O fundo de infraestrutura CPTI11 iniciou 2026 chamando a atenção do mercado por reunir dois fatores raros no atual cenário: desconto em relação ao valor patrimonial e projeção de aumento relevante nos dividendos. Mesmo após a recuperação gradual dos FI-Infra, o fundo ainda negocia abaixo do valor de seus ativos, ao mesmo tempo em que elevou o patamar de distribuição mensal.
No início de fevereiro de 2026, a cota era negociada próxima de R$ 90, enquanto o valor patrimonial girava em torno de R$ 94,97, resultando em um P/VP aproximado de 0,94. Esse deságio indica que o investidor compra ativos de infraestrutura por um preço inferior ao valor contábil, algo cada vez menos comum entre fundos do segmento.
Dividendos: novo patamar para 2026
O grande destaque do CPTI11 para este ano está na projeção de rendimentos. O fundo divulgou um guidance de distribuição mensal entre R$ 1,10 e R$ 1,15 por cota ao longo de 2026, sinalizando um aumento estrutural em relação ao nível que vinha sendo praticado anteriormente.
O movimento já começou a se materializar: em fevereiro de 2026, o fundo distribuiu R$ 1,15 por cota, acima do patamar de R$ 1,00 observado durante boa parte de 2025. Mantido esse intervalo de pagamentos, o dividend yield anualizado fica entre 16,2% e 16,9%, considerando os preços atuais de mercado.
Além do percentual elevado, os rendimentos do CPTI11 contam com um diferencial importante: isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, característica dos fundos de infraestrutura.
Desconto e carrego elevado reforçam a atratividade
Ao negociar abaixo do valor patrimonial, o CPTI11 oferece um carrego implícito bastante elevado para novos investidores. Considerando o preço de mercado atual, o retorno real da carteira chega a IPCA + 12% ao ano, patamar acima da média observada em produtos de renda fixa e até em outros FI-Infra.
Esse carrego elevado significa que o investidor, ao comprar a cota hoje, trava uma taxa real expressiva, especialmente relevante em um cenário de expectativa de queda gradual da taxa Selic ao longo de 2026.
Por que o CPTI11 tende a pagar mais dividendos
O aumento projetado nos dividendos não ocorre por acaso. A estratégia do fundo ao longo dos últimos trimestres tem focado em três pilares principais:
Giro de carteira com ganho de taxa
A gestão realizou vendas de ativos com spreads menores e realocou recursos em novos papéis com taxas superiores, elevando o juro real médio da carteira.
Resultado recorrente acima da distribuição
O fundo vem apresentando resultado contábil superior ao volume distribuído, criando reservas que ajudam a sustentar o novo patamar de dividendos mesmo em períodos de maior volatilidade.
Cenário construtivo para crédito de infraestrutura
O ambiente de juros ainda elevados no início de 2026 favorece a captura de prêmios de risco atrativos em projetos de infraestrutura, ampliando a geração recorrente de caixa.
Estrutura da carteira e diversificação
O CPTI11 possui um patrimônio líquido superior a R$ 1,2 bilhão e uma carteira composta por cerca de 90 ativos de crédito, com exposição média inferior a 2% por ativo. Nenhum emissor concentra parcela relevante do patrimônio, o que reduz riscos específicos.
A alocação setorial é distribuída entre segmentos considerados essenciais e resilientes, como energia, rodovias, saneamento e telecomunicações. A maior parte da carteira está indexada ao IPCA, garantindo proteção inflacionária, com parcela menor atrelada ao CDI.
Comparação com renda fixa no longo prazo
Simulações de longo prazo mostram que diferenças aparentemente pequenas de rentabilidade mensal geram impactos relevantes ao longo dos anos. Um investimento com rendimento próximo de 1,2% ao mês, como o CPTI11 no cenário atual, tende a superar aplicações tradicionais que rendem cerca de 1% ao mês líquido, especialmente quando considerados prazos de 10 ou 20 anos.
Essa diferença é potencializada pela isenção de imposto de renda sobre os rendimentos, o que favorece o efeito dos juros compostos no longo prazo.
Preço atual e margem de segurança
Com a cota negociada abaixo de R$ 92, o CPTI11 ainda oferece margem de segurança para investidores que buscam retornos na faixa de 12% a 13% ao ano em dividendos reais. Para exigências de rentabilidade mais elevadas, o preço atual já reflete parte desse potencial, reforçando a importância de alinhar expectativa de retorno e estratégia de longo prazo.
CPTI11 vale a atenção em 2026
O CPTI11 entra em 2026 como um dos poucos fundos de infraestrutura que ainda combinam desconto patrimonial, guidance elevado de dividendos e carteira amplamente diversificada. Com projeção de distribuição mensal entre R$ 1,10 e R$ 1,15, rendimento real elevado e isenção fiscal, o fundo segue no radar de investidores focados em renda previsível e proteção contra a inflação.
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