A Cemig (CMIG4) voltou a chamar atenção dos investidores por um motivo direto: a combinação entre dividendos elevados, lucro ainda bilionário e ação negociada em patamar abaixo das máximas recentes. A tese agrada quem busca renda passiva, mas exige atenção aos riscos de alavancagem, governança e desempenho operacional.
A análise parte de um esboço focado em indicadores, valuation, histórico de dividendos e projeções de preço-teto para a ação da elétrica mineira. A transcrição destaca que a empresa tem longo histórico na Bolsa, lucros recorrentes e pagamentos frequentes de proventos, mas também aponta pontos de alerta, como listagem no Nível 1 da B3, tag along limitado para CMIG4 e indicadores de endividamento que pedem acompanhamento.
Números atualizados da Cemig
No mercado, a ação CMIG4 era negociada a R$ 11,02 em 9 de julho de 2026, com dividend yield informado de 11,86%, valor de mercado de R$ 31,47 bilhões e lucro por ação de R$ 1,69 em 12 meses. A faixa de 52 semanas ia de R$ 10,09 a R$ 13,87, mostrando que o papel ainda está mais próximo da parte baixa do intervalo recente.
| Indicador | Dado mais recente |
|---|---|
| Cotação CMIG4 | R$ 11,02 |
| Dividend yield | 11,86% |
| Valor de mercado | R$ 31,47 bilhões |
| LPA 12 meses | R$ 1,69 |
| Mínima em 52 semanas | R$ 10,09 |
| Máxima em 52 semanas | R$ 13,87 |
| Preço-alvo médio | R$ 12,54 |
| Potencial indicado | 13,76% |
Resultado mostra força, mas lucro caiu
No 1º trimestre de 2026, a Cemig registrou receita operacional líquida de R$ 10,46 bilhões, alta de 6,3% frente ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido, porém, caiu 5,8%, para R$ 979 milhões. O EBITDA ficou em R$ 1,79 bilhão, queda de 2,1%, enquanto o EBITDA ajustado recuou 0,6%.
O resultado mostra uma empresa ainda lucrativa, mas não sem pressão. O avanço de custos, o resultado financeiro mais negativo e o efeito da dívida pesaram no trimestre. A própria companhia informou que a despesa financeira líquida chegou a R$ 338,4 milhões no 1T26, alta de R$ 88,8 milhões na comparação anual, influenciada pelo aumento da dívida líquida.
Dividendos seguem como principal atrativo
O grande ponto de atração da Cemig continua sendo a remuneração ao acionista. A política de dividendos da companhia prevê distribuição obrigatória de 50% do lucro líquido, observadas as regras do estatuto e da legislação. Para as ações preferenciais, há ainda garantia de dividendos mínimos, o que reforça a percepção de previsibilidade para quem busca renda.
Além disso, a empresa declarou R$ 658 milhões em juros sobre capital próprio em março de 2026, segundo o release de resultados. Esse histórico ajuda a explicar por que CMIG4 permanece entre os papéis mais acompanhados por investidores de dividendos.
Onde estão os riscos para CMIG4?
Apesar do yield elevado, o investidor não deve olhar apenas para os proventos. A dívida líquida da Cemig chegou a R$ 17,84 bilhões no 1T26, alta de 6,2% em relação ao ano anterior, e a alavancagem ficou em 2,45 vezes a dívida líquida sobre EBITDA ajustado.
Outro ponto é a governança. CMIG4 é ação preferencial de uma companhia com controle estatal, o que pode gerar interferências políticas e decisões que nem sempre seguem apenas critérios de retorno ao acionista. Esse fator costuma pesar na avaliação de elétricas estaduais, mesmo quando os dividendos são atrativos.
Cemig vale a pena agora?
CMIG4 pode fazer sentido para investidores que buscam dividendos, aceitam volatilidade e entendem os riscos de uma estatal do setor elétrico. O papel combina yield elevado, lucro recorrente e política de distribuição robusta, mas o cenário não é de compra automática.
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