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Início » Últimas Notícias » CSN (CSNA3) acelera plano bilionário de venda de ativos e pode reduzir dívida em até R$ 18 bilhões
Ações

CSN (CSNA3) acelera plano bilionário de venda de ativos e pode reduzir dívida em até R$ 18 bilhões

Conglomerado aposta em desinvestimentos estratégicos para derrubar alavancagem, cortar até R$ 1,8 bilhão em juros por ano e preparar nova fase de rentabilidade.
Rafael CostaPor Rafael Costa19 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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CSN (CSNA3) acelera plano bilionário de venda de ativos e pode reduzir dívida em até R$ 18 bilhões

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), negociada sob o ticker CSN (CSNA3), iniciou um dos mais ambiciosos planos estratégicos de sua história recente. O objetivo central é claro: reduzir drasticamente a alavancagem financeira por meio da venda de ativos relevantes, com potencial de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.

A estratégia inclui:

  • Venda do controle da CSN Cimentos

  • Venda de participação relevante na área de infraestrutura

  • Otimização do portfólio e foco em negócios com maior rentabilidade

Caso o plano seja executado conforme projetado, a dívida líquida poderá cair de aproximadamente R$ 37,5 bilhões para R$ 19,5 bilhões, reduzindo a alavancagem de cerca de 3,1x para 1,8x dívida líquida/EBITDA.

Além disso, a economia anual com despesas financeiras pode alcançar R$ 1,5 bilhão a R$ 1,8 bilhão, impacto que tende a melhorar diretamente o lucro líquido e a percepção de risco da companhia.

Estrutura do grupo: verticalização como diferencial competitivo

A CSN é um dos maiores conglomerados industriais do país, com atuação integrada em:

  • Siderurgia (aços planos)

  • Mineração

  • Cimentos

  • Logística (ferrovias e portos)

  • Energia (autossuficiência com geração própria)

Essa verticalização permite controle de custos, maior previsibilidade operacional e integração logística — da mina ao porto.

Energia: ativo estratégico pouco precificado

O braço de energia conta com:

  • 27 ativos hídricos

  • 3 térmicas de cogeração

  • 3 projetos eólicos

  • 1 projeto solar

A capacidade instalada gira em torno de 2 GW. Considerando custo médio de R$ 5 milhões por MW instalado, a reposição dessa estrutura poderia ultrapassar R$ 10 bilhões, evidenciando valor implícito relevante dentro do grupo.

CSN Mineração (CMIN3): pilar fundamental do grupo

A CSN Mineração (CMIN3) representa:

  • 33% da receita consolidada

  • 57% do EBITDA do grupo

A empresa é atualmente a 7ª maior exportadora de minério de ferro do mundo, com reservas estimadas em 2,5 bilhões de toneladas. Considerando produção anual projetada de 60 milhões de toneladas, há potencial operacional superior a 40 anos.

Projeto P15 e expansão de capacidade

O projeto P15 prevê aumento de produção de até 40% até 2030, com projeção de crescimento do EBITDA de:

  • R$ 6,7 bilhões para R$ 9,8 bilhões

  • Crescimento estimado de aproximadamente 46%

Contudo, o resultado permanece sensível à volatilidade do minério de ferro.

Dividendos reforçam resiliência

A CMIN3 aprovou recentemente pagamento de dividendos e JCP que somam cerca de R$ 423,7 milhões, sinalizando capacidade de geração de caixa mesmo em ambiente desafiador.

Infraestrutura: potencial de transformação no resultado

A área de infraestrutura da CSN reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais integrados.

Projeções indicam que o EBITDA desse braço pode evoluir de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 10 bilhões no médio prazo, o que isoladamente representaria quase o resultado consolidado atual do grupo.

A venda parcial dessa divisão pode gerar forte entrada de capital e acelerar a desalavancagem.

Siderurgia segue pressionada por cenário externo

A divisão de siderurgia responde por cerca de:

  • 50% da receita

  • 18% do EBITDA

O segmento enfrenta:

  • Pressão de preços internacionais

  • Competição crescente do aço chinês

  • Margens comprimidas

Por ora, não há indicação de venda dessa divisão, que segue como base operacional do grupo.

Avaliação: ação pode estar descontada?

Considerando cenário pós-desinvestimentos:

  • Dívida líquida estimada: R$ 19,5 bilhões

  • EBITDA estimado: R$ 10,7 bilhões

  • Valor de mercado atual aproximado: R$ 13,6 bilhões

O valor de firma projetado seria próximo de R$ 33 bilhões, resultando em múltiplo de aproximadamente:

EV/EBITDA de 3x

Historicamente, a CSN negocia entre 5x e 7x EV/EBITDA, exceto em picos de ciclo.

Se a desalavancagem for bem-sucedida, o mercado pode reprecificar a ação.

Dividendos: expectativa moderada no curto prazo

A CSN historicamente paga dividendos com frequência semestral (abril e novembro), porém:

  • Não distribuiu proventos em 2016, 2017 e 2018

  • Dividendos reduzidos durante pandemia

  • Suspensão recente para preservar caixa

A prioridade atual é desalavancagem. A retomada mais consistente de dividendos pode ocorrer a partir de 2027, caso o plano avance conforme esperado.

Risco e oportunidade: perfil cíclico exige cautela

A CSN é uma empresa cíclica. Entre 2016 e o pico de 2021, a ação acumulou alta superior a 1.500%. Entretanto, após o topo próximo de R$ 50 em 2021, o papel acumulou queda próxima de 80%.

Oscilações intensas fazem parte do ciclo do aço e do minério.

Fora do radar, mas com gatilho relevante

A CSN (CSNA3) combina:

  • Forte verticalização

  • Ativos estratégicos relevantes

  • Plano robusto de desalavancagem

  • Possível redução expressiva de juros

  • Potencial de reprecificação se executar o plano

Enquanto isso, a CSN Mineração (CMIN3) mantém geração de caixa e dividendos, sustentando parte importante do grupo.

O mercado segue atento à execução das vendas. Caso o plano avance conforme o cronograma, o grupo pode iniciar um novo ciclo de rentabilidade e valorização.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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