A CSN Mineração, negociada na Bolsa pelo código CMIN3, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 222,1 milhões. O resultado representa uma recuperação diante do prejuízo registrado no mesmo período de 2025.
A melhora não ocorreu por uma forte expansão das vendas. A companhia ainda enfrentou os efeitos da valorização do real, das chuvas em Minas Gerais e do aumento dos custos relacionados ao transporte marítimo.
O principal destaque foi a capacidade de preservar a rentabilidade mesmo nesse ambiente. O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,42 bilhão, praticamente estável na comparação anual, enquanto a margem EBITDA subiu para 44,9%.
Receita cai mas custos ajudam a sustentar a margem
A receita líquida ajustada da CSN Mineração ficou em R$ 3,17 bilhões no trimestre, com queda anual de 7,2%. O câmbio mais valorizado reduziu a conversão das receitas obtidas com exportações.
Em contrapartida, o custo dos produtos vendidos recuou 9,1%, para R$ 2,03 bilhões. A companhia reduziu as compras de minério de terceiros e aumentou a participação da produção própria, que apresenta uma estrutura de custos mais favorável.
O custo C1 ficou em US$ 23,10 por tonelada. O indicador recuou ligeiramente diante do trimestre anterior, mas permaneceu acima dos US$ 21 por tonelada registrados um ano antes.
| Indicador | Resultado no 1T26 | Comparação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida ajustada | R$ 3,17 bilhões | -7,2% |
| EBITDA ajustado | R$ 1,42 bilhão | -0,5% |
| Margem EBITDA ajustada | 44,9% | +3 pontos percentuais |
| Lucro líquido | R$ 222,1 milhões | Reversão de prejuízo |
| Custo dos produtos vendidos | R$ 2,03 bilhões | -9,1% |
| Investimentos | R$ 431 milhões | +14,3% |
| Dívida líquida | R$ 683,1 milhões | — |
| Disponibilidades | R$ 8,8 bilhões | — |
Produção própria cresce mesmo durante período chuvoso
A produção total, incluindo o minério comprado de terceiros, alcançou aproximadamente 10,1 milhões de toneladas. O volume ficou abaixo do registrado um ano antes, principalmente devido à menor aquisição de material externo.
A produção própria, porém, avançou 6,7% na comparação anual. O desempenho mostra melhora operacional mesmo durante um trimestre marcado por chuvas mais intensas, que normalmente prejudicam a extração e a movimentação do minério.
As vendas chegaram a cerca de 9,6 milhões de toneladas e permaneceram praticamente estáveis. A estratégia de priorizar o minério produzido pela própria companhia ajudou a melhorar o mix comercializado e a diluição dos custos.
Dívida permanece baixa mas caixa livre fica negativo
A CSN Mineração terminou março com R$ 8,8 bilhões em caixa e aplicações financeiras. A dívida líquida ficou em R$ 683,1 milhões, com relação entre dívida líquida e EBITDA de apenas 0,11 vez.
O nível de alavancagem continua baixo e indica que a empresa possui capacidade para financiar seus projetos. Entretanto, o fluxo de caixa livre ajustado ficou negativo em R$ 520,4 milhões no trimestre.
O consumo de caixa foi influenciado pelo capital de giro e pelo avanço das obras do projeto P15. Os investimentos somaram R$ 431 milhões, crescimento de 14,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A expansão pode aumentar a produção futura, mas também exige recursos e pode reduzir o espaço para dividendos extraordinários no curto prazo.
Dividendos continuam relevantes
Em abril de 2026, a companhia aprovou R$ 768,6 milhões em dividendos relativos ao exercício de 2025. O valor corresponde a aproximadamente R$ 0,14 por ação, mas a data de pagamento ainda não aparece definida no histórico oficial de proventos.
Também existem dividendos e juros sobre capital próprio aprovados no fim de 2025 que permanecem pendentes de pagamento. Portanto, o investidor deve separar os valores já aprovados dos eventuais proventos que ainda dependerão dos resultados futuros.
O histórico de distribuição da companhia é forte, mas os pagamentos realizados durante períodos de minério valorizado não devem ser projetados automaticamente para os próximos anos.
CMIN3 ainda vale a pena?
CMIN3 reúne fundamentos importantes, como margem operacional elevada, produção própria crescente, infraestrutura logística e endividamento baixo. A companhia também demonstrou capacidade para reduzir custos e recuperar o lucro.
Por outro lado, a ação permanece exposta ao preço internacional do minério de ferro, ao câmbio, ao custo do frete e à demanda chinesa. Além disso, o aumento dos investimentos e o fluxo de caixa negativo exigem cautela com projeções de dividendos.
A queda da ação, isoladamente, não transforma CMIN3 em uma oportunidade garantida. O papel pode fazer sentido para investidores que aceitam a volatilidade das commodities e possuem uma estratégia de longo prazo, mas o retorno dependerá principalmente da execução dos projetos e da evolução do mercado de minério.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






