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Início » Últimas Notícias » CMIG4 volta ao radar após queda ampliar margem de segurança
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CMIG4 volta ao radar após queda ampliar margem de segurança

Investidor retomou as compras de ações da Cemig após a cotação se aproximar de R$ 10,70 e afirmou enxergar uma relação mais atrativa entre preço, dividendos e qualidade do negócio.
Fabiane MeloPor Fabiane Melo15 de junho de 20267 minutos lidos
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CMIG4 volta ao radar após queda ampliar margem de segurança
CMIG4 volta ao radar após queda ampliar margem de segurança

As ações preferenciais da Cemig voltaram ao radar de investidores que buscam empresas consolidadas, geração de dividendos e maior previsibilidade de resultados. Após um período sem aumentar sua posição, o investidor Bruno Rosolini informou que retomou as compras de CMIG4 aproveitando a recente correção dos papéis.

Segundo ele, a queda melhorou a margem de segurança da ação e criou uma condição mais favorável para o reinvestimento de dividendos. A nova compra foi realizada por aproximadamente R$ 10,74 por ação, com a aquisição de 47 papéis.

O aporte não representou a entrada de recursos novos na carteira. O valor veio de dividendos que estavam disponíveis e ainda não haviam sido reinvestidos. A estratégia consiste em utilizar os próprios proventos recebidos para ampliar gradualmente a participação nas empresas selecionadas.

A decisão também ocorre em um momento de maior volatilidade na Bolsa brasileira. O Ibovespa chegou a avançar durante o pregão, mas perdeu força e terminou o dia em queda, mostrando como mudanças rápidas no cenário financeiro podem criar diferentes pontos de entrada para investidores de longo prazo.

Queda aproximou CMIG4 de uma região considerada atrativa

CMIG4 vinha sendo negociada perto de R$ 10,70, após se afastar das máximas registradas nos últimos 12 meses. Para Rosolini, esse recuo deixou a ação mais próxima de uma faixa considerada interessante para novas compras.

Na avaliação apresentada pelo investidor, o preço justo estimado estaria próximo de R$ 12 por ação. Considerando uma compra ao redor de R$ 10,74, a diferença representaria uma margem de segurança próxima de 10%.

Essa conta, no entanto, depende das premissas utilizadas em cada análise. O chamado preço justo não é um valor definido pela Bolsa ou pela própria empresa. Ele representa uma estimativa construída a partir de lucro, geração de caixa, dividendos, endividamento, riscos e perspectivas futuras.

Caso os resultados da Cemig fiquem abaixo do esperado, o valor considerado justo também pode ser reduzido. Por outro lado, uma melhora operacional ou uma distribuição maior de dividendos pode elevar as projeções.

Dividendos continuam entre os principais atrativos da Cemig

Além do preço das ações, a capacidade de distribuir proventos permanece como um dos principais fatores acompanhados pelos acionistas da Cemig.

A companhia registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 4,90 bilhões em 2025. Desse total, foram destinados cerca de R$ 3,51 bilhões aos acionistas na forma de dividendos e juros sobre capital próprio.

A distribuição relacionada ao exercício de 2025 correspondeu a aproximadamente R$ 1,23 por ação, considerando os valores aprovados e declarados ao longo do período. Parte desses recursos foi programada para pagamento em parcelas durante 2026.

Apenas os dividendos adicionais aprovados na assembleia de abril somaram aproximadamente R$ 676,14 milhões, equivalentes a R$ 0,24 por ação. O pagamento foi dividido em duas parcelas de cerca de R$ 0,12 por ação, previstas para junho e dezembro.

Provento aprovadoValor aproximado
JCP declarado em 2025R$ 0,85 por ação
Dividendos declarados em 2025R$ 0,15 por ação
Dividendos adicionais aprovados em 2026R$ 0,24 por ação
Total relacionado ao exercício de 2025R$ 1,23 por ação

Os juros sobre capital próprio estão sujeitos à retenção de Imposto de Renda na fonte, enquanto os dividendos seguem a tributação aplicável na data do pagamento.

Apesar do histórico de remuneração, os valores futuros não são garantidos. Os pagamentos dependem da geração de lucro, das necessidades de investimento, do endividamento e das decisões tomadas pela administração e pelos acionistas.

Projeção conservadora aponta retorno próximo de 7%

Na análise apresentada, Rosolini utilizou uma projeção conservadora de aproximadamente R$ 0,75 em dividendos por ação para os próximos períodos.

Considerando uma cotação próxima de R$ 10,74, esse valor representaria um dividend yield estimado ao redor de 7%. O percentual é inferior ao rendimento calculado com base nos proventos distribuídos anteriormente, mas busca incorporar uma margem maior de cautela.

