O mercado financeiro brasileiro ganhou um novo protagonista com a estreia do NLFA11, ETF que replica o Índice de Letras Financeiras da B3 (ILFA) e promete entregar retorno superior ao CDI, com risco controlado e alta liquidez.
A proposta tem atraído atenção de investidores pessoas físicas que buscam alternativas à renda fixa tradicional, especialmente em um cenário onde o prêmio do crédito privado vem diminuindo, mas ainda supera o retorno dos títulos públicos.
O que são Letras Financeiras (LFs)
As letras financeiras são títulos de renda fixa emitidos exclusivamente por instituições financeiras, com foco em captação de recursos de longo prazo. Diferentemente de CDBs:
Não têm cobertura do FGC
São emitidas por bancos de maior porte
Possuem maior liquidez no mercado institucional
Costumam pagar CDI + um pequeno spread
Até recentemente, o acesso direto era restrito a investidores com aportes elevados (geralmente acima de R$ 50 mil).
Como funciona o NLFA11
O ETF segue o ILFA, índice desenvolvido pela B3, com regras claras de composição e controle de risco:
Principais critérios do índice
Apenas letras financeiras seniores
Remuneração atrelada ao CDI
Instituições financeiras classificadas entre S1 e S4
Exclusão automática se o spread deixar de ser divulgado por 3 dias
Rebalanceamento mensal
Distribuição da carteira
| Segmento | Peso no índice |
|---|---|
| S1 (maiores bancos) | 50% |
| S2 | 25% |
| S3 | 12,5% |
| S4 | 12,5% |
Na prática, isso significa forte exposição a bancos como Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e BTG, reduzindo riscos extremos.
NLFA11 bate o CDI? Os números mostram…
Estudos históricos do índice apontam que:
O ILFA superou o CDI em 100% das janelas analisadas
Em determinados períodos, entregou até 110% do CDI
Em 2025, com spreads mais comprimidos, o excesso de retorno caiu para algo próximo de CDI + 0,30%
Conclusão: o ETF tende a bater o CDI, mas sem promessas de ganhos elevados. O prêmio existe, mas é moderado — e coerente com o risco assumido.
Risco existe? Sim, mas é controlado
Mesmo sem FGC, o risco é considerado baixo quando comparado a outros ativos de crédito privado:
Instituições grandes e altamente reguladas
Menor volatilidade que debêntures, CRIs e CRAs
Ainda assim, não é livre de risco
Casos recentes mostraram que eventos de crédito afetam muito mais debêntures corporativas do que letras financeiras bancárias.
Custos, impostos e liquidez
| Característica | NLFA11 |
|---|---|
| Liquidez | D+1 (bolsa) |
| Tributação | 15% de IR |
| Come-cotas | ❌ Não |
| Taxa de administração | 0,25% ao ano |
| Aplicação mínima | Cerca de R$ 100 |
Para quem o NLFA11 faz sentido?
Investidores que querem:
Superar o CDI com baixo risco
Alta liquidez
Simplicidade e diversificação
Alternativa ao Tesouro Selic e CDBs tradicionais
Não indicado para quem busca:
Retornos agressivos
Isenção de imposto
Proteção do FGC
O NLFA11 surge como uma solução moderna para democratizar o acesso ao mercado de letras financeiras, oferecendo retorno levemente acima do CDI, com risco diluído e estrutura eficiente.
Não é um produto milagroso — mas pode ser uma peça estratégica dentro de uma carteira bem diversificada, especialmente em momentos de juros elevados e spreads mais apertados.
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