A CVC (CVCB3), uma das maiores operadoras de turismo do Brasil, voltou a chamar atenção dos investidores após registrar alta de 31% em 2025, recuperando parte das perdas acumuladas desde a pandemia. Apesar da valorização recente, analistas alertam que o ativo ainda carrega riscos elevados devido aos prejuízos persistentes e à fragilidade financeira da companhia.
Segundo análise do canal Investidor Raiz, a CVC está cotada a R$ 1,97, com valor de mercado em torno de R$ 1 bilhão, o que a coloca na categoria de small caps, empresas de pequeno porte com alto potencial de valorização — mas também maior volatilidade e risco.
Estrutura acionária e fundamentos
A empresa possui 100% de tag along, ou seja, os acionistas minoritários têm direito à mesma oferta feita ao controlador em caso de venda da companhia. Sua base acionária é composta por fundos relevantes, como Absolut Investimentos, Opportunity e GJP Fundo de Investimento, que recentemente aumentaram participação na companhia, sinalizando alguma confiança na recuperação.
O free float é de aproximadamente 62%, o que garante boa liquidez no mercado, embora parte das ações esteja em tesouraria. A ausência de um “dono controlador” é vista com ressalvas por alguns analistas, que preferem empresas comandadas por um grupo decisor sólido e alinhado aos interesses dos acionistas.
Dívida e liquidez preocupam
Um dos pontos que mais preocupa investidores é a baixa liquidez corrente da CVC, hoje em 0,87, o que indica que para cada R$ 1 de dívida de curto prazo, a empresa possui apenas R$ 0,87 em ativos líquidos. Isso demonstra dificuldade para honrar compromissos imediatos.
Apesar de a dívida líquida/EBITDA ser de apenas 0,6x, um índice considerado saudável, o analista Daniel Alvaringa destaca que esse equilíbrio decorre de emissões sucessivas de ações, e não da geração de caixa operacional — o que dilui os acionistas e pressiona as cotações.
Lucros, margens e prejuízos acumulados
Desde 2019, a CVC enfrenta dificuldades para voltar ao lucro, após um ciclo de resultados negativos intensificado pela pandemia de 2020. Embora a receita líquida esteja em nível recorde, o lucro operacional (EBITDA) ainda é inferior ao registrado no período de 2015 a 2018, quando a empresa viveu sua fase de ouro.
A margem operacional caiu de 47% para 21%, e a empresa acumula seis anos consecutivos de prejuízos. A alta da taxa Selic, que elevou o custo financeiro, e a inflação persistente dificultaram a recuperação.
“A CVC está despiorando, mas ainda não virou a chave”, resume o analista.
Enquanto não retomar a lucratividade, a empresa não deve pagar dividendos, mantendo o dividend yield zerado.
Histórico de cotações e potencial de valorização
Nos últimos 10 anos, as ações da CVC exibiram um ciclo extremo: chegaram a valer R$ 50 em 2018, mas caíram para menos de R$ 2 em 2024. Agora, com a cotação estabilizada em torno de R$ 1,97, o mercado especula uma possível virada.
Para investidores otimistas, o baixo preço atual pode representar uma oportunidade especulativa, com possibilidade de multiplicação caso a empresa volte a dar lucro. Já para os mais conservadores, os riscos superam as chances de valorização, especialmente diante da ausência de lucro e das sucessivas diluições acionárias.
Setor de turismo ainda depende da economia
O segmento de viagens e turismo é cíclico e altamente dependente da renda disponível das famílias. Em tempos de juros altos e inflação, o lazer tende a ser adiado, afetando diretamente as receitas da CVC.
“O brasileiro paga contas, compra o básico, e só depois pensa em viajar. Por isso, é um setor muito sensível às crises econômicas”, ressalta o analista.
Enquanto o cenário macroeconômico não melhora de forma consistente, a recuperação da CVC tende a ser lenta e incerta.
Vale a pena investir em CVCB3?
A CVCB3 continua sendo uma aposta de alto risco, com baixo potencial de previsibilidade e retornos incertos no longo prazo. Embora as ações estejam baratas e a receita em alta, o negócio ainda não se provou capaz de gerar lucro sustentável.
Para investidores arrojados, o ativo pode servir para operações de curto prazo ou trades especulativos, especialmente em ciclos de otimismo. Já para quem busca estabilidade e dividendos, o ideal é esperar sinais claros de virada operacional antes de apostar na empresa.
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