A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), negociada sob o ticker CSN (CSNA3), iniciou um dos mais ambiciosos planos estratégicos de sua história recente. O objetivo central é claro: reduzir drasticamente a alavancagem financeira por meio da venda de ativos relevantes, com potencial de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.
A estratégia inclui:
Venda do controle da CSN Cimentos
Venda de participação relevante na área de infraestrutura
Otimização do portfólio e foco em negócios com maior rentabilidade
Caso o plano seja executado conforme projetado, a dívida líquida poderá cair de aproximadamente R$ 37,5 bilhões para R$ 19,5 bilhões, reduzindo a alavancagem de cerca de 3,1x para 1,8x dívida líquida/EBITDA.
Além disso, a economia anual com despesas financeiras pode alcançar R$ 1,5 bilhão a R$ 1,8 bilhão, impacto que tende a melhorar diretamente o lucro líquido e a percepção de risco da companhia.
Estrutura do grupo: verticalização como diferencial competitivo
A CSN é um dos maiores conglomerados industriais do país, com atuação integrada em:
Siderurgia (aços planos)
Mineração
Cimentos
Logística (ferrovias e portos)
Energia (autossuficiência com geração própria)
Essa verticalização permite controle de custos, maior previsibilidade operacional e integração logística — da mina ao porto.
Energia: ativo estratégico pouco precificado
O braço de energia conta com:
27 ativos hídricos
3 térmicas de cogeração
3 projetos eólicos
1 projeto solar
A capacidade instalada gira em torno de 2 GW. Considerando custo médio de R$ 5 milhões por MW instalado, a reposição dessa estrutura poderia ultrapassar R$ 10 bilhões, evidenciando valor implícito relevante dentro do grupo.
CSN Mineração (CMIN3): pilar fundamental do grupo
A CSN Mineração (CMIN3) representa:
33% da receita consolidada
57% do EBITDA do grupo
A empresa é atualmente a 7ª maior exportadora de minério de ferro do mundo, com reservas estimadas em 2,5 bilhões de toneladas. Considerando produção anual projetada de 60 milhões de toneladas, há potencial operacional superior a 40 anos.
Projeto P15 e expansão de capacidade
O projeto P15 prevê aumento de produção de até 40% até 2030, com projeção de crescimento do EBITDA de:
R$ 6,7 bilhões para R$ 9,8 bilhões
Crescimento estimado de aproximadamente 46%
Contudo, o resultado permanece sensível à volatilidade do minério de ferro.
Dividendos reforçam resiliência
A CMIN3 aprovou recentemente pagamento de dividendos e JCP que somam cerca de R$ 423,7 milhões, sinalizando capacidade de geração de caixa mesmo em ambiente desafiador.
Infraestrutura: potencial de transformação no resultado
A área de infraestrutura da CSN reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais integrados.
Projeções indicam que o EBITDA desse braço pode evoluir de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 10 bilhões no médio prazo, o que isoladamente representaria quase o resultado consolidado atual do grupo.
A venda parcial dessa divisão pode gerar forte entrada de capital e acelerar a desalavancagem.
Siderurgia segue pressionada por cenário externo
A divisão de siderurgia responde por cerca de:
50% da receita
18% do EBITDA
O segmento enfrenta:
Pressão de preços internacionais
Competição crescente do aço chinês
Margens comprimidas
Por ora, não há indicação de venda dessa divisão, que segue como base operacional do grupo.
Avaliação: ação pode estar descontada?
Considerando cenário pós-desinvestimentos:
Dívida líquida estimada: R$ 19,5 bilhões
EBITDA estimado: R$ 10,7 bilhões
Valor de mercado atual aproximado: R$ 13,6 bilhões
O valor de firma projetado seria próximo de R$ 33 bilhões, resultando em múltiplo de aproximadamente:
EV/EBITDA de 3x
Historicamente, a CSN negocia entre 5x e 7x EV/EBITDA, exceto em picos de ciclo.
Se a desalavancagem for bem-sucedida, o mercado pode reprecificar a ação.
Dividendos: expectativa moderada no curto prazo
A CSN historicamente paga dividendos com frequência semestral (abril e novembro), porém:
Não distribuiu proventos em 2016, 2017 e 2018
Dividendos reduzidos durante pandemia
Suspensão recente para preservar caixa
A prioridade atual é desalavancagem. A retomada mais consistente de dividendos pode ocorrer a partir de 2027, caso o plano avance conforme esperado.
Risco e oportunidade: perfil cíclico exige cautela
A CSN é uma empresa cíclica. Entre 2016 e o pico de 2021, a ação acumulou alta superior a 1.500%. Entretanto, após o topo próximo de R$ 50 em 2021, o papel acumulou queda próxima de 80%.
Oscilações intensas fazem parte do ciclo do aço e do minério.
Fora do radar, mas com gatilho relevante
A CSN (CSNA3) combina:
Forte verticalização
Ativos estratégicos relevantes
Plano robusto de desalavancagem
Possível redução expressiva de juros
Potencial de reprecificação se executar o plano
Enquanto isso, a CSN Mineração (CMIN3) mantém geração de caixa e dividendos, sustentando parte importante do grupo.
O mercado segue atento à execução das vendas. Caso o plano avance conforme o cronograma, o grupo pode iniciar um novo ciclo de rentabilidade e valorização.
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