A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), uma das maiores elétricas integradas do país, chega a 2026 consolidada como uma das empresas mais rentáveis da Bolsa para quem busca renda passiva. Mesmo após um 2025 marcado por desafios operacionais e forte volatilidade no preço das ações, a companhia mantém dividend yield acima de 13% ao ano, lucros bilionários e potencial de valorização caso avance o processo de privatização em Minas Gerais.
A ação CMIG4 terminou 2025 praticamente estável, após um ano em que o mercado oscilou entre expectativas de privatização e quedas pontuais nos lucros trimestrais. Para 2026, analistas preveem melhora gradual nos resultados, com recuperação da margem de geração, controle de endividamento e manutenção da política generosa de distribuição de proventos.
Lucro em recuperação e fundamentos sólidos
Em 2025, a Cemig apresentou uma queda de 10% no lucro líquido no primeiro trimestre, reflexo da alta dos custos e da pressão no segmento de comercialização de energia. Contudo, a companhia encerrou o ano com resultado anual superior a R$ 6,8 bilhões, apenas 3% abaixo do recorde de 2024, mostrando resiliência operacional.
A dívida líquida/Ebitda, que havia subido para 1,4x em 2025, deve se manter sob controle em 2026, impulsionada pela geração de caixa robusta e pelo término de parte dos investimentos em modernização da rede e expansão da capacidade de transmissão.
Além disso, o payout médio de 78% confirma a postura de alta distribuição de lucros, consolidando a elétrica como uma das maiores fontes de dividendos da B3.
Cemig continua barata na Bolsa em 2026
Com base no múltiplo EV/Ebit de 2,6x, a Cemig continua entre as empresas mais descontadas do setor elétrico. Embora em 2025 estivesse na 39ª posição entre as ações mais baratas da Bolsa, as projeções para 2026 indicam reprecificação positiva, caso o lucro volte a crescer acima de 10% e o mercado reaja ao tema da privatização.
Para efeito de comparação, as rivais Copel (CPLE6) e CPFL Energia (CPFE3) operam com múltiplos acima de 6x, o que reforça a percepção de desconto relevante em relação à média do setor.
| Empresa | EV/Ebit | Dividend Yield 2025 | Payout | Lucro (R$ bi) | Perspectiva 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Cemig (CMIG4) | 2,6x | 13,2% | 78% | 6,8 | Alta moderada |
| Copel (CPLE6) | 6,4x | 6,5% | 65% | 3,9 | Estável |
| CPFL (CPFE3) | 6,1x | 6,2% | 70% | 5,1 | Alta leve |
| Engie (EGIE3) | 7,0x | 5,8% | 85% | 4,7 | Crescimento gradual |
Fonte: dados de mercado e estimativas de analistas (jan/2026)
Privatização segue como gatilho de valorização
O governo de Minas Gerais deve decidir ainda no primeiro semestre de 2026 se prosseguirá com o processo de privatização da Cemig, um tema que há anos divide o cenário político e econômico do estado.
Caso o projeto avance, especialistas estimam potencial de valorização superior a 30% nas ações CMIG4, impulsionado pela expectativa de ganhos de eficiência, redução de interferência política e aumento da capacidade de investimento.
Historicamente, processos semelhantes — como o da Copel — geraram forte reprecificação positiva no curto prazo.
Dividendos continuam como principal atrativo em 2026
Com lucros consistentes e política de payout elevado, a Cemig permanece como destaque em dividendos em 2026, principalmente para investidores focados em renda passiva e estabilidade.
A estratégia da empresa prioriza pagamento recorrente e acima da média do setor, o que atrai tanto pessoas físicas quanto fundos de dividendos.
Segundo projeções do mercado, o dividend yield da CMIG4 pode se manter entre 11% e 14% ao ano em 2026, dependendo do lucro consolidado e das condições hidrológicas — um patamar muito superior ao da renda fixa líquida após impostos.
Cemig pode unir segurança e valorização em 2026
Mesmo sem ser a ação mais barata da Bolsa, a Cemig combina solidez, bom histórico de lucros e um dos dividendos mais generosos do mercado.
A eventual privatização, somada à estabilização dos resultados e ao recuo da Selic, cria um cenário favorável para recuperação do papel ao longo de 2026.
Para o investidor que busca renda recorrente, resiliência e possível ganho de capital, CMIG4 segue como uma das melhores apostas do setor elétrico brasileiro.
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