O Ibovespa começou a semana em queda após devolver uma valorização expressiva registrada nas primeiras horas do pregão. Nesta segunda-feira, 15 de junho, o principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,42% e encerrou aos 170.415 pontos.
O movimento chamou a atenção porque o índice chegou a alcançar 174.228 pontos na máxima, embalado pelo otimismo observado nas bolsas internacionais. A mudança de direção ocorreu ao longo da tarde, quando as quedas da Petrobras e de outras empresas do setor de petróleo ganharam força.
Na mínima, o Ibovespa chegou aos 170.351 pontos. O volume financeiro negociado durante o pregão somou aproximadamente R$ 29,19 bilhões.
Embora a perda diária tenha sido moderada, a distância entre a máxima e o fechamento mostrou a dificuldade da Bolsa em sustentar uma recuperação. O índice perdeu mais de 3,8 mil pontos desde o melhor momento da sessão.
Petrobras e PRIO lideram pressão sobre a Bolsa
A principal influência negativa veio do setor de petróleo. As ações preferenciais da Petrobras, negociadas pelo código PETR4, recuaram 5,15% e terminaram cotadas a R$ 39,06.
Os papéis ordinários da estatal, PETR3, perderam 5,30%, fechando a R$ 43,74. Como a Petrobras possui participação relevante na composição do Ibovespa, o desempenho da companhia teve impacto direto sobre o índice.
A PRIO3 liderou as perdas entre as ações do Ibovespa ao cair 6,91%, para R$ 57,10. A PetroReconcavo, RECV3, recuou 6,50%, enquanto a Brava Energia, BRAV3, registrou desvalorização de 4%.
A pressão sobre as empresas ocorreu após o petróleo Brent cair 4,76% e encerrar negociado a US$ 83,17 por barril.
O recuo da commodity aconteceu com o aumento das expectativas de redução das tensões no Oriente Médio e de retomada gradual do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A perspectiva diminuiu o prêmio de risco que vinha sustentando os preços internacionais do petróleo.
Embraer dispara e lidera altas do Ibovespa
Na direção contrária, a Embraer foi o grande destaque positivo da sessão. As ações EMBJ3 avançaram 7,06% e fecharam cotadas a R$ 77,99.
O movimento refletiu expectativas positivas relacionadas a novas vendas internacionais e à possível resolução de dificuldades envolvendo motores utilizados nas aeronaves da família E2.
Investidores também acompanharam informações sobre a manutenção do planejamento da companhia aérea indiana Star Air para incorporar duas aeronaves Embraer E190 à sua frota.
A fabricante brasileira conseguiu liderar as altas do Ibovespa mesmo em um pregão marcado pela pressão sobre empresas de grande participação no índice.
Vale sobe com minério de ferro
A Vale também ajudou a limitar as perdas do mercado brasileiro. As ações VALE3 avançaram 2,51% e encerraram cotadas a R$ 81,16.
O desempenho acompanhou a valorização do minério de ferro na China. O contrato mais negociado da commodity na Bolsa de Dalian subiu aproximadamente 0,7%, sustentando papéis ligados à mineração.
A CSN Mineração também avançou, enquanto parte das empresas siderúrgicas apresentou comportamento misto.
Mesmo com a alta da Vale e da Embraer, o desempenho positivo não foi suficiente para compensar o peso da Petrobras e das demais petroleiras sobre o Ibovespa.
Bancos terminam o pregão em baixa
As principais ações bancárias perderam força durante a tarde. O Itaú Unibanco, ITUB4, recuou cerca de 0,40%, após ter operado em alta durante parte do pregão.
Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil também fecharam no campo negativo. O BTG Pactual foi uma das exceções entre os grandes bancos e terminou em alta.
O comportamento do setor mostrou cautela dos investidores diante das perspectivas para inflação e juros no Brasil.
Focus eleva previsões para inflação e Selic
No cenário doméstico, o mercado acompanhou as novas projeções do Boletim Focus. A estimativa para a inflação brasileira em 2026 passou de 5,11% para 5,30%.
A previsão para a Selic no final do ano também aumentou, passando de 13,50% para 13,75%. Juros elevados por mais tempo podem reduzir a atratividade das ações e encarecer o crédito para empresas e consumidores.
Os investidores agora aguardam as próximas decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos. As sinalizações dos bancos centrais poderão determinar se o mercado encontrará espaço para uma recuperação mais consistente.
Dólar fecha próximo da estabilidade
O dólar iniciou o pregão em queda, mas mudou de direção ao longo do dia. A moeda norte-americana avançou 0,10% e encerrou cotada a R$ 5,07.
O comportamento do câmbio acompanhou a cautela no mercado doméstico, mesmo com a melhora do ambiente internacional.
Após devolver uma alta superior a 2%, o Ibovespa começa a semana novamente pressionado. O desempenho dos próximos pregões dependerá principalmente da movimentação do petróleo, das decisões sobre juros e da reação dos investidores às novas projeções econômicas.
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