O Bradesco (BBDC4) divulgou um lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um crescimento expressivo de 18,8% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho superou as expectativas e marcou o sétimo trimestre consecutivo de rentabilidade em alta. Mesmo assim, as ações do banco recuaram 4% na B3 após a divulgação dos resultados, movimento que surpreendeu até o presidente da instituição, Marcelo Noronha.
Segundo o CEO, a queda é reflexo de um “ajuste técnico” após uma forte valorização acumulada ao longo do ano — cerca de 60% de alta até outubro. Ele classificou o movimento como uma realização de lucros, comum após períodos prolongados de valorização.
Indicadores operacionais mostram retomada sólida
Os números do Bradesco confirmam uma recuperação consistente após anos de pressão com inadimplência e margem financeira comprimida. A rentabilidade (ROE) atingiu 14,7%, acima da média do setor e superior ao desempenho recente do Banco do Brasil.
A receita total somou R$ 18,7 bilhões, avanço de 3,7% frente ao trimestre anterior e 16,9% na comparação anual. As receitas de serviços alcançaram R$ 10,6 bilhões, puxadas por cartões de crédito e administração de fundos. O segmento de seguros, previdência e capitalização também teve papel de destaque, com crescimento de 13% em um ano.
A carteira de crédito expandida ultrapassou R$ 1,03 trilhão, com destaque para o crédito consignado — área em que o banco lidera entre os privados, com 14,2% de market share.
Inadimplência estável e foco em crédito de melhor qualidade
A inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 4,1%, resultado considerado positivo. Houve leve alta nas provisões para devedores duvidosos (PDD), que passaram de R$ 8,1 bilhões para R$ 8,6 bilhões, reflexo de um ajuste prudencial diante de um ciclo de crédito mais seletivo.
Segundo o banco, a nova “safra” de crédito está mais qualificada, com maior proporção de empréstimos garantidos. O índice de Basileia, que mede a solidez do capital, ficou em 13,4%, dentro do nível de conforto e acima do mínimo regulatório de 11%.
Dividendos e valuation: o banco segue barato?
Mesmo com lucros crescentes, as ações do Bradesco ainda são negociadas a múltiplos atrativos. O P/L (preço/lucro) está em 7,69, abaixo da média histórica e do setor bancário, e o P/VP permanece 7% abaixo do valor patrimonial.
A projeção de lucro para 2025 é de R$ 23,2 bilhões, com payout estimado em 55%, o que pode gerar R$ 1,31 de dividendo por ação, equivalente a um dividend yield potencial de 8,5%.
De acordo com o modelo de Benjamin Graham, o preço justo para BBDC3 seria de R$ 27,38, o que representa upside de 77% frente às cotações atuais.
Análise técnica: tendência ainda positiva
Na análise técnica, as ações BBDC4 permanecem em tendência de alta desde março de 2025, quando saíram de R$ 11,96 para R$ 18,84, acumulando valorização de mais de 60%. Mesmo após a correção recente, a estrutura de preços segue dentro de um canal ascendente.
As principais zonas de suporte estão em R$ 17,11 e R$ 17,90, enquanto as resistências estão em R$ 19,44 e R$ 20,15. O movimento atual é visto como saudável para a continuidade da alta, desde que não haja rompimento dos suportes principais.
Reações do mercado e recomendações dos analistas
Entre as principais casas de análise, o sentimento é dividido. Confira as recomendações para BBDC4:
JP Morgan: Neutra – preço-alvo R$ 18,00
Genial Investimentos: Compra – preço-alvo R$ 21,20
XP Investimentos: Neutra – preço-alvo R$ 17,00
BTG Pactual: Neutra – preço-alvo R$ 19,00
Banco Safra: Compra – preço-alvo R$ 21,00
Ou seja, o mercado se divide entre quem vê a recente queda como ajuste técnico e quem enxerga uma oportunidade de compra diante do desconto e do forte potencial de dividendos.
Correção ou chance de entrada?
Apesar da correção de 4%, o Bradesco mostra sinais claros de melhora operacional, lucros em alta e fundamentos sólidos. A expansão da carteira de crédito e o avanço na margem financeira sustentam a recuperação da rentabilidade, enquanto o valuation continua atrativo.
Para investidores de longo prazo, a combinação de baixo P/L, dividend yield crescente e ROE em alta pode indicar uma janela de oportunidade. Porém, o aumento das provisões de crédito e o cenário de juros elevados exigem cautela no curto prazo.
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