O Bradesco voltou ao radar dos investidores após anunciar aproximadamente R$ 3,5 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP) e se aproximar da divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. A combinação entre proventos bilionários, recuperação operacional e expectativas positivas de analistas pode definir o próximo movimento das ações BBDC4 na Bolsa.
O pagamento anunciado corresponde a aproximadamente R$ 0,31 por ação ordinária BBDC3 e R$ 0,34 por ação preferencial BBDC4, antes da retenção de Imposto de Renda. A posição acionária considerada para receber os valores foi encerrada no início de julho, enquanto o crédito deverá ocorrer até janeiro de 2027, com possibilidade de antecipação por decisão do banco.
O anúncio aparece em um momento importante para a instituição. Depois de uma forte valorização iniciada nos últimos anos, as ações passaram por uma correção, aumentando o debate sobre a existência de um novo ponto de entrada para investidores interessados em bancos e dividendos.
Principais números no radar do investidor
| Indicador | Valor ou projeção |
|---|---|
| JCP anunciado | R$ 3,5 bilhões |
| Valor aproximado por BBDC4 | R$ 0,34 |
| Lucro estimado para o 2T26 | R$ 7,1 bilhões |
| Crescimento anual projetado | 16% |
| ROE esperado | 16,1% |
| Crescimento estimado da carteira | 8% |
| Avanço esperado da margem financeira | 12% |
Balanço do segundo trimestre será decisivo
O Bradesco confirmou em seu calendário de Relações com Investidores que a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 acontecerá no início de agosto, seguida pela apresentação à imprensa, analistas e acionistas.
O balanço será acompanhado principalmente por três motivos: evolução da inadimplência, comportamento das provisões para perdas com crédito e crescimento da margem financeira.
No primeiro trimestre, as receitas totais chegaram a aproximadamente R$ 36,9 bilhões, com crescimento anual de 14%. A margem financeira alcançou R$ 20,1 bilhões, enquanto as receitas de serviços somaram R$ 10,4 bilhões. Seguros, previdência e capitalização contribuíram com cerca de R$ 6,4 bilhões.
Apesar do avanço das receitas, as despesas com provisões para devedores duvidosos atingiram aproximadamente R$ 9,7 bilhões, alta de 26,5% na comparação anual. Esse é um dos principais pontos de atenção, pois provisões elevadas podem limitar o crescimento do lucro mesmo quando a margem financeira melhora.
Analistas esperam lucro de R$ 7,1 bilhões
O Itaú BBA estima que o Bradesco apresente lucro líquido próximo de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre, avanço de aproximadamente 16% sobre o mesmo período do ano anterior. A projeção também considera ROE de 16,1%, crescimento de 8% da carteira de crédito e expansão de 12% da margem financeira.
O desempenho da operação de seguros deve continuar entre os destaques, com crescimento anual estimado em 18%. Em contrapartida, o custo de risco e a inadimplência continuarão sendo determinantes para a reação do mercado.
A Genial Investimentos mantém recomendação de compra para BBDC4 e preço-alvo de R$ 25, enquanto o UBS BB elevou sua projeção para R$ 27 após avaliar a recuperação dos resultados do banco.
BBDC4 ainda está barata?
A tese positiva para o Bradesco está baseada na recuperação gradual da rentabilidade, expansão das receitas, crescimento da carteira e maior eficiência operacional. O banco também vem reduzindo sua estrutura física e ampliando os canais digitais para diminuir custos.
Por outro lado, o investidor deve acompanhar a qualidade dos novos empréstimos. No primeiro trimestre, a inadimplência acima de 90 dias ficou próxima de 4,19%, enquanto houve aumento dos atrasos entre micro, pequenas e médias empresas.
Assim, o balanço de agosto poderá funcionar como o principal gatilho para as ações. Uma combinação de lucro crescente, provisões estabilizadas e orientações positivas da administração pode sustentar uma nova valorização. Caso a inadimplência e o custo do crédito avancem, BBDC4 poderá continuar enfrentando volatilidade.
O anúncio de R$ 3,5 bilhões em JCP reforça a atratividade do Bradesco para investidores de renda, mas o futuro das ações dependerá principalmente da capacidade do banco de transformar crescimento de receita em lucro e rentabilidade maiores.
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