As ações do Banco do Brasil permanecem pressionadas após uma forte deterioração dos resultados financeiros. No pregão de 19 de junho, BBAS3 encerrou negociada perto de R$ 19,40, acumulando queda de aproximadamente 9% em 2026.
A desvalorização reflete principalmente o avanço da inadimplência no agronegócio, o aumento das despesas com provisões e a queda da rentabilidade. Apesar de continuar sendo um dos maiores bancos do país, o Banco do Brasil atravessa um período de recuperação mais lento do que o mercado esperava.
Lucro do Banco do Brasil despenca 53%
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,40 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa queda de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025.
A rentabilidade medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido caiu para 7,3%. O indicador está muito distante dos níveis superiores a 20% observados antes do agravamento dos problemas na carteira de crédito.
| Indicador | Resultado no 1T26 |
|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 3,40 bilhões |
| Queda anual do lucro | 53,5% |
| Retorno sobre patrimônio | 7,3% |
| Inadimplência no agronegócio | 6,22% |
| Receitas de serviços | R$ 8,80 bilhões |
| Despesas administrativas | R$ 10,00 bilhões |
O banco também enfrentou um salto no custo do crédito. Esse custo inclui as provisões constituídas para absorver possíveis perdas provocadas por clientes que deixaram de pagar seus financiamentos.
Agronegócio continua sendo o principal problema
A inadimplência acima de 90 dias na carteira do agronegócio atingiu 6,22% no primeiro trimestre. O crescimento das recuperações judiciais e as dificuldades enfrentadas por produtores rurais elevaram o risco de crédito do banco.
Como o Banco do Brasil possui uma das maiores carteiras de financiamento rural do país, o impacto sobre seus resultados é mais elevado do que em concorrentes menos expostos ao setor.
Isso obriga a instituição a aumentar as provisões. Embora essas reservas protejam o balanço contra futuras perdas, elas reduzem diretamente o lucro disponível para distribuição aos acionistas.
Banco reduz projeção de lucro para 2026
Após divulgar os números do primeiro trimestre, o Banco do Brasil reduziu sua projeção de lucro líquido ajustado para 2026.
A estimativa passou de uma faixa entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para um intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. No ponto médio, o banco espera lucrar aproximadamente R$ 20 bilhões no ano.
A revisão mostra que a administração não espera uma normalização imediata da carteira de crédito. O segundo trimestre ainda poderá apresentar provisões elevadas e pressão sobre a rentabilidade.
Dividendos de BBAS3 também perdem força
O Banco do Brasil manteve para 2026 um payout de 30%. Isso significa que cerca de 30% do lucro ajustado deverá ser distribuído em dividendos ou juros sobre capital próprio.
Como o lucro projetado diminuiu, o valor total destinado aos investidores também tende a cair. A ação pode continuar pagando proventos, mas dificilmente repetirá no curto prazo os rendimentos registrados durante os anos de lucros recordes.
Considerando a atual projeção de lucro entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, a distribuição teórica de 30% poderia ficar entre R$ 5,40 bilhões e R$ 6,60 bilhões durante o ano. O valor efetivamente pago dependerá dos resultados trimestrais e das decisões do Conselho de Administração.
Aumento de capital não foi anunciado
O Estatuto Social do Banco do Brasil estabelece um limite de capital autorizado de até R$ 150 bilhões. Isso permite que o banco amplie seu capital dentro desse teto sem precisar alterar novamente o estatuto.
Entretanto, essa autorização não significa que haverá imediatamente um aumento de capital de R$ 30 bilhões. Também não existe confirmação oficial de bonificação de ações.
Qualquer emissão de novos papéis ou bonificação precisaria ser formalmente aprovada e comunicada ao mercado. Portanto, investidores não devem considerar essa possibilidade como um pagamento já garantido.
Resultado do segundo trimestre será decisivo
O Banco do Brasil divulgará o resultado do segundo trimestre em 12 de agosto de 2026. O mercado acompanhará principalmente a inadimplência rural, as provisões, o custo do crédito e a manutenção das projeções anuais.
BBAS3 apresenta uma avaliação descontada em relação ao patrimônio do banco, mas o desconto reflete riscos reais. Uma recuperação mais consistente dependerá da redução das perdas no agronegócio e da retomada da rentabilidade.
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