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Ações

CSN Mineração corta expectativa de dividendos e liga alerta no caixa

Ações da companhia caem após anúncio de dividendos de apenas R$ 0,15 por ação e projeções indicarem pressão no caixa devido ao aumento dos investimentos.
Felipe AndradePor Felipe Andrade7 de novembro de 20253 minutos lidos
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CSN Mineração corta expectativa de dividendos e liga alerta no caixa
CSN Mineração corta expectativa de dividendos e liga alerta no caixa

A CSN Mineração (CMIN3) registrou queda em suas ações após a divulgação do resultado do terceiro trimestre e do anúncio de dividendos considerados abaixo das expectativas do mercado. O papel, que vinha se mantendo na faixa entre R$ 5,70 e R$ 6,15, voltou a recuar após o pagamento anunciado totalizar R$ 0,15 por ação, enquanto parte dos investidores projetava algo próximo de R$ 0,30.

Resultado do 3T e impacto do câmbio

A companhia reportou lucro líquido de R$ 696 milhões, representando crescimento significativo frente ao mesmo período do ano anterior. Apesar da melhora operacional, o resultado financeiro foi pressionado pela variação cambial. Com o dólar próximo de R$ 5,35 ao longo do trimestre, o impacto negativo reduziu o ganho potencial da mineradora.

Caso o dólar permaneça estável ou recue nos próximos trimestres, o lucro pode voltar a perder força. Por outro lado, uma valorização da moeda norte-americana tende a favorecer a empresa, uma vez que a maior parte de suas vendas se concentra no mercado externo, especialmente na China.

Produção e vendas seguem fortes, mas investimentos pesam

A produção do trimestre alcançou cerca de 12 milhões de toneladas, acompanhada de aumento no volume de vendas, que avançou para 11,4 milhões de toneladas, resultado considerado positivo pela indústria.

Entretanto, o ponto de maior atenção recai sobre o fluxo de caixa livre, que ficou em R$ 284 milhões, mesmo após a empresa registrar R$ 1,9 bilhão de geração operacional de caixa. O motivo é o avanço acelerado dos investimentos já próximos de R$ 600 milhões por trimestre impulsionados pelo projeto de expansão da planta P15.

Se o ritmo de aportes continuar aumentando e a geração de caixa não acompanhar, o fluxo pode se tornar negativo em 2025, levando ao consumo de caixa e possível redução do payout de dividendos.

Preço, múltiplos e teto de compra

Apesar da ação parecer barata nominalmente, negociando na casa dos R$ 5,70, o múltiplo Preço/Lucro está em 12,9, nível considerado elevado para o estágio atual do ciclo do minério. Essa relação sugere que o mercado já precifica parte do crescimento futuro, limitando o potencial de valorização no curto prazo.

Com o novo cenário, o preço teto estimado para a ação foi revisado para a faixa dos R$ 6,00, com zona de oportunidade mais forte próxima de R$ 4,80 patamar que só deve ser testado caso o fluxo de caixa se deteriore ou o minério se desvalorize no mercado internacional.

Dividendos futuros dependem do dólar e do caixa

O pagamento atual de R$ 0,15 por ação corresponde a um dividend yield de aproximadamente 2% na cotação atual. Se o dólar subir no 4T, o lucro tende a aumentar e os proventos podem se manter em patamares moderados. Porém, se o câmbio cair, o resultado financeiro será pressionado e os dividendos poderão diminuir.

A capacidade de manter payouts próximos a 80% como no histórico recente dependerá diretamente da evolução do caixa e dos investimentos.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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