A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) está prestes a passar por um dos momentos mais transformadores de sua história. A privatização da empresa foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais em dezembro de 2025 e o processo deve ser concluído ainda no primeiro semestre de 2026, com previsão de leilão na B3 entre maio e junho.
O modelo definido prevê uma oferta secundária de ações (follow-on), na qual o governo estadual, atualmente detentor de cerca de 50,3% do capital, pretende reduzir sua participação para aproximadamente 5%, mantendo apenas uma golden share para decisões estratégicas.
Destinação dos recursos e impactos sociais
Parte dos recursos obtidos com a venda das ações será destinada à criação de um fundo estadual de saneamento, com o objetivo de expandir os serviços para municípios ainda não atendidos. Além disso, os valores também serão utilizados para:
- Amortização de dívidas do estado com a União por meio do programa Propag;
- Garantia de estabilidade de 18 meses para os funcionários;
- Manutenção e renovação de contratos de concessão com municípios.
Um dos pontos mais relevantes foi a renovação do contrato com Belo Horizonte, responsável por cerca de 30% da receita da companhia, agora estendido até 2073, garantindo previsibilidade de receitas no longo prazo.
Interesse de grandes investidores
O processo de privatização já desperta o interesse de importantes players do setor de infraestrutura e saneamento. Entre os possíveis interessados estão:
- Sabesp, possivelmente em parceria com a Equatorial;
- Aegea Saneamento;
- Itaúsa e fundos internacionais, incluindo investidores de Singapura;
- Acciona, empresa espanhola de infraestrutura;
- Veolia, multinacional francesa do setor de água e resíduos.
A expectativa é que um investidor estratégico adquira cerca de 30% das ações, enquanto aproximadamente 15,3% sejam ofertados ao mercado, incluindo investidores pessoa física.
Espaço para crescimento e universalização do saneamento
A Copasa atua em cerca de 75% dos municípios mineiros, atendendo aproximadamente 12 milhões de pessoas com abastecimento de água, o equivalente a 55% da população do estado. No entanto, ainda existem desafios significativos:
| Indicador | Situação Atual |
|---|---|
| População sem acesso à água tratada | 3,7 milhões |
| População sem coleta de esgoto | 5,5 milhões |
| Cobertura de esgoto tratado | 41% |
| Meta de universalização | Até 2030 |
Esses números evidenciam um grande potencial de expansão, tanto em termos econômicos quanto sociais, alinhado às metas do novo marco legal do saneamento.
Saúde financeira e eficiência operacional
A companhia apresenta fundamentos financeiros sólidos, com dívida líquida equivalente a aproximadamente 2,3 vezes o EBITDA, nível considerado confortável para empresas do setor.
Entretanto, há espaço para ganhos de eficiência. O índice de perdas de água chega a 37,6%, o que representa uma oportunidade significativa de melhoria operacional após a privatização.
Além disso, a empresa mantém um robusto programa de investimentos, que deve alcançar cerca de R$ 21 bilhões até 2028, impulsionando a expansão dos serviços e o crescimento da base de clientes.
Projeções financeiras e dividendos
As estimativas indicam um cenário promissor para os próximos anos:
| Indicador | Projeção |
|---|---|
| Crescimento da Receita | +8% |
| Crescimento do EBITDA | +31% |
| Crescimento do Lucro Líquido | +40% |
| Dividendos estimados | R$ 2,53 por ação |
| Dividend Yield | Aproximadamente 4,6% |
Essas projeções refletem o potencial de ganhos de eficiência e expansão após a entrada de um novo controlador.
Valuation: ação pode atingir R$ 77
Com as ações negociadas em torno de R$ 57,50, a estimativa de valor justo para dezembro de 2026 é de R$ 77, o que representa um potencial de valorização de cerca de 34%.
O múltiplo EV/EBITDA projetado de 9,1 está abaixo do observado na Sabesp (9,9), sugerindo que a Copasa ainda negocia com desconto em relação aos seus pares.
Comparação com a Sabesp reforça otimismo
A experiência recente da privatização da Sabesp serve como referência para o mercado. Após o processo, as ações da companhia apresentaram forte valorização, impulsionadas por ganhos de eficiência e aumento da confiança dos investidores. Embora não haja garantia de desempenho semelhante, o precedente reforça o otimismo em relação à Copasa.
Principais riscos do processo
Apesar do cenário positivo, alguns riscos devem ser considerados:
- Questionamentos judiciais por parte da oposição política;
- Definição final do modelo de venda e das metas de universalização;
- Necessidade de comprovação financeira pelos investidores estratégicos;
- Volatilidade do mercado até a conclusão do leilão.
Ainda assim, a probabilidade de interrupção do processo é considerada baixa.
Oportunidade estratégica para investidores
A privatização da Copasa representa uma oportunidade relevante tanto para investidores quanto para o desenvolvimento do saneamento em Minas Gerais. Com fundamentos sólidos, espaço para expansão e potencial de valorização expressivo, a companhia se posiciona como uma das principais apostas do setor de infraestrutura no Brasil em 2026.
Se as expectativas se confirmarem, a ação CSMG3 poderá combinar crescimento de capital e distribuição de dividendos, tornando-se uma alternativa atrativa para investidores de longo prazo.
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