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Início » Últimas Notícias » Bradesco dispara mais de 76% em um ano, aumenta JCP e ainda levanta debate: ação segue atrativa para 2026?
Ações

Bradesco dispara mais de 76% em um ano, aumenta JCP e ainda levanta debate: ação segue atrativa para 2026?

Após forte recuperação, Bradesco melhora resultados, ajusta dividendos ao novo imposto e passa a ser visto como o único banco ainda interessante por parte do mercado
André CarvalhoPor André Carvalho3 de fevereiro de 20265 minutos lidos
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As ações do Banco Bradesco acumulam valorização superior a 76% em 12 meses, movimento que marca uma inflexão clara em relação ao período de forte deterioração observado entre 2022 e início de 2023. O banco, que chegou a ser visto como um dos elos frágeis do setor financeiro, passou a apresentar sinais consistentes de recuperação estrutural — e não apenas conjuntural.

A alta expressiva levanta uma questão central para 2026: o papel ficou caro ou o mercado ainda não precificou totalmente a virada operacional do banco?

A reestruturação da carteira explica a virada

O principal vetor da recuperação foi a reorganização profunda da carteira de crédito, com redução da exposição a segmentos de maior risco, revisão de políticas internas e maior foco em operações com garantias. O impacto foi direto sobre:

  • Redução gradual das provisões para devedores duvidosos (PDDs)

  • Estabilização da inadimplência

  • Melhora do custo de crédito

  • Recuperação da rentabilidade ajustada ao risco

Esse processo ganhou tração ao longo de 2024 e se consolidou em 2025, permitindo que o banco retomasse crescimento de lucro de forma recorrente.

Resultados confirmam retomada sustentável

No 3º trimestre de 2025, o Bradesco apresentou números que reforçam a leitura de recuperação estrutural:

Indicador3T25Var. TrimestralVar. Anual
Lucro líquido recorrenteR$ 6,2 bilhões+2,3%+18,8%
ROE14,7%+0,1 p.p.+2,3 p.p.
Margem financeira totalR$ 18,7 bilhões+3,7%+16,9%
Receita de serviçosR$ 10,6 bilhões+2,8%+6,9%
Seguros, previdência e capitalizaçãoR$ 5,7 bilhões+1,0%+13,0%

O ponto-chave está no lucro recorrente, que indica capacidade real de geração de caixa e sustenta dividendos mais previsíveis — algo fundamental para investidores de longo prazo.

Rentabilidade cresce sem aumento relevante de risco

Mesmo com a expansão da margem financeira, o banco conseguiu manter controle do risco, evidenciado pelo avanço do spread ajustado e pela melhora da qualidade da carteira. Isso indica que o crescimento não veio acompanhado de deterioração do balanço, diferentemente do que ocorreu em ciclos anteriores.

Além disso, as despesas operacionais seguem alinhadas ao guidance, com ajustes contínuos de eficiência e racionalização do footprint físico.

Ações BBDC3 ou BBDC4: diferenças importam

A escolha entre ações ordinárias e preferenciais ganhou relevância após a valorização recente.

IndicadorBBDC3BBDC4
Dividend yield (12m)~7,13%~6,74%
P/LMais baixoLevemente superior
P/VPMais descontadoPróximo de 1,1x
Tag along100%80%
LiquidezMenorMaior

Para o investidor focado em valor e longo prazo, BBDC3 tende a ser mais atrativa. Já BBDC4 oferece maior liquidez, o que favorece estratégias mais avançadas e facilita a entrada e saída do papel.

Dividendos, JCP e impacto da nova tributação

Com a elevação da alíquota do imposto sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 17,5%, o Bradesco decidiu reajustar os valores pagos, evitando perda de rendimento líquido ao acionista minoritário. A estratégia seguiu a linha adotada pelo Itaú Unibanco, reforçando a postura de preservação da atratividade do papel para investidores de renda.

É importante destacar que o dividend yield atual aparenta menor atratividade porque o denominador (preço da ação) subiu quase 80%. Para quem entrou antes da recuperação, o dividendo sobre o custo já supera com folga os dois dígitos.

Valuation: caro no curto prazo, ainda competitivo no setor

Mesmo após a disparada, o Bradesco negocia a cerca de 9 vezes o lucro, patamar ainda inferior à média histórica do setor bancário. O P/VP em torno de 1,1x reflete a reprecificação positiva, mas não caracteriza excesso quando comparado a ciclos anteriores.

MétricaBradescoMédia do setor
P/L~9x~9,1x
P/VP~1,1x>1,2x
ROE projetado 2026Acima da média históricaEstável

Modelos de valuation apontam preço justo acima de R$ 27, o que ainda sugere potencial relevante, especialmente se o lucro seguir crescendo conforme esperado.

Projeções e preço teto para 2026

Com lucro projetado em cerca de R$ 23,2 bilhões e payout estimado em 55%, o dividendo por ação (DPA) pode superar R$ 1,30.

Dividend yield desejadoPreço teto estimado
4%R$ 32,80
6%R$ 21,88
8%R$ 16,41
10%R$ 13,13

Esses níveis ajudam o investidor a calibrar entradas, especialmente após um rali tão intenso.

O que dizem Safra e Itaú BBA

O Banco Safra destacou que a valorização do Bradesco foi comparável à de uma small cap, algo incomum para um banco desse porte, mantendo visão construtiva com preço-alvo próximo de R$ 24.

Já o Itaú BBA chamou atenção ao afirmar que, entre os grandes bancos, apenas o Bradesco ainda justifica os níveis atuais de preço, com projeção de ROE em 2026 acima da média histórica — cenário que não se repete em concorrentes como o Banco do Brasil.

Bradesco mudou de patamar, mas exige seletividade

O Bradesco entra em 2026 como um banco mais eficiente, menos arriscado e com rentabilidade em recuperação, algo que o mercado demorou a precificar — e agora tenta ajustar rapidamente.

O papel já não é mais uma barganha óbvia como em 2023, mas ainda oferece valor relativo dentro do setor bancário, especialmente para quem pensa no médio e longo prazo. O principal risco passa a ser o timing de entrada, e não mais a qualidade do negócio.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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