As ações preferenciais da Cemig (CMIG4) iniciaram 2026 negociadas na faixa dos R$ 11,70, após forte fluxo comprador no começo do ano. O movimento reacendeu o interesse de investidores focados em renda, principalmente pela combinação entre dividendos elevados, estrutura financeira sólida e valuation ainda moderado.
A Cemig apresenta crescimento consistente da receita desde 2020, já superando R$ 42 bilhões em receita líquida, impulsionada principalmente pelo avanço no mercado livre de energia e pela consolidação da distribuição como principal pilar operacional.
Estrutura financeira sustenta dividendos recorrentes
A companhia encerrou o último ciclo anual com ativo total próximo de R$ 64 bilhões, em trajetória de crescimento. Mesmo com investimentos elevados, a geração de caixa operacional segue superior ao volume médio de CAPEX, o que preserva liquidez e mantém a capacidade de remuneração ao acionista.
Outro ponto relevante é o nível de reservas: a Cemig mantém cerca de R$ 10 bilhões em reservas de lucros, além de reserva legal, o que cria espaço não apenas para dividendos recorrentes, mas também para dividendos adicionais ou bonificação de ações.
Dentro do setor elétrico, a empresa se destaca por apresentar uma das melhores posições financeiras, com baixo estresse de endividamento e elevada previsibilidade de caixa.
Política de dividendos é um dos maiores atrativos
A política da Cemig estabelece a distribuição mínima de 50% do lucro líquido ajustado, percentual considerado elevado para o padrão do mercado brasileiro. Na prática, a empresa costuma distribuir valores acima do mínimo obrigatório, mesmo preservando recursos para investimentos.
Para o investidor em CMIG4, um ponto importante é que ações ordinárias e preferenciais recebem o mesmo valor de dividendos por ação, diferenciando-se apenas em aspectos de governança, como tag along.
Histórico recente de dividendos por ação
A seguir, os valores brutos pagos pela Cemig nos últimos anos, por unidade de ação:
| Ano | Dividendos por ação (R$) |
|---|---|
| 2022 | 1,53 |
| 2023 | 1,29 |
| 2024 | 1,34 |
| 2025 | 1,65 |
A média anual gira em torno de R$ 1,39 por ação, valor que tende a se repetir em 2026, considerando apenas o padrão histórico. Caso haja dividendos extras ou distribuição adicional de reservas, esse montante pode ser maior.
Quanto CMIG4 pode render em 2026
Com base na média histórica de R$ 1,39 por ação, a rentabilidade estimada depende diretamente do preço de entrada:
A R$ 11,70 → dividend yield próximo de 11,9%
A R$ 13,90 → dividend yield em torno de 10%
A R$ 17,50 → dividend yield aproximado de 8%
Esses níveis são considerados atrativos para uma empresa de perfil perene, especialmente dentro do setor elétrico.
Preço técnico e valuation: ação segue com margem
Pelos critérios de renda, o preço teto técnico para CMIG4 em 2026 pode ser estimado da seguinte forma:
Preço teto para 8% de yield: cerca de R$ 17,49
Preço teto para 10% de yield: cerca de R$ 13,99
Além disso, o valor do ativo por ação é estimado em aproximadamente R$ 22,63, número significativamente acima da cotação atual. Esse desconto reflete fatores como controle estatal, riscos políticos e incertezas regulatórias, mas também indica potencial de reprecificação caso o cenário se estabilize.
Indicadores reforçam perfil de renda
Nos principais múltiplos, CMIG4 apresenta:
P/L próximo de 8
P/VP em torno de 1,16
Valor patrimonial por ação (VPA) perto de R$ 10
Esses números sugerem que a ação não está esticada, mesmo após a recente valorização, especialmente quando analisada sob a ótica de geração de dividendos.
Riscos que o investidor precisa considerar
Apesar do cenário positivo, alguns riscos permanecem no radar:
Influência política do controlador estadual, especialmente em anos eleitorais;
Mudanças regulatórias que podem exigir mais investimentos;
Oscilações pontuais no lucro, comuns em empresas do setor elétrico.
Ainda assim, a robustez do caixa e o volume de reservas ajudam a amortecer esses riscos no curto e médio prazo.
CMIG4 vale a pena investir em 2026?
Pelos dados atuais, CMIG4 se mantém como uma ação de renda atrativa, especialmente para investidores que priorizam dividendos recorrentes e aceitam o risco inerente a empresas estatais.
Vale a pena para quem:
busca renda passiva elevada;
aceita volatilidade moderada em troca de dividendos;
deseja exposição ao setor elétrico com preço ainda descontado.
Pode não ser ideal para quem:
prioriza governança acima de tudo;
não aceita interferência política;
busca crescimento acelerado de capital no curto prazo.
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