As ações do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) acumulam uma valorização superior a 50% no ano, impulsionadas pela recuperação dos resultados financeiros e pela melhora na qualidade da carteira de crédito. A ação preferencial (BBDC4) era negociada a R$ 18,10, enquanto o banco reportava um aumento consistente de lucro, carteira de crédito mais equilibrada e dividendos mais robustos.
O mercado, no entanto, agora se pergunta: o rally ainda tem espaço para continuar? Ou o Bradesco já está precificado próximo ao seu valor justo?
O que puxou o resultado do Bradesco
No comparativo entre o 3º trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, o banco apresentou:
- Margem financeira em alta de 17%, indicando recuperação no faturamento com crédito e operações financeiras.
- Despesa com PDD (provisão para calotes) subindo cerca de 20%, refletindo cautela na carteira diante da inadimplência do consumidor.
- Lucro líquido recorrente avançando 18,8%, chegando a R$ 6,2 bilhões.
- Receita com seguros, previdência e capitalização crescendo 13%, reforçando a diversificação de resultados.
- Resultado operacional subindo 16,5%.
Mesmo com o aumento da PDD, a margem financeira líquida cresceu 14,4%, mostrando eficiência na administração dos riscos.
Inadimplência estabiliza: ponto-chave para o futuro
A inadimplência total da carteira está praticamente estável em 4,1% um dado considerado positivo.
O aumento observado em pessoa física é esperado, já que a carteira dessa linha cresceu. O banco informou que parte da alta na provisão se deve a um caso pontual de cliente corporativo, algo que tende a não se repetir.
Ou seja: se a inadimplência permanecer controlada, o banco pode continuar expandindo o crédito com segurança, sustentando seu ciclo de recuperação.
Indicadores de preço mostram ação ainda atrativa mas o ritmo pode desacelerar
| Indicador (BBDC3) | Valor | Interpretação |
| Dividend Yield | 7,8% | Bom retorno em dividendos |
| ROE | 13% | Eficiência consistente, mas abaixo de Itaú (20%) |
| P/VP | 0,99 | Ação próxima ao valor justo |
| P/L | 7,5x | Indica ação ainda barata |
O P/L baixo sugere que o papel segue descontado, mas o próprio mercado já começa a precificar uma desaceleração no crescimento para 2026.
Bradesco x Outros bancos: qual vale mais a pena agora?
- Banco do Brasil pode estar mais barato, mas enfrenta maior percepção de risco político.
- Itaú oferece maior qualidade e eficiência, porém costuma negociar mais caro.
- Santander depende mais fortemente do ciclo econômico interno.
Bradesco, hoje, se posiciona no meio termo: não é o mais barato, nem o mais caro, nem o mais eficiente — mas entrega equilíbrio.
Bradesco ainda é uma boa oportunidade?
Sim, mas com reservas.
O banco já precificou parte relevante da sua virada operacional. Se o investidor busca:
- Dividendos constantes
- Solidez de longo prazo
- Exposição ao setor bancário tradicional
Bradesco ainda pode ser uma escolha sólida, desde que a estratégia seja de médio a longo prazo.
No entanto, para quem busca maior crescimento, Itaú pode ser mais eficiente.
E para quem busca maior assimetria de preço, Banco do Brasil pode oferecer mais desconto com mais volatilidade.
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