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Início » Últimas Notícias » Copasa (CSMG3): privatização iminente pode levar ação a R$ 77
Ações

Copasa (CSMG3): privatização iminente pode levar ação a R$ 77

Com leilão previsto para maio ou junho, a privatização da Copasa promete expansão do saneamento em Minas Gerais e forte potencial de valorização das ações CSMG3
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins13 de abril de 20264 minutos lidos
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A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) está prestes a passar por um dos momentos mais transformadores de sua história. A privatização da empresa foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais em dezembro de 2025 e o processo deve ser concluído ainda no primeiro semestre de 2026, com previsão de leilão na B3 entre maio e junho.

O modelo definido prevê uma oferta secundária de ações (follow-on), na qual o governo estadual, atualmente detentor de cerca de 50,3% do capital, pretende reduzir sua participação para aproximadamente 5%, mantendo apenas uma golden share para decisões estratégicas.

Destinação dos recursos e impactos sociais

Parte dos recursos obtidos com a venda das ações será destinada à criação de um fundo estadual de saneamento, com o objetivo de expandir os serviços para municípios ainda não atendidos. Além disso, os valores também serão utilizados para:

  • Amortização de dívidas do estado com a União por meio do programa Propag;
  • Garantia de estabilidade de 18 meses para os funcionários;
  • Manutenção e renovação de contratos de concessão com municípios.

Um dos pontos mais relevantes foi a renovação do contrato com Belo Horizonte, responsável por cerca de 30% da receita da companhia, agora estendido até 2073, garantindo previsibilidade de receitas no longo prazo.

Interesse de grandes investidores

O processo de privatização já desperta o interesse de importantes players do setor de infraestrutura e saneamento. Entre os possíveis interessados estão:

  • Sabesp, possivelmente em parceria com a Equatorial;
  • Aegea Saneamento;
  • Itaúsa e fundos internacionais, incluindo investidores de Singapura;
  • Acciona, empresa espanhola de infraestrutura;
  • Veolia, multinacional francesa do setor de água e resíduos.

A expectativa é que um investidor estratégico adquira cerca de 30% das ações, enquanto aproximadamente 15,3% sejam ofertados ao mercado, incluindo investidores pessoa física.

Espaço para crescimento e universalização do saneamento

A Copasa atua em cerca de 75% dos municípios mineiros, atendendo aproximadamente 12 milhões de pessoas com abastecimento de água, o equivalente a 55% da população do estado. No entanto, ainda existem desafios significativos:

IndicadorSituação Atual
População sem acesso à água tratada3,7 milhões
População sem coleta de esgoto5,5 milhões
Cobertura de esgoto tratado41%
Meta de universalizaçãoAté 2030

Esses números evidenciam um grande potencial de expansão, tanto em termos econômicos quanto sociais, alinhado às metas do novo marco legal do saneamento.

Saúde financeira e eficiência operacional

A companhia apresenta fundamentos financeiros sólidos, com dívida líquida equivalente a aproximadamente 2,3 vezes o EBITDA, nível considerado confortável para empresas do setor.

Entretanto, há espaço para ganhos de eficiência. O índice de perdas de água chega a 37,6%, o que representa uma oportunidade significativa de melhoria operacional após a privatização.

Além disso, a empresa mantém um robusto programa de investimentos, que deve alcançar cerca de R$ 21 bilhões até 2028, impulsionando a expansão dos serviços e o crescimento da base de clientes.

Projeções financeiras e dividendos

As estimativas indicam um cenário promissor para os próximos anos:

IndicadorProjeção
Crescimento da Receita+8%
Crescimento do EBITDA+31%
Crescimento do Lucro Líquido+40%
Dividendos estimadosR$ 2,53 por ação
Dividend YieldAproximadamente 4,6%

Essas projeções refletem o potencial de ganhos de eficiência e expansão após a entrada de um novo controlador.

Valuation: ação pode atingir R$ 77

Com as ações negociadas em torno de R$ 57,50, a estimativa de valor justo para dezembro de 2026 é de R$ 77, o que representa um potencial de valorização de cerca de 34%.

O múltiplo EV/EBITDA projetado de 9,1 está abaixo do observado na Sabesp (9,9), sugerindo que a Copasa ainda negocia com desconto em relação aos seus pares.

Comparação com a Sabesp reforça otimismo

A experiência recente da privatização da Sabesp serve como referência para o mercado. Após o processo, as ações da companhia apresentaram forte valorização, impulsionadas por ganhos de eficiência e aumento da confiança dos investidores. Embora não haja garantia de desempenho semelhante, o precedente reforça o otimismo em relação à Copasa.

Principais riscos do processo

Apesar do cenário positivo, alguns riscos devem ser considerados:

  • Questionamentos judiciais por parte da oposição política;
  • Definição final do modelo de venda e das metas de universalização;
  • Necessidade de comprovação financeira pelos investidores estratégicos;
  • Volatilidade do mercado até a conclusão do leilão.

Ainda assim, a probabilidade de interrupção do processo é considerada baixa.

Oportunidade estratégica para investidores

A privatização da Copasa representa uma oportunidade relevante tanto para investidores quanto para o desenvolvimento do saneamento em Minas Gerais. Com fundamentos sólidos, espaço para expansão e potencial de valorização expressivo, a companhia se posiciona como uma das principais apostas do setor de infraestrutura no Brasil em 2026.

Se as expectativas se confirmarem, a ação CSMG3 poderá combinar crescimento de capital e distribuição de dividendos, tornando-se uma alternativa atrativa para investidores de longo prazo.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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