara:

  • Dívida bruta: R$ 384,6 milhões

  • Caixa e equivalentes: R$ 185,9 milhões

  • Dívida líquida: R$ 198,6 milhões

  • Alavancagem: cerca de 0,5x EBITDA

Para uma empresa que esteve à beira de uma crise de solvência poucos anos atrás, esse patamar representa uma mudança estrutural.

Mais importante do que o número absoluto é o efeito indireto: quanto menor a dívida, menor a necessidade de antecipar recebíveis, reduzindo o peso do resultado financeiro e abrindo espaço para lucro recorrente.

Take rate menor não significa negócio pior

O trimestre também mostrou queda no take rate (comissão média sobre as vendas), de 9,4% para 8,6%. Esse movimento está ligado principalmente ao crescimento do canal B2B, que opera com margens menores, mas oferece:

  • maior volume

  • mais escala

  • menor necessidade de capital de giro

  • expansão mais rápida

O dado positivo é que, mesmo com take rate menor, a margem EBITDA permaneceu elevada, indicando que o mix atual não comprometeu a rentabilidade.

Expansão física segue como alavanca complementar

A empresa encerrou o período com 1.597 lojas, após a abertura líquida de 42 novas unidades no trimestre. O número supera os níveis pré-pandemia e reforça a estratégia de capilaridade, especialmente para um público que ainda valoriza o atendimento presencial.

O que observar nos próximos resultados da CVCB3

Para avaliar a continuidade da recuperação, alguns pontos devem seguir no radar:

  1. evolução das reservas confirmadas

  2. crescimento da receita com sazonalidade favorável

  3. manutenção das margens operacionais

  4. redução gradual do custo financeiro

  5. menor dependência de antecipação de recebíveis

  6. geração de caixa recorrente

A consolidação desses fatores é o que transforma um bom trimestre em uma recuperação sustentável.

O resultado da CVCB3 mostra que a empresa deixou para trás o estágio mais crítico de sua história. A melhora operacional, combinada com geração de caixa e desalavancagem, começa a destravar valor que ficou represado por anos.

Ainda existem desafios, mas os números indicam que a recuperação deixou de ser apenas expectativa e passou a aparecer de forma concreta no balanço — especialmente para quem entende o papel do capital de giro na dinâmica do negócio.

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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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