O BTG Pactual atualizou sua carteira recomendada de ações focadas em dividendos, promovendo mudanças relevantes para 2026. O banco retirou Gerdau e Cyrela, incluiu Caixa Seguridade e Sanepar, além de aumentar o peso da ALLOS após surpresa positiva no guidance de remuneração ao acionista. A leitura do BTG combina proteção contra volatilidade do Ibovespa com oportunidades táticas de valorização e crescimento de dividendos.
Caixa Seguridade: pilar defensivo com dividendos robustos
Para o BTG, a Caixa Seguridade se destaca pela resiliência do modelo de negócios e pela barreira de entrada criada pelo contrato de exclusividade de longo prazo com a Caixa Econômica Federal (vigente até as décadas de 2040/2045). O banco projeta dividend yield próximo de 9% em 2026, alinhado à expectativa de distribuição recorrente e previsível.
Por que o BTG prefere a Caixa Seguridade agora?
Contratos longos e estáveis, reduzindo volatilidade.
Avenida de crescimento com a expansão da frente de corretagem e do segmento residencial.
Menor exposição a choques cíclicos quando comparada ao seguro rural.
Qualidade superior que, segundo o BTG, justifica prêmio de valuation frente à BB Seguridade.
Apesar de reconhecer múltiplos mais descontados na BB Seguridade, o BTG enxerga equilíbrio competitivo entre as duas, com leve vantagem para a Caixa Seguridade no momento pela previsibilidade e crescimento contínuo.
Sanepar: aposta tática com desconto relevante
A entrada da Sanepar é tratada como aposta tática. O racional passa pela combinação de estabilidade operacional, potencial de eficiência e desconto de valuation, além da leitura de que o ciclo político no Paraná em 2026 pode catalisar mudanças (ganhos de eficiência ou discussões sobre privatização).
Pontos-chave da tese:
Dividendos crescentes no longo prazo, mesmo desconsiderando eventos não recorrentes.
Múltiplos atrativos (P/L elevado por ruídos temporários; P/VP próximo de 1).
Desconto estrutural frente a pares privados do setor.
Pelo critério EV/RAB, há espaço para valorização expressiva apenas com fechamento parcial do desconto regulatório.
O BTG ressalta que privatização não deve ser a única motivação de investimento: se ocorrer, é bônus; o foco permanece na capacidade de geração de caixa e crescimento de dividendos.
ALLOS: dividendos mensais acima de 1% e eficiência operacional
A grande surpresa da atualização foi o aumento de peso da ALLOS, impulsionado por um guidance de dividendos mensais superiores a 1%. A companhia de shoppings passou por transformação profunda do portfólio, concentrando-se nos melhores ativos, o que elevou vendas por metro quadrado e eficiência.
Destaques operacionais e financeiros:
Portfólio premium e diversificado, com foco em experiência (“share of life”): serviços, eventos, saúde, lazer e conveniência urbana.
Eficiência crescente: maior participação nas vendas do setor mesmo com ABL menor.
Alavancagem confortável (~1,7x), custo da dívida controlado e capex em normalização.
Geração de caixa forte, abrindo espaço para triplicar dividendos (faixa média de R$ 0,28–0,30 por ação) e recompras recorrentes, que elevam o dividendo por ação no futuro.
A estratégia de recompras em momentos de desconto reforça a tese de retorno total ao acionista, combinando dividendos elevados e ganho de capital.
O que muda para o investidor
Proteção: Caixa Seguridade como âncora defensiva.
Opcionalidade: Sanepar com desconto e gatilhos potenciais.
Renda mensal elevada: ALLOS com salto de dividendos e eficiência comprovada.
A leitura do BTG aponta para uma carteira equilibrada entre estabilidade e crescimento, com foco em previsibilidade de caixa e remuneração consistente em um cenário de mercado ainda volátil.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






