As ações preferenciais do Banrisul encerraram o pregão de sexta-feira, 19 de junho de 2026, cotadas a R$ 13,71, com queda de 4,66%. A forte desvalorização ocorreu após o banco divulgar as condições para renovar os serviços relacionados à folha de pagamento do Estado do Rio Grande do Sul.
O contrato foi estimado em aproximadamente R$ 1,26 bilhão e terá duração de cinco anos. O desembolso elevado gerou preocupação porque representa quase 80% do lucro líquido recorde de R$ 1,6 bilhão registrado pelo Banrisul durante todo o ano de 2025.
Apesar da reação negativa, a queda também voltou a colocar BRSR6 no radar de investidores interessados em ações descontadas e pagadoras de dividendos.
Contrato de R$ 1,26 bilhão pressiona BRSR6
O Conselho de Administração do Banrisul aprovou as condições da renovação em 18 de junho. O pagamento será calculado com base em R$ 70 mensais por CPF de servidor atendido.
Considerando a folha de abril de 2026, aproximadamente R$ 1,23 bilhão correspondem aos servidores ativos, aposentados e pensionistas ligados diretamente ao Estado. Outros R$ 35 milhões estão relacionados às autarquias e fundações estaduais.
A manutenção da folha é estratégica porque garante ao banco o relacionamento com uma ampla base de clientes. A instituição pode oferecer crédito consignado, cartões, seguros, investimentos e outros serviços aos servidores.
O problema é o custo. Em 2016, o Banrisul havia desembolsado valor próximo de R$ 1,20 bilhão por um contrato com prazo de dez anos. Agora, o valor é semelhante, mas cobre somente cinco anos, elevando de maneira significativa o custo anual da operação.
| Dados da operação | Valores confirmados |
|---|---|
| Valor estimado do contrato | R$ 1,26 bilhão |
| Serviços prestados ao Estado | R$ 1,23 bilhão |
| Autarquias e fundações | R$ 35 milhões |
| Prazo do novo contrato | 5 anos |
| Valor mensal por servidor | R$ 70 |
| Fechamento de BRSR6 em 19 de junho | R$ 13,71 |
| Queda no pregão | 4,66% |
Lucro do Banrisul caiu no primeiro trimestre
A preocupação do mercado não está restrita ao contrato. O Banrisul apresentou lucro líquido de R$ 221,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2025.
Em relação ao quarto trimestre, a retração foi maior porque o resultado anterior havia sido beneficiado por efeitos fiscais extraordinários. O retorno sobre o patrimônio ficou em 7,9%, nível considerado baixo quando comparado aos principais bancos privados.
As despesas com provisões para perdas de crédito alcançaram R$ 542 milhões, avanço de 62,1% na comparação anual. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,81%, tornando-se um dos principais pontos de atenção da tese.
Por outro lado, a margem financeira cresceu 12,5% em um ano e os índices de capital permaneceram confortáveis. Isso mostra que o banco continua capitalizado, embora enfrente maior pressão sobre a qualidade da carteira.
Dividendos de BRSR6 continuam atraentes
O Banrisul mantém uma política de distribuição equivalente a 40% do lucro líquido ajustado, após a constituição da reserva legal. A instituição também costuma remunerar os acionistas várias vezes durante o ano por meio de dividendos e juros sobre capital próprio.
Em junho, o banco aprovou R$ 90 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao segundo trimestre de 2026. O valor bruto corresponde a aproximadamente R$ 0,2201 por ação.
Nos 12 meses anteriores ao fechamento de 19 de junho, BRSR6 acumulava aproximadamente R$ 1,16 por ação em proventos. Com a cotação de R$ 13,71, o dividend yield histórico estava próximo de 11,6%.
Esse percentual não representa garantia de retorno futuro. Os próximos pagamentos dependerão do lucro, das provisões, das exigências de capital e dos efeitos financeiros do novo contrato.
BRSR6 vale a pena após a queda
BRSR6 negocia com múltiplos inferiores aos de grandes bancos, mas parte desse desconto está ligada à baixa rentabilidade, à concentração regional e ao controle estatal.
Entre os pontos positivos estão o histórico de dividendos, a forte presença no Rio Grande do Sul, a base de servidores públicos e a estrutura de capital considerada confortável.
Os riscos incluem o aumento da inadimplência, o crescimento das provisões, a rentabilidade abaixo dos concorrentes e o desembolso bilionário pela folha estadual.
A queda tornou a ação mais barata, mas não eliminou os riscos. Para o investidor de dividendos, o principal indicador será a capacidade do Banrisul de recuperar a rentabilidade sem comprometer a qualidade do crédito e a remuneração dos acionistas.
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