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Início » CMIN3 cai para R$ 4,13 mesmo com dividendos acima de 15% e recompra de ações
Ações

CMIN3 cai para R$ 4,13 mesmo com dividendos acima de 15% e recompra de ações

CSN Mineração mantém margens elevadas e baixa alavancagem, mas lucro menor, câmbio desfavorável e custos de frete ajudam a explicar a pressão sobre as ações
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins21 de junho de 20264 minutos lidos
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As ações da CSN Mineração (CMIN3) encerraram o último pregão cotadas em aproximadamente R$ 4,13, acumulando pressão mesmo diante da estabilidade do minério de ferro e do histórico de dividendos elevados da companhia.

A queda chama atenção porque a mineradora apresentou EBITDA superior a R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2026, manteve baixa alavancagem e anunciou um programa de recompra de ações. Entretanto, o lucro líquido diminuiu, o real mais valorizado prejudicou a receita e o frete marítimo ficou mais caro.

CSN Mineração lucra R$ 222 milhões no primeiro trimestre

A CSN Mineração registrou lucro líquido de R$ 222 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado foi afetado principalmente pela variação cambial e pela sazonalidade característica dos primeiros meses do ano.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,42 bilhão, praticamente estável na comparação anual. A margem EBITDA ajustada ficou em 44,90%, demonstrando que a operação permanece rentável apesar das pressões sobre receita e custos.

A receita líquida ajustada somou R$ 3,17 bilhões, queda de 23% em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 7,20% na comparação com o primeiro trimestre daquele ano.

IndicadorResultado do 1T26
Receita líquida ajustadaR$ 3,17 bilhões
EBITDA ajustadoR$ 1,42 bilhão
Margem EBITDA ajustada44,90%
Lucro líquidoR$ 222 milhões
Produção de minério10,06 milhões de toneladas
Volume vendido9,64 milhões de toneladas
Dívida líquida sobre EBITDA0,11 vez
Cotação recente de CMIN3R$ 4,13

A companhia explicou que a valorização do real reduziu o resultado convertido para a moeda brasileira. O dólar usado como referência passou de R$ 5,74 no encerramento de março de 2025 para R$ 5,22 no final de março de 2026.

Produção própria cresce mesmo com chuvas fortes

A produção total de minério de ferro, incluindo compras de terceiros, atingiu 10,06 milhões de toneladas, recuo de 1,50% na comparação anual.

Apesar disso, a produção própria cresceu 6,70% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O avanço ocorreu mesmo com as chuvas intensas registradas em Minas Gerais.

O volume comercializado chegou a 9,64 milhões de toneladas, praticamente estável na comparação anual, embora tenha caído 19,60% diante do quarto trimestre de 2025.

Já os embarques realizados pelo terminal portuário TECAR alcançaram o recorde de 8,72 milhões de toneladas para um primeiro trimestre, crescimento anual de 1,40%.

Minério estável não impediu pressão sobre as margens

O minério de ferro encerrou o primeiro trimestre com preço médio de US$ 104 por tonelada, próximo dos US$ 103,60 observados no mesmo período de 2025.

O problema veio principalmente do frete marítimo. O custo médio da rota entre o Brasil e a China subiu de US$ 19,48 para US$ 24,83 por tonelada em um ano.

O custo caixa C1 da CSN Mineração também aumentou de US$ 21 para US$ 23,10 por tonelada. A combinação entre real valorizado, frete mais caro e custos logísticos maiores limitou o benefício proporcionado pela estabilidade do minério.

Dividendos de CMIN3 superam 15% sobre a cotação atual

Os proventos referentes ao exercício de 2025 somam aproximadamente R$ 0,63 por ação, considerando dividendos e juros sobre capital próprio aprovados ao longo do período.

Em relação à cotação de R$ 4,13, esse valor representa um retorno bruto próximo de 15,10%. Esse percentual é apenas uma comparação histórica e não significa que o mesmo rendimento será repetido.

Do total, aproximadamente R$ 0,22 por ação ainda deverá ser pago até 31 de dezembro de 2026. A parcela pendente corresponde a cerca de R$ 1,19 bilhão.

Os juros sobre capital próprio estão sujeitos à retenção de Imposto de Renda. Além disso, o preço da ação é ajustado quando o papel passa a ser negociado sem direito ao provento.

Recompra de ações pode reduzir a pressão sobre CMIN3

Em maio de 2026, a CSN Mineração aprovou a recompra de até 50 milhões de ações, equivalentes a aproximadamente 3,18% dos papéis em circulação no mercado.

A recompra pode ajudar a sustentar a cotação e aumentar proporcionalmente a participação dos acionistas restantes caso os papéis sejam cancelados. Porém, a medida não garante valorização.

CMIN3 vale a pena pelos dividendos?

A CSN Mineração apresenta operação rentável, margem EBITDA elevada e alavancagem de apenas 0,11 vez. Esses números mostram uma situação financeira mais confortável do que a observada em sua controladora CSN.

Por outro lado, CMIN3 permanece exposta ao mercado chinês, à cotação do dólar, ao minério de ferro e aos custos de transporte marítimo. A necessidade de investimentos para expansão também pode reduzir o caixa disponível para novos dividendos.

Por isso, o rendimento superior a 15% calculado com os proventos de 2025 não deve ser usado isoladamente para decidir uma compra. A ação pode estar negociando em uma faixa atrativa, mas continua sendo um investimento cíclico e sujeito a oscilações fortes.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos. Atua há mais de 10 anos no mercado financeiro, com experiência em renda fixa, ações, fundos imobiliários e previdência privada. Em A Revista, compartilha estratégias e análises para quem deseja investir com segurança e visão de longo prazo.

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