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Início » Últimas Notícias » BBDC4 em alta e BBAS3 pressionado: é hora de fazer a troca?
Ações

BBDC4 em alta e BBAS3 pressionado: é hora de fazer a troca?

Com BBDC4 acumulando forte valorização e BBAS3 negociando com desconto histórico, investidores avaliam se a rotação de capital pode aumentar a rentabilidade da carteira no longo prazo
Felipe AndradePor Felipe Andrade13 de janeiro de 20264 minutos lidos
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Em um ciclo positivo para a Bolsa, poucas ações destoaram tanto quanto os grandes bancos. Enquanto o Bradesco protagonizou uma recuperação expressiva após anos fracos, o Banco do Brasil passou por uma correção relevante, pressionado por queda de lucros e aumento de incertezas.

Esse descompasso reacendeu uma dúvida clássica do investidor: faz sentido realizar lucro em uma ação que subiu forte para comprar outra que ficou para trás, mas parece barata?

Comparação direta entre BBAS3 e BBDC4

A análise precisa começar pelos números, observando valuation, eficiência e ciclo de resultados.

Principais indicadores (cenário atual)

IndicadorBBAS3 – Banco do BrasilBBDC4 – Bradesco PN
Cotação aproximadaR$ 21–23R$ 18–20
Desempenho 12 mesesNegativo / lateralForte alta
Preço/Lucro (P/L)~9–10x~8–9x
Preço/Valor Patrimonial (P/VP)~0,7–0,8~0,95–1,05
ROE atual8%–10%13%–15%
ROE histórico médio~14%~11%–12%
Dividend yield atualModeradoModerado
Perfil de riscoMais elevadoIntermediário

Leitura rápida:
BBAS3 negocia com desconto relevante em relação ao patrimônio e com ROE bem abaixo da média histórica. BBDC4, por outro lado, já recuperou rentabilidade e opera próximo ou acima do seu padrão histórico.

Bradesco (BBDC4): recuperação já precificada?

O Bradesco passou por um ciclo claro de ajuste operacional. Redução de custos, melhora na qualidade do crédito e retomada gradual da rentabilidade explicam a valorização recente.

Pontos-chave do momento atual:

  • O ROE já voltou para níveis considerados normais para o banco.

  • O desconto em relação ao valor patrimonial praticamente desapareceu.

  • O mercado já precifica parte relevante da recuperação.

Isso não significa que a ação não possa subir mais, mas indica que o potencial adicional tende a ser mais limitado do que no início do movimento. A partir daqui, novos ganhos dependem de crescimento consistente de lucro, e não apenas de reprecificação.

Banco do Brasil (BBAS3): desconto e assimetria

O Banco do Brasil vive a fase oposta do ciclo. Após anos de resultados recordes, o lucro recuou de forma significativa, pressionando indicadores de rentabilidade.

Aspectos que chamam atenção:

  • ROE bem abaixo da média histórica, sugerindo espaço para recuperação no médio prazo.

  • P/VP próximo de 0,7 indica que o mercado precifica um cenário bastante conservador.

  • Maior volatilidade por exposição ao agronegócio e fatores políticos.

Esse conjunto cria assimetria: o risco é maior, mas o potencial de valorização também tende a ser superior caso o lucro volte a se normalizar.

Ciclicidade dos lucros: por que isso importa

Tanto BBAS3 quanto BBDC4 são ações cíclicas, mas em graus diferentes.

  • Banco do Brasil: ciclos mais intensos, com períodos de forte crescimento seguidos por quedas mais abruptas.

  • Bradesco: oscilações mais suaves, com maior previsibilidade relativa.

Em termos práticos, comprar BBAS3 na baixa exige paciência e tolerância à volatilidade. O retorno tende a vir quando o ciclo vira, não no curto prazo.

Dividendos: curto prazo versus longo prazo

Outro ponto central da decisão é a renda:

  • BBAS3 tende a pagar dividendos mais baixos enquanto o lucro permanece pressionado.

  • BBDC4, com resultados mais estáveis no momento, oferece maior previsibilidade de proventos.

Portanto, a troca faz mais sentido para quem prioriza valorização futura, e não renda imediata.

Vender tudo ou fazer aos poucos?

Realizar lucro envolve dois riscos claros:

  1. Timing: a ação vendida pode continuar subindo.

  2. Imposto: vendas acima do limite mensal reduzem o capital disponível para reinvestimento.

Por isso, a estratégia mais racional costuma ser a realização parcial, diluída no tempo, especialmente para quem está concentrado em Bradesco e deseja reduzir exposição gradualmente.

BBAS3 ou BBDC4 na carteira em 2026

Os dados atuais sugerem um cenário claro:

  • BBDC4 já precifica boa parte da recuperação e oferece menor risco relativo.

  • BBAS3 negocia com desconto relevante e apresenta maior potencial de valorização, mas com riscos mais elevados e necessidade de paciência.

Para quem busca aumentar a rentabilidade da carteira comprando na baixa, BBAS3 parece mais assimétrica no médio e longo prazo. Já o Bradesco segue como um ativo sólido, que não necessariamente deve ser abandonado por completo.

A decisão mais equilibrada tende a estar no meio do caminho: reduzir parcialmente a posição vencedora e construir, com calma, exposição ao ativo descontado — sempre considerando perfil de risco, horizonte de investimento e disciplina.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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