As ações preferenciais da Cemig, negociadas pelo código CMIG4, voltaram a chamar a atenção dos investidores depois de recuarem das máximas registradas nos últimos meses. Nesta quinta-feira, 2 de julho, o papel era negociado na região de R$ 10,80, próximo do valor patrimonial atribuído à companhia.
A queda reduziu parte do prêmio que estava embutido na cotação e tornou os múltiplos mais próximos da média histórica. Entretanto, o preço menor não significa necessariamente que a ação esteja diante de uma oportunidade sem riscos.
O principal ponto de atenção está no ambicioso programa de investimentos da companhia, que poderá pressionar a geração de caixa disponível para dividendos.
Cemig planeja investir R$ 44 bilhões até 2030
A Cemig aprovou um plano de aproximadamente R$ 44 bilhões para o período entre 2026 e 2030. Somente em 2026, estão previstos cerca de R$ 6,7 bilhões em investimentos, valor considerado um dos maiores da história da empresa.
A maior parcela será direcionada ao segmento de distribuição de energia. A divisão estimada para este ano é a seguinte:
| Área de investimento | Valor previsto em 2026 |
|---|---|
| Distribuição de energia | R$ 5,27 bilhões |
| Transmissão | R$ 632 milhões |
| Geração distribuída | R$ 375 milhões |
| Gás natural | R$ 227 milhões |
| Geração de energia | R$ 197 milhões |
| Outros projetos | R$ 25 milhões |
| Total aproximado | R$ 6,70 bilhões |
A estratégia inclui modernização das redes, ampliação da capacidade operacional, redução de interrupções e reforço da infraestrutura elétrica de Minas Gerais. Apesar dos benefícios para o crescimento de longo prazo, o programa exigirá elevado volume de recursos e poderá aumentar gradualmente o endividamento.
Resultados mostram normalização dos lucros
No primeiro trimestre de 2026, a Cemig registrou Ebitda de aproximadamente R$ 1,79 bilhão, queda de 2,1% na comparação anual. Os números indicaram uma normalização operacional depois de períodos favorecidos por efeitos extraordinários e vendas de ativos.
Esse movimento ajuda a explicar parte da correção de CMIG4. Como o mercado costuma antecipar mudanças nos lucros e na geração de caixa, a perspectiva de resultados menos influenciados por eventos não recorrentes reduziu o entusiasmo observado anteriormente.
Em 2025, a companhia apurou lucro líquido de R$ 4,90 bilhões e destinou aproximadamente R$ 3,51 bilhões aos acionistas na forma de dividendos obrigatórios.
Dividendos da Cemig devem continuar, mas podem ser menores
A política da Cemig determina a distribuição obrigatória de 50% do lucro líquido ajustado, observadas as regras estatutárias. Para as ações preferenciais, também existem garantias de remuneração mínima previstas no estatuto.
Em março de 2026, a empresa aprovou R$ 657,9 milhões em juros sobre capital próprio, correspondentes a aproximadamente R$ 0,23 por ação em valor bruto. O pagamento foi programado em duas parcelas.
Apesar disso, os dividend yields próximos ou superiores a 12% registrados em determinados períodos não devem ser tratados como permanentes. Com o novo ciclo de investimentos, uma parcela maior do caixa precisará permanecer dentro da companhia.
Em um cenário meramente estimado, com lucro anual de R$ 4,2 bilhões e distribuição de 60% do resultado, o provento poderia ficar próximo de R$ 0,88 por ação. Considerando uma cotação ao redor de R$ 10,80, isso representaria retorno projetado pouco acima de 8%.
Essa conta não é uma projeção oficial da Cemig e depende do lucro, do número de ações, da política financeira e das decisões do conselho de administração.
CMIG4 vale a pena perto de R$ 11?
A queda deixou CMIG4 mais próxima de indicadores considerados razoáveis para uma empresa madura do setor elétrico. O negócio possui receitas reguladas, demanda relativamente previsível e reajustes tarifários periódicos, características que oferecem maior estabilidade operacional.
Por outro lado, o investidor precisa considerar que o elevado investimento previsto até 2030 poderá limitar dividendos extraordinários e elevar a necessidade de financiamento.
Dessa forma, CMIG4 pode voltar ao radar de investidores focados no longo prazo, mas a decisão não deve ser baseada apenas nos proventos passados. A relação entre preço, crescimento, endividamento e capacidade futura de distribuição será determinante para avaliar se a ação realmente está barata.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






