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Início » Últimas Notícias » Casas Bahia (BHIA3) reduz dívida em 68% e gera R$ 852 milhões em caixa, mas prejuízo de R$ 1 bi pressiona balanço
Ações

Casas Bahia (BHIA3) reduz dívida em 68% e gera R$ 852 milhões em caixa, mas prejuízo de R$ 1 bi pressiona balanço

Varejista avançou no e-commerce, melhorou a geração de caixa e derrubou a alavancagem no 1T26, mas juros altos ainda pesaram sobre o resultado final
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins15 de maio de 20265 minutos lidos
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O Grupo Casas Bahia (BHIA3) divulgou um balanço de primeiro trimestre de 2026 com sinais importantes de recuperação operacional, mas ainda marcado por forte pressão financeira. A companhia registrou crescimento de receita, avanço no canal online, geração de caixa positiva e queda expressiva da dívida. Mesmo assim, encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, acima da perda de R$ 408 milhões registrada um ano antes.

O principal destaque positivo foi a redução da dívida líquida ajustada, que caiu 68% na comparação anual. A alavancagem recuou para 0,5 vez o EBITDA ajustado, ante 1,8 vez no primeiro trimestre de 2025. Além disso, o fluxo de caixa livre ficou positivo em R$ 852 milhões, uma virada relevante frente à queima de caixa observada no mesmo período do ano anterior.

Operação melhora, mas prejuízo ainda chama atenção

A Casas Bahia conseguiu entregar crescimento operacional em um ambiente ainda difícil para o varejo. A receita líquida somou R$ 7,4 bilhões no 1T26, alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025. A margem bruta ficou praticamente estável, em 30,3%, contra 30,2% um ano antes.

O EBITDA ajustado chegou a R$ 597 milhões, avanço de 4,7% na comparação anual. A margem EBITDA ajustada ficou em 8,1%, praticamente em linha com o resultado do ano anterior. Esse desempenho indica que a empresa conseguiu preservar parte da rentabilidade operacional mesmo em meio à disputa por vendas no varejo.

O problema segue concentrado na última linha do balanço. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,171 bilhão, piora de 27% em relação ao 1T25. Segundo dados divulgados com o balanço, o CDI médio subiu de 12,94% para 14,86% no período, elevando o custo da dívida e pressionando o resultado líquido.

Principais números da Casas Bahia no 1T26

IndicadorResultado no 1T26Comparação anual
Receita líquidaR$ 7,4 bilhões+6,1%
Prejuízo líquidoR$ 1,064 bilhãopiora frente a R$ 408 milhões
EBITDA ajustadoR$ 597 milhões+4,7%
Margem bruta30,3%+0,1 p.p.
Fluxo de caixa livreR$ 852 milhõesmelhora relevante
Dívida líquida ajustadaqueda de 68%forte desalavancagem
Alavancagem0,5x EBITDA ajustadoante 1,8x no 1T25
Resultado financeiro líquido-R$ 1,171 bilhãopiora de 27%

E-commerce ganha força e ajuda a sustentar crescimento

Um dos pontos mais relevantes do trimestre foi o desempenho do canal digital. O GMV total da Casas Bahia cresceu 5% na comparação anual, enquanto o canal online avançou com mais força. O destaque foi o 1P online, modalidade em que a própria varejista vende diretamente ao consumidor, que cresceu 27,4% em 12 meses.

Esse avanço mostra que a estratégia digital segue no centro da recuperação da companhia. A empresa vem buscando melhorar o mix de vendas, priorizar categorias mais rentáveis e reduzir operações de menor retorno. Esse movimento também ajuda a explicar o fechamento líquido de lojas menos eficientes nos últimos trimestres, dentro de uma estratégia de ajuste da rede física.

Dívida menor é o principal ponto positivo

A queda da dívida foi o dado mais forte do balanço. A redução de 68% da dívida líquida ajustada melhora a estrutura de capital da empresa e reduz a pressão sobre o caixa no médio prazo. Para uma varejista com histórico recente de dificuldades financeiras, esse é um sinal importante de avanço no processo de reestruturação.

A geração de R$ 852 milhões em fluxo de caixa livre também reforça essa leitura. Na prática, a companhia mostrou capacidade de gerar recursos mesmo em um cenário de juros altos, consumo pressionado e competição intensa no varejo.

Por que a Casas Bahia ainda teve prejuízo?

O prejuízo de mais de R$ 1 bilhão não veio da operação em si, mas principalmente do peso financeiro. A empresa ainda carrega despesas elevadas relacionadas ao custo da dívida e ao ambiente de juros altos no Brasil. Com o CDI médio em patamar superior ao do ano anterior, a despesa financeira continuou consumindo boa parte do resultado operacional.

Além disso, analistas apontaram que o resultado final seguiu pressionado por despesas financeiras elevadas e pela ausência de reconhecimento de imposto diferido, apesar de a operação ter surpreendido positivamente em receita e EBITDA.

O balanço foi positivo ou negativo?

O balanço da Casas Bahia no 1T26 pode ser lido como positivo na operação, mas ainda fraco no lucro líquido. A empresa apresentou melhora em pontos essenciais: vendeu mais, preservou margem, gerou caixa, reduziu dívida e diminuiu a alavancagem.

Por outro lado, o prejuízo bilionário mostra que a recuperação ainda não está concluída. Para que o mercado passe a enxergar uma virada mais consistente em BHIA3, a companhia precisará transformar essa melhora operacional em lucro recorrente — algo que depende da continuidade da desalavancagem, de maior eficiência e de um ambiente de juros menos pesado.

Veredito: o resultado do 1T26 da Casas Bahia mostra avanço real na reestruturação, principalmente pela queda da dívida e pela geração de caixa. Mas o prejuízo acima de R$ 1 bilhão mantém o alerta ligado para investidores que acompanham BHIA3.

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BHIA3 Casas Bahia dívida resultados 1T26 varejo
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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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