O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,42%, aos 170.415 pontos, após iniciar o dia em forte alta e acompanhar o desempenho positivo dos mercados internacionais. A mudança de direção ocorreu com a queda do petróleo, o recuo das principais petroleiras da B3 e o aumento da cautela em torno do cenário político brasileiro.
Durante a manhã, a bolsa avançou com a expectativa de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. O pré-acordo prevê uma trégua temporária e negociações para normalizar a circulação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de petróleo, gás e insumos usados na produção de fertilizantes.
A possibilidade de reabertura da passagem reduziu o risco de problemas no abastecimento global e derrubou as cotações do petróleo. A commodity chegou a operar próxima de US$ 79, menor nível desde o início da escalada do conflito.
Petrobras e petroleiras pesam sobre a bolsa
A queda do petróleo atingiu diretamente as ações do setor. A Petrobras recuou cerca de 5%, enquanto Prio e Brava Energia também ficaram entre as maiores perdas do pregão.
Como a Petrobras possui grande participação no Ibovespa, o desempenho negativo da estatal foi suficiente para apagar os ganhos registrados no início do dia. O índice terminou próximo da mínima, em contraste com a valorização observada nas bolsas dos Estados Unidos, Europa e Ásia.
Na ponta positiva, a Vale avançou com a recuperação do minério de ferro. A Embraer também se destacou, com valorização próxima de 7%, ajudando a limitar uma queda mais intensa do mercado brasileiro.
Pesquisa eleitoral amplia cautela
Além do petróleo, os investidores acompanharam a pesquisa BTG Pactual/Nexus sobre a eleição presidencial. O levantamento mostrou Lula com 49% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno.
A ampliação da vantagem aumentou a cautela de parte do mercado, especialmente entre investidores estrangeiros, que avaliam os possíveis efeitos da eleição sobre as contas públicas, os gastos federais e a política econômica.
O dólar apresentou forte oscilação ao longo do dia, alternando entre perdas e ganhos, mas encerrou com leve alta de 0,1%, próximo de R$ 5,06.
Queda do petróleo pode aliviar inflação
O recuo da commodity pode ajudar a reduzir a pressão sobre combustíveis, energia, fretes e produtos transportados por longas distâncias. O efeito, no entanto, não deve chegar imediatamente ao consumidor.
A alta anterior do petróleo elevou custos em diferentes etapas da economia, incluindo transporte, produção industrial e fertilizantes. A redução desses preços tende a ocorrer de forma gradual, principalmente porque o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda é provisório.
As partes terão cerca de 60 dias para discutir uma solução mais ampla, incluindo o programa nuclear iraniano. Uma nova escalada militar poderia interromper as negociações, fechar novamente o Estreito de Ormuz e provocar outra disparada do petróleo.
Copom continua no radar
A queda do petróleo também entrou nas discussões sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária. O movimento pode diminuir parte da pressão inflacionária global, mas ainda não garante uma redução imediata da Selic.
No Brasil, as expectativas de inflação permanecem elevadas, o que mantém o Banco Central em posição cautelosa. Parte do mercado considera possível um corte moderado dos juros, enquanto outra parcela aposta na manutenção da taxa.
O impacto mais relevante do petróleo mais barato deverá aparecer nas próximas reuniões, caso a trégua seja mantida e os preços de combustíveis, energia e fretes realmente apresentem redução.
Mercados internacionais avançam
Enquanto o Ibovespa caiu, os principais mercados internacionais registraram fortes ganhos. A bolsa japonesa avançou cerca de 5%, enquanto a Nasdaq abriu em alta, beneficiada pelo maior interesse por ações de tecnologia.
A SpaceX também permaneceu entre os destaques após a estreia no mercado acionário. Depois de avançar no primeiro pregão, a companhia voltou a registrar forte valorização, ampliando seu valor de mercado.
O desempenho global reforçou o descolamento da bolsa brasileira, que terminou pressionada por fatores locais e pela queda das empresas de petróleo.
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