A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) reforçou sua posição entre as maiores e mais rentáveis elétricas do país ao atingir novo recorde de participação no mercado livre de energia em 2025. O desempenho reflete a estratégia da estatal mineira de diversificar sua atuação e ampliar receitas por meio da comercialização direta, segmento que já responde por cerca de 20% do faturamento total e deve continuar crescendo nos próximos anos.
Mesmo com foco tradicional em distribuição — responsável por 66% da receita —, a empresa vem consolidando contratos bilionários no mercado livre, aproveitando o avanço da abertura do setor que permitirá, até 2028, a migração de todos os consumidores para esse modelo.
Receita e resultados em alta
No acumulado dos últimos 12 meses, a Cemig registrou receita líquida próxima de R$ 43 bilhões, um crescimento de quase 8% em relação a 2024. O lucro líquido consolidado supera R$ 5,4 bilhões, impulsionado pela redução de custos, pela eficiência operacional e pela estratégia de comercialização de energia a grandes clientes industriais.
Os indicadores seguem sólidos:
P/L em torno de 4,2x, abaixo da média do setor;
P/VPA de 1,1, indicando ações próximas do valor patrimonial;
ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 22%, acima da média das elétricas listadas na B3;
Margem líquida estável em 16%, refletindo ganho de eficiência e aumento de rentabilidade.
A alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) continua sob controle, próxima de 1,3x, o que dá à empresa margem para novos investimentos sem comprometer o pagamento de dividendos.
Dividendos acima de dois dígitos
A Cemig segue como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa. O dividend yield anualizado permanece em 13,2%, considerando as distribuições realizadas em 2025 e a expectativa para o início de 2026.
O payout gira em torno de 60%, mantendo a política estável de remuneração aos acionistas. A companhia ainda acumula reservas de lucros de aproximadamente R$ 4,9 bilhões e caixa de R$ 1,6 bilhão, totalizando mais de R$ 6,5 bilhões de recursos disponíveis, o que reforça o potencial de pagamentos adicionais.
Além disso, a Cemig pode realizar dividendos extraordinários ou bonificação de ações, a depender da estratégia definida pelo Governo de Minas Gerais, controlador da empresa.
Projeções e pagamentos futuros
Considerando as reservas e a política histórica de distribuição, analistas estimam que a companhia possa anunciar até R$ 1,30 por ação em dividendos adicionais até 2026. Parte desse montante pode vir de uma indenização judicial estimada em R$ 920 milhões, ampliando o espaço para retornos extras aos acionistas.
Nos últimos anos, a Cemig tem mantido regularidade nos pagamentos, com diversas datas com (Datacom) ao longo do ano e repasses programados para o exercício seguinte — estratégia que garante fluxo constante de rendimentos para o investidor.
Em 2022 e 2024, a empresa realizou bonificações de 30%, e o mercado espera nova rodada em 2026, caso opte por não distribuir dividendos adicionais em dinheiro.
Estrutura e solidez financeira
Com ativos totais de R$ 73 bilhões e presença em geração, transmissão, distribuição e gás natural, a Cemig segue com investimentos concentrados em Minas Gerais, mas também atua em outros estados com foco em expansão de infraestrutura e digitalização de redes.
O controle estatal permanece firme, e a empresa adota postura conservadora na gestão financeira, mantendo elevada liquidez e forte geração de caixa operacional.
As contas a receber somam cerca de R$ 5,8 bilhões, reforçando o fluxo positivo de capital que sustenta tanto os dividendos quanto os investimentos em modernização da rede elétrica.
Perspectivas para o investidor
Para 2026, o cenário é positivo. Com a abertura gradual do mercado livre de energia, o avanço das receitas de comercialização e a manutenção de margens elevadas, a Cemig tende a continuar entre as elétricas mais lucrativas da B3.
As ações CMIG4 seguem negociadas em múltiplos atrativos, com preço justo estimado entre R$ 14 e R$ 15, o que indica potencial de valorização superior a 20% frente ao preço atual.
Entre dividendos, bonificações e ganho de capital, a Cemig oferece um dos melhores pacotes de retorno total do setor elétrico brasileiro em 2025, equilibrando previsibilidade e rentabilidade — características raras em empresas estatais.
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