A Cemig permanece entre as empresas mais procuradas por investidores interessados em dividendos. Além dos pagamentos recorrentes, a companhia também ficou conhecida pelas bonificações em ações realizadas nos últimos anos.
A dúvida agora é se a empresa poderá repetir uma bonificação de 30% e manter um dividend yield de dois dígitos. Apesar da capacidade financeira da Cemig, uma nova distribuição de ações em 2026 ainda é considerada incerta.
Bonificações aumentaram número de ações
Entre 2020 e 2024, a Cemig realizou quatro bonificações. Os percentuais foram de aproximadamente 4,11%, 11,50%, 30% e, novamente, 30%.
Um investidor que começou com 1.000 ações e manteve todos os papéis recebidos teria terminado o período com aproximadamente 1.960 ações.
Isso significa que a quantidade de ações quase dobrou sem a necessidade de novos aportes. O efeito se torna ainda mais relevante quando os dividendos também são reinvestidos.
Entretanto, a bonificação não representa lucro imediato. Após a operação, o preço das ações é ajustado proporcionalmente. O benefício aparece ao longo do tempo, porque o investidor passa a possuir mais papéis elegíveis aos pagamentos futuros.
Cemig pode fazer nova bonificação?
A companhia possui reservas contábeis suficientes para realizar uma nova capitalização. No primeiro trimestre de 2026, a reserva de retenção de lucros estava próxima de R$ 11,50 bilhões.
Na bonificação de 30% realizada em 2024, a Cemig utilizou cerca de R$ 3,30 bilhões de suas reservas para aumentar o capital social.
Os números mostram que a empresa teria capacidade para repetir uma operação semelhante. Isso, porém, não significa que uma nova bonificação será aprovada.
A distribuição depende de uma decisão da administração e dos acionistas. Até o momento, não existe confirmação oficial de uma nova bonificação em 2026.
Investimentos reduzem possibilidade de pagamento extraordinário
A Cemig está executando um dos maiores planos de investimentos de sua história. A previsão é aplicar aproximadamente R$ 44 bilhões entre 2026 e 2030.
Os recursos serão destinados principalmente à expansão e modernização da rede de distribuição, geração, transmissão e projetos relacionados ao mercado de energia.
Somente em 2026, os investimentos podem superar R$ 6 bilhões. Esse volume aumenta a necessidade de preservar caixa e controlar o endividamento.
Por esse motivo, embora a companhia tenha reservas suficientes, a chance de uma nova bonificação de 30% parece menor no curto prazo. Uma eventual operação pode ficar para os próximos exercícios.
Dividendos continuam sendo principal atrativo
Mesmo sem bonificação, os dividendos seguem como o ponto central da tese de CMIG4.
A política da Cemig estabelece a distribuição mínima de 50% do lucro líquido ajustado, respeitando as regras estatutárias e a situação financeira da companhia.
Em uma simulação conservadora, considerando lucro anual próximo de R$ 5,10 bilhões e distribuição de 50%, o pagamento poderia ficar perto de R$ 0,90 por ação.
O valor final dependerá dos resultados, da geração de caixa, dos investimentos e das decisões da administração. Portanto, dividendos de dois dígitos continuam possíveis, mas não estão garantidos.
Qual é o preço-teto de CMIG4?
Considerando um dividendo projetado de R$ 0,90 por ação, o preço-teto pode variar conforme o retorno mínimo exigido pelo investidor.
| Retorno desejado | Preço-teto estimado |
| 6% ao ano | R$ 15,00 |
| 8% ao ano | R$ 11,25 |
| 10% ao ano | R$ 9,00 |
Para quem busca retorno de pelo menos 8% ao ano em dividendos, um preço próximo de R$ 11,25 poderia ser considerado como referência.
Esse cálculo não representa recomendação de compra. Caso o dividendo pago seja menor que o projetado, o preço-teto também precisará ser reduzido.
CMIG4 ainda vale a pena?
CMIG4 pode continuar interessante para investidores que buscam renda no longo prazo e aceitam os riscos do setor elétrico.
A empresa apresenta histórico de lucro, política de dividendos e capacidade de geração de caixa. Em contrapartida, o forte plano de investimentos pode limitar pagamentos extraordinários e elevar o endividamento.
A compra não deve ser baseada apenas na expectativa de uma nova bonificação. O investidor precisa analisar resultados, dívida, execução dos investimentos e preço das ações.
A bonificação seria um benefício adicional. O verdadeiro fundamento da Cemig continua sendo sua capacidade de gerar lucro e distribuir parte dos resultados aos acionistas.
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