As ações do Banco do Brasil voltaram ao radar de risco após dados recentes confirmarem uma piora relevante na qualidade do crédito, especialmente no agronegócio — setor responsável por uma fatia significativa da carteira do banco.
A preocupação do mercado não é pontual: trata-se de uma tendência que já se estende por vários trimestres e pode continuar impactando os resultados ao longo de 2026.
Inadimplência no agro bate recorde histórico
O dado mais crítico vem do crédito rural.
- A inadimplência acima de 90 dias chegou a cerca de 7,3% em janeiro de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2011
- Um ano antes, esse índice estava em apenas 2,7%, mostrando uma deterioração acelerada
- Em 2025, o Banco do Brasil já registrava cerca de 6,09% de inadimplência no agro, também em nível elevado
Além disso, o problema não é isolado:
- A inadimplência no agro vem subindo há 10 trimestres consecutivos dentro do banco
- O setor representa cerca de 1/3 da carteira total de crédito do Banco do Brasil
Resumo dos principais dados:
| Indicador | Valor recente | Tendência |
|---|---|---|
| Inadimplência agro (90 dias) | ~7,3% | Máxima histórica |
| BB – inadimplência agro | ~6,09% | Em alta |
| Crescimento anual | +4,6 p.p. | Forte deterioração |
| Participação do agro na carteira | ~33% | Muito relevante |
Crise no agronegócio agrava o cenário
O aumento da inadimplência não acontece por acaso. O setor enfrenta uma combinação de fatores negativos:
- Juros elevados
- Queda nos preços das commodities
- Custos de produção altos
- Endividamento crescente
Um reflexo direto disso foi o aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial no campo:
- 1.990 pedidos em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior
Mesmo com safra recorde, muitos produtores estão operando com margens apertadas, o que compromete a capacidade de pagamento.
Impacto direto nos resultados do Banco do Brasil
A deterioração do crédito já começou a afetar os números do banco:
- Lucro anual chegou a cair cerca de 45% em 2025, pressionado pelo aumento da inadimplência
- Provisões para perdas (PDD) aumentaram significativamente
- O custo do crédito subiu
Na prática, isso reduz:
- Rentabilidade
- Capacidade de distribuição de dividendos
- Confiança do mercado
BBAS3 pode cair mais? Veja os cenários
Diante desse cenário, o investidor precisa considerar dois caminhos possíveis:
Cenário pessimista (mais provável no curto prazo)
- Inadimplência continua elevada
- Resultados seguem pressionados
- Mercado reprecifica o ativo
- Ações podem buscar níveis mais baixos
Cenário otimista (dependente de melhora macro)
- Queda dos juros
- Recuperação das commodities
- Redução da inadimplência ao longo de 2026
- Possível retomada gradual das ações
O próprio banco já sinalizou que espera uma inflexão na inadimplência apenas a partir de 2026, indicando que o problema não é imediato de resolução
O que o investidor deve acompanhar agora
Para entender se BBAS3 ainda pode cair ou se começa a recuperar, os principais pontos de atenção são:
- Evolução da inadimplência acima de 90 dias
- Dados mensais do Banco Central sobre crédito rural
- Resultados trimestrais do banco
- Nível de provisões para perdas
- Cenário de juros e commodities
Risco real no curto prazo
O Banco do Brasil continua sendo uma das principais ações de dividendos da Bolsa, mas o cenário atual exige cautela.
A inadimplência no agro em máxima histórica não é apenas um ruído — é um fator estrutural que já está impactando os resultados e pode continuar pressionando as ações no curto prazo.
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