As ações da Cemig (CMIG4) vêm enfrentando pressão na Bolsa em meio à combinação de lucro menor, custos mais altos com energia e expectativa de aumento da alavancagem nos próximos anos.
No 1º trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido de R$ 979 milhões, queda em relação aos R$ 1,038 bilhão do mesmo período de 2025. O lucro ajustado também caiu, somando R$ 979 milhões, ante R$ 1,020 bilhão um ano antes.
Apesar da piora no resultado, a empresa segue no radar de investidores por causa do histórico de dividendos e do forte plano de investimentos previsto até 2030.
Resultado foi pressionado por energia mais cara
Um dos principais pontos de atenção no trimestre foi o custo maior com energia. A Cemig informou impacto financeiro de R$ 49 milhões ligado à gestão do risco hidrológico e aos preços mais elevados no mercado de curto prazo.
A área de geração e transmissão também sentiu o efeito. O Ebitda recorrente da Cemig GT caiu 22,6%, enquanto o lucro recorrente recuou 26,8% no comparativo anual.
Mesmo assim, a distribuição de energia teve desempenho mais resiliente, ajudada pela base regulada e pela recomposição tarifária.
Aneel aprova reajuste de 6,50% para a Cemig-D
A Aneel autorizou reajuste médio de 6,50% nas tarifas da Cemig Distribuição, com aplicação a partir de 28 de maio de 2026. A companhia atende cerca de 9,8 milhões de unidades consumidoras em Minas Gerais.
O reajuste foi de 5,21% para consumidores residenciais e de 9,43% para alta tensão. Esse aumento ajuda a recompor receitas da distribuidora e pode reduzir parte da pressão sobre os resultados nos próximos trimestres.
Plano de R$ 44 bilhões pode mudar o cenário
A Cemig aprovou um plano de investimentos de aproximadamente R$ 44 bilhões entre 2026 e 2030. Para 2026, a previsão é de cerca de R$ 6,7 bilhões, com a maior parte destinada à distribuição.
Esse volume de investimentos deve pressionar a dívida no curto prazo, mas também pode ampliar a base de ativos da companhia e sustentar crescimento futuro. A tese de longo prazo depende justamente da capacidade da empresa de transformar esses aportes em maior receita regulada, eficiência operacional e geração de caixa.
| Indicador | Dado atualizado |
|---|---|
| Lucro líquido 1T26 | R$ 979 milhões |
| Lucro líquido 1T25 | R$ 1,038 bilhão |
| Reajuste médio Cemig-D | 6,50% |
| Unidades consumidoras atendidas | Cerca de 9,8 milhões |
| Plano de investimentos 2026-2030 | Aproximadamente R$ 44 bilhões |
| Investimento previsto para 2026 | Cerca de R$ 6,7 bilhões |
Dividendos ainda compensam?
A Cemig mantém política de distribuição de dividendos, mas o investidor deve observar que o ciclo atual é de investimentos elevados. Isso pode limitar pagamentos mais agressivos no curto prazo, especialmente se a alavancagem subir.
A leitura mais equilibrada é que 2026 e 2027 podem ser anos de dividendos mais moderados, enquanto a partir de 2028 a empresa pode se beneficiar do reconhecimento de investimentos e de uma estrutura mais preparada para gerar caixa.
A queda de CMIG4 chama atenção, mas não elimina os riscos. A Cemig combina uma tese defensiva, reajuste tarifário recente e potencial de dividendos futuros, mas também enfrenta pressão no lucro, energia mais cara e necessidade de financiar um plano bilionário.
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