A Itaúsa, dona das ações ITSA3 e ITSA4, não seguirá como investidora de referência da Copasa. A holding havia entrado na disputa por meio da Livorno Participações, estrutura societária formada com acionistas da Aegea para concorrer à compra de uma participação relevante na companhia mineira.
Na etapa final, entretanto, apenas a Equatorial Energia apresentou uma nova proposta. A empresa ofereceu R$ 49,03 por ação e foi confirmada como investidora de referência, com prioridade para adquirir aproximadamente 30% do capital da Copasa.
O investimento inicial da Equatorial será de cerca de R$ 5,59 bilhões. Considerando a participação de 33% que a Itaúsa teria na Livorno, o desembolso econômico da holding poderia ficar próximo de R$ 1,84 bilhão, caso o grupo tivesse vencido pelo mesmo valor.
O que muda para a dívida da ITSA4
A saída da disputa elimina uma possível pressão imediata sobre o caixa e o endividamento da Itaúsa. No primeiro trimestre de 2026, a holding encerrou o período com dívida líquida de aproximadamente R$ 1 bilhão.
Um aporte próximo de R$ 1,84 bilhão poderia elevar a necessidade de financiamento ou reduzir temporariamente os recursos disponíveis no caixa. O impacto efetivo dependeria da forma escolhida para financiar a operação, incluindo caixa próprio, novas dívidas ou dividendos recebidos das investidas.
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Participação da Equatorial na Copasa | 30% |
| Preço oferecido por ação | R$ 49,03 |
| Investimento inicial da Equatorial | R$ 5,59 bilhões |
| Participação prevista da Itaúsa na Livorno | 33% |
| Possível aporte econômico da Itaúsa | R$ 1,84 bilhão |
| Dívida líquida da Itaúsa no 1T26 | R$ 1 bilhão |
Mesmo que a Itaúsa tivesse realizado o investimento, sua situação financeira não necessariamente se tornaria preocupante. A companhia possui classificação máxima de crédito em escala nacional e não tem vencimentos de principal previstos até 2028.
Ainda assim, ficar fora da operação preserva flexibilidade para reduzir dívidas, realizar novos investimentos, recomprar ações ou ampliar a remuneração dos acionistas.
Dividendos da Itaúsa não serão reduzidos por causa da Copasa
Como a aquisição não será realizada, não haverá desembolso relacionado à Copasa capaz de pressionar diretamente os dividendos de ITSA4. Isso não representa garantia de aumento nos pagamentos, mas elimina um fator que poderia consumir parte relevante do caixa.
A Itaúsa mantém uma política de pagamentos trimestrais de R$ 0,02 líquidos por ação. Além disso, a companhia possui dois pagamentos adicionais de juros sobre capital próprio programados para 31 de agosto de 2026.
Um deles corresponde a R$ 0,0957 líquido por ação, considerando a retenção de Imposto de Renda. O segundo equivale a R$ 0,11385 líquido por ação. Somados ao pagamento trimestral previsto para 1º de julho, esses valores reforçam a remuneração esperada pelos acionistas durante 2026.
Lucro de R$ 4,49 bilhões sustenta geração de caixa
A Itaúsa registrou lucro líquido recorrente de R$ 4,49 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 17% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo Itaú Unibanco, que continua representando a maior parcela do portfólio da holding. As empresas não financeiras também avançaram e contribuíram com R$ 456 milhões para o resultado recorrente da Itaúsa, alta anual de mais de 76%.
A participação na Copasa ajudaria a Itaúsa a ampliar sua presença no saneamento, setor no qual já está exposta por meio da Aegea. Contudo, esse tipo de investimento exige elevado volume de capital e pode levar anos para gerar dividendos mais expressivos.
Ficar fora da Copasa foi positivo para ITSA4
No curto prazo, o desfecho pode ser considerado positivo para os investidores focados em dividendos. A Itaúsa mantém o caixa preservado, evita elevar sua dívida e continua com capacidade para remunerar os acionistas.
Por outro lado, a holding perde a oportunidade de aumentar sua exposição a uma empresa de saneamento com potencial de ganhos de eficiência após a privatização.
Para ITSA4, a conclusão mais importante é que a Copasa deixa de representar um risco para o balanço e para os dividendos no curto prazo. O desempenho da ação continuará dependendo principalmente dos resultados do Itaú Unibanco, da evolução das demais investidas e do tamanho do desconto de holding.
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