O cálculo não significa que a Cemig pagará exatamente R$ 0,75 por ação. Trata-se apenas de uma estimativa utilizada pelo investidor para avaliar se o preço atual oferece retorno suficiente diante dos riscos existentes.

Uma eventual distribuição acima desse valor elevaria o rendimento. Uma redução do lucro ou uma necessidade maior de recursos para investimentos poderia diminuir os dividendos.

Análise técnica reforçou decisão de longo prazo

Outro ponto observado foi a posição de CMIG4 em relação à média móvel de 200 períodos. O papel voltou a ser negociado abaixo dessa referência, utilizada por participantes do mercado para identificar tendências mais longas.

Em movimentos anteriores, as ações chegaram a se aproximar dessa média e posteriormente apresentaram recuperação. Esse comportamento contribuiu para a decisão de compra, mas não foi tratado como o principal fundamento do investimento.

Médias móveis mostram apenas o comportamento passado da cotação. Elas não conseguem prever resultados financeiros, mudanças regulatórias ou decisões políticas que possam afetar a empresa.

Para uma estratégia previdenciária, a análise dos fundamentos continua tendo peso maior do que as oscilações diárias. Nesse tipo de carteira, o objetivo é acumular ações ao longo do tempo e utilizar os dividendos para ampliar o patrimônio.

Setor elétrico ganha espaço em carteiras de longo prazo

As empresas de energia são frequentemente procuradas por investidores que valorizam receitas relativamente previsíveis e demanda recorrente. Mesmo durante períodos de menor crescimento econômico, o consumo de eletricidade continua sendo essencial para residências e empresas.

No caso da carteira apresentada por Rosolini, aproximadamente 30% da parcela investida em ações brasileiras está concentrada no setor de energia. A intenção declarada é aumentar essa exposição à medida que novas margens de segurança apareçam.

Além da Cemig, outras companhias elétricas passaram por correções recentes, ampliando as alternativas disponíveis no setor. A decisão entre elas depende de fatores como preço, endividamento, concessões, capacidade de investimento, governança e política de dividendos.

A Cemig possui operações nos segmentos de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia. A companhia também executa um programa de investimentos de R$ 35,6 bilhões entre 2024 e 2028, com forte concentração na modernização e ampliação da rede elétrica de Minas Gerais.

Embora os investimentos possam fortalecer os resultados futuros, eles também exigem capital elevado. Por isso, o mercado acompanha o equilíbrio entre expansão, dívida e remuneração dos acionistas.

Riscos permanecem no radar de CMIG4

Mesmo com a queda da cotação, CMIG4 não está livre de riscos. A Cemig é controlada pelo Estado de Minas Gerais, o que mantém o risco de interferência política entre os pontos observados pelos investidores.

Também existem incertezas relacionadas às tarifas de energia, decisões regulatórias, custos operacionais, chuvas, renovação de concessões e execução do programa de investimentos.

A política de pagamento dos proventos também recebe críticas devido ao intervalo entre o anúncio e o depósito dos valores. Em alguns casos, dividendos e juros sobre capital próprio são aprovados com vários meses de antecedência em relação ao pagamento.

Esse prazo reduz a velocidade de reinvestimento e exige atenção às datas de corte. Comprar a ação depois da data “com” não garante direito aos proventos já anunciados.

Correção melhora preço mas não elimina necessidade de análise

A retomada das compras de CMIG4 mostra como a volatilidade pode ser utilizada dentro de uma estratégia de acumulação de longo prazo. A queda aumentou a margem estimada pelo investidor, enquanto os dividendos disponíveis permitiram ampliar a posição sem um novo aporte.

Ainda assim, uma ação negociada abaixo das máximas não está necessariamente barata. A avaliação precisa considerar a capacidade da empresa de manter lucros, financiar investimentos, controlar o endividamento e remunerar os acionistas.

A cotação também pode continuar caindo antes de uma eventual recuperação. Por isso, compras graduais e diversificação ajudam a reduzir o risco de concentrar todo o capital em um único preço ou empresa.

No caso de CMIG4, o preço mais baixo, o histórico de dividendos e a relevância da Cemig no setor elétrico voltaram a atrair atenção. A oportunidade, porém, depende dos objetivos, do horizonte e da tolerância ao risco de cada investidor.

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Fabiane Melo
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Fabiane Melo é editora de Economia e Negócios, formada em Administração e pós-graduada em Finanças. Na A Revista, acompanha resultados de empresas, negócios, economia e setores produtivos, relacionando fatos e indicadores ao ambiente de investimentos. Prioriza contexto, documentos e linguagem acessível.

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