As ações da CSN Mineração (CMIN3) encerraram o último pregão cotadas em aproximadamente R$ 4,13, acumulando pressão mesmo diante da estabilidade do minério de ferro e do histórico de dividendos elevados da companhia.
A queda chama atenção porque a mineradora apresentou EBITDA superior a R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2026, manteve baixa alavancagem e anunciou um programa de recompra de ações. Entretanto, o lucro líquido diminuiu, o real mais valorizado prejudicou a receita e o frete marítimo ficou mais caro.
CSN Mineração lucra R$ 222 milhões no primeiro trimestre
A CSN Mineração registrou lucro líquido de R$ 222 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado foi afetado principalmente pela variação cambial e pela sazonalidade característica dos primeiros meses do ano.
O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,42 bilhão, praticamente estável na comparação anual. A margem EBITDA ajustada ficou em 44,90%, demonstrando que a operação permanece rentável apesar das pressões sobre receita e custos.
A receita líquida ajustada somou R$ 3,17 bilhões, queda de 23% em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 7,20% na comparação com o primeiro trimestre daquele ano.
| Indicador | Resultado do 1T26 |
|---|---|
| Receita líquida ajustada | R$ 3,17 bilhões |
| EBITDA ajustado | R$ 1,42 bilhão |
| Margem EBITDA ajustada | 44,90% |
| Lucro líquido | R$ 222 milhões |
| Produção de minério | 10,06 milhões de toneladas |
| Volume vendido | 9,64 milhões de toneladas |
| Dívida líquida sobre EBITDA | 0,11 vez |
| Cotação recente de CMIN3 | R$ 4,13 |
A companhia explicou que a valorização do real reduziu o resultado convertido para a moeda brasileira. O dólar usado como referência passou de R$ 5,74 no encerramento de março de 2025 para R$ 5,22 no final de março de 2026.
Produção própria cresce mesmo com chuvas fortes
A produção total de minério de ferro, incluindo compras de terceiros, atingiu 10,06 milhões de toneladas, recuo de 1,50% na comparação anual.
Apesar disso, a produção própria cresceu 6,70% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O avanço ocorreu mesmo com as chuvas intensas registradas em Minas Gerais.
O volume comercializado chegou a 9,64 milhões de toneladas, praticamente estável na comparação anual, embora tenha caído 19,60% diante do quarto trimestre de 2025.
Já os embarques realizados pelo terminal portuário TECAR alcançaram o recorde de 8,72 milhões de toneladas para um primeiro trimestre, crescimento anual de 1,40%.
Minério estável não impediu pressão sobre as margens
O minério de ferro encerrou o primeiro trimestre com preço médio de US$ 104 por tonelada, próximo dos US$ 103,60 observados no mesmo período de 2025.
O problema veio principalmente do frete marítimo. O custo médio da rota entre o Brasil e a China subiu de US$ 19,48 para US$ 24,83 por tonelada em um ano.
O custo caixa C1 da CSN Mineração também aumentou de US$ 21 para US$ 23,10 por tonelada. A combinação entre real valorizado, frete mais caro e custos logísticos maiores limitou o benefício proporcionado pela estabilidade do minério.
Dividendos de CMIN3 superam 15% sobre a cotação atual
Os proventos referentes ao exercício de 2025 somam aproximadamente R$ 0,63 por ação, considerando dividendos e juros sobre capital próprio aprovados ao longo do período.
Em relação à cotação de R$ 4,13, esse valor representa um retorno bruto próximo de 15,10%. Esse percentual é apenas uma comparação histórica e não significa que o mesmo rendimento será repetido.
Do total, aproximadamente R$ 0,22 por ação ainda deverá ser pago até 31 de dezembro de 2026. A parcela pendente corresponde a cerca de R$ 1,19 bilhão.
Os juros sobre capital próprio estão sujeitos à retenção de Imposto de Renda. Além disso, o preço da ação é ajustado quando o papel passa a ser negociado sem direito ao provento.
Recompra de ações pode reduzir a pressão sobre CMIN3
Em maio de 2026, a CSN Mineração aprovou a recompra de até 50 milhões de ações, equivalentes a aproximadamente 3,18% dos papéis em circulação no mercado.
A recompra pode ajudar a sustentar a cotação e aumentar proporcionalmente a participação dos acionistas restantes caso os papéis sejam cancelados. Porém, a medida não garante valorização.
CMIN3 vale a pena pelos dividendos?
A CSN Mineração apresenta operação rentável, margem EBITDA elevada e alavancagem de apenas 0,11 vez. Esses números mostram uma situação financeira mais confortável do que a observada em sua controladora CSN.
Por outro lado, CMIN3 permanece exposta ao mercado chinês, à cotação do dólar, ao minério de ferro e aos custos de transporte marítimo. A necessidade de investimentos para expansão também pode reduzir o caixa disponível para novos dividendos.
Por isso, o rendimento superior a 15% calculado com os proventos de 2025 não deve ser usado isoladamente para decidir uma compra. A ação pode estar negociando em uma faixa atrativa, mas continua sendo um investimento cíclico e sujeito a oscilações fortes.
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