O relatório gerencial do BTHF, hedge fund imobiliário do BTG Pactual, divulgado no fim de dezembro e referente ao desempenho de novembro, reforça um ponto-chave para o investidor: o fundo segue entregando resultado recorrente, mantendo dividendos estáveis e preservando uma postura conservadora, mesmo após uma valorização expressiva das cotas.
Apesar de uma alta próxima de 35% nos últimos meses, o BTHF ainda negocia com deságio relevante, o que chama atenção em um segmento onde fundos hedge especialmente os de qualidade continuam sendo alguns dos mais descontados do mercado imobiliário.
Dividendos seguem estáveis e sustentáveis
No mês, o fundo apresentou:
- Resultado: R$ 0,93 por cota
- Distribuição: R$ 0,92 por cota
- Sem receitas não recorrentes
Esse ponto é fundamental: o dividendo está praticamente 100% lastreado no resultado recorrente, reforçando a previsibilidade do fluxo de caixa. A gestão destaca que segue conservadora na distribuição, indicando que há espaço para aumento no futuro, dependendo do cenário macroeconômico e da dinâmica do mercado em 2026.
Mesmo após a alta, o deságio ainda é expressivo
Mesmo após sair da região próxima de R$ 6,50 para patamares ao redor de R$ 8,90, o BTHF continua negociando abaixo do valor patrimonial. Isso evidencia o quanto os fundos hedge foram penalizados no ciclo de alta dos juros e o quanto ainda podem se beneficiar de uma normalização do mercado.
Segundo a própria gestão, o fundo enxerga:
- Upside de 17% a 19% em relação ao valor de mercado
- Mais 17% adicionais até o valor patrimonial
- Potencial total próximo de 30%
Movimentações relevantes do portfólio
Durante novembro, o fundo realizou ajustes importantes:
- Venda de um CRI, gerando cerca de R$ 30 milhões em caixa
- Resultado adicional de R$ 1 milhão com a operação
- Rebalanceamento de portfólio, com aumento de exposição em fundos como IRIM e GARE
- Desinvestimento com lucro no BTCI, fundo da própria casa
Essas decisões mostram uma gestão ativa, aproveitando distorções de preço e oportunidades táticas no mercado secundário.
Alocação da carteira: diversificação e caixa elevado
Ao final do período, a composição do BTHF ficou distribuída da seguinte forma:
- Fundos de tijolo: ~32%
- Fundos de papel: ~22%
- CRI: ~16%
- Ativos reais: ~13,6%
- Caixa: ~14%
- Ações: ~0,8%
O destaque fica para o nível elevado de caixa, que oferece flexibilidade para novas alocações oportunísticas e reduz riscos em momentos de volatilidade.
Ativos reais e estratégia de saída
O fundo mantém exposição a dois ativos reais, incluindo um ativo originado do antigo HSML. A gestão indica que a estratégia contempla exercício de opção de venda, buscando uma TIR mínima de 18% ao ano, o que reforça a disciplina na alocação e na saída de investimentos menos líquidos.
Guidance e perspectivas
Embora o fundo não tenha divulgado um guidance formal, a leitura do relatório indica:
- Manutenção do patamar atual de dividendos no curto prazo
- Possibilidade de revisão positiva das projeções caso o cenário de juros e mercado melhore
- Continuidade da estratégia conservadora, priorizando recorrência e preservação de capital
BTHF segue como hedge fund descontado e bem gerido
O relatório de novembro reforça que o BTHF continua sendo um dos hedge funds imobiliários mais interessantes do mercado, combinando:
- Dividendos consistentes
- Gestão ativa e disciplinada
- Caixa robusto
- Portfólio diversificado
- Upside relevante mesmo após forte valorização
Para o investidor que busca exposição a um fundo híbrido, com gestão profissional e foco em valor, o BTHF segue no radar como uma alternativa estratégica dentro da carteira de FIIs.
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