Em um ciclo positivo para a Bolsa, poucas ações destoaram tanto quanto os grandes bancos. Enquanto o Bradesco protagonizou uma recuperação expressiva após anos fracos, o Banco do Brasil passou por uma correção relevante, pressionado por queda de lucros e aumento de incertezas.
Esse descompasso reacendeu uma dúvida clássica do investidor: faz sentido realizar lucro em uma ação que subiu forte para comprar outra que ficou para trás, mas parece barata?
Comparação direta entre BBAS3 e BBDC4
A análise precisa começar pelos números, observando valuation, eficiência e ciclo de resultados.
Principais indicadores (cenário atual)
| Indicador | BBAS3 – Banco do Brasil | BBDC4 – Bradesco PN |
|---|---|---|
| Cotação aproximada | R$ 21–23 | R$ 18–20 |
| Desempenho 12 meses | Negativo / lateral | Forte alta |
| Preço/Lucro (P/L) | ~9–10x | ~8–9x |
| Preço/Valor Patrimonial (P/VP) | ~0,7–0,8 | ~0,95–1,05 |
| ROE atual | 8%–10% | 13%–15% |
| ROE histórico médio | ~14% | ~11%–12% |
| Dividend yield atual | Moderado | Moderado |
| Perfil de risco | Mais elevado | Intermediário |
Leitura rápida:
BBAS3 negocia com desconto relevante em relação ao patrimônio e com ROE bem abaixo da média histórica. BBDC4, por outro lado, já recuperou rentabilidade e opera próximo ou acima do seu padrão histórico.
Bradesco (BBDC4): recuperação já precificada?
O Bradesco passou por um ciclo claro de ajuste operacional. Redução de custos, melhora na qualidade do crédito e retomada gradual da rentabilidade explicam a valorização recente.
Pontos-chave do momento atual:
O ROE já voltou para níveis considerados normais para o banco.
O desconto em relação ao valor patrimonial praticamente desapareceu.
O mercado já precifica parte relevante da recuperação.
Isso não significa que a ação não possa subir mais, mas indica que o potencial adicional tende a ser mais limitado do que no início do movimento. A partir daqui, novos ganhos dependem de crescimento consistente de lucro, e não apenas de reprecificação.
Banco do Brasil (BBAS3): desconto e assimetria
O Banco do Brasil vive a fase oposta do ciclo. Após anos de resultados recordes, o lucro recuou de forma significativa, pressionando indicadores de rentabilidade.
Aspectos que chamam atenção:
ROE bem abaixo da média histórica, sugerindo espaço para recuperação no médio prazo.
P/VP próximo de 0,7 indica que o mercado precifica um cenário bastante conservador.
Maior volatilidade por exposição ao agronegócio e fatores políticos.
Esse conjunto cria assimetria: o risco é maior, mas o potencial de valorização também tende a ser superior caso o lucro volte a se normalizar.
Ciclicidade dos lucros: por que isso importa
Tanto BBAS3 quanto BBDC4 são ações cíclicas, mas em graus diferentes.
Banco do Brasil: ciclos mais intensos, com períodos de forte crescimento seguidos por quedas mais abruptas.
Bradesco: oscilações mais suaves, com maior previsibilidade relativa.
Em termos práticos, comprar BBAS3 na baixa exige paciência e tolerância à volatilidade. O retorno tende a vir quando o ciclo vira, não no curto prazo.
Dividendos: curto prazo versus longo prazo
Outro ponto central da decisão é a renda:
BBAS3 tende a pagar dividendos mais baixos enquanto o lucro permanece pressionado.
BBDC4, com resultados mais estáveis no momento, oferece maior previsibilidade de proventos.
Portanto, a troca faz mais sentido para quem prioriza valorização futura, e não renda imediata.
Vender tudo ou fazer aos poucos?
Realizar lucro envolve dois riscos claros:
Timing: a ação vendida pode continuar subindo.
Imposto: vendas acima do limite mensal reduzem o capital disponível para reinvestimento.
Por isso, a estratégia mais racional costuma ser a realização parcial, diluída no tempo, especialmente para quem está concentrado em Bradesco e deseja reduzir exposição gradualmente.
BBAS3 ou BBDC4 na carteira em 2026
Os dados atuais sugerem um cenário claro:
BBDC4 já precifica boa parte da recuperação e oferece menor risco relativo.
BBAS3 negocia com desconto relevante e apresenta maior potencial de valorização, mas com riscos mais elevados e necessidade de paciência.
Para quem busca aumentar a rentabilidade da carteira comprando na baixa, BBAS3 parece mais assimétrica no médio e longo prazo. Já o Bradesco segue como um ativo sólido, que não necessariamente deve ser abandonado por completo.
A decisão mais equilibrada tende a estar no meio do caminho: reduzir parcialmente a posição vencedora e construir, com calma, exposição ao ativo descontado — sempre considerando perfil de risco, horizonte de investimento e disciplina.
